Выбрать главу

— Ken, essa sua astrônoma não está aqui? Arrowsmith? Arrowroot?

— Arroway, senhora Presidente. Ela e o doutor Valerian chegaram a noite passada. Talvez o trânsito os tenha atrasado.

— A doutora Arroway telefonou do seu hotel, senhora Presidente — informou um homem novo, meticulosamente vestido. — Disse que estavam a chegar alguns dados novos através do seu telefax e que queria trazê-los para esta reunião. Devemos começar sem ela.

Michael Kitz inclinou-se para a frente e perguntou, num tom de voz e com uma expressão de incredulidade:

— Estão a transmitir dados novos sobre este assunto através de um telefone normal, inseguro, num quarto de hotel de Washington?

Der Heer respondeu tão suavemente que Kitz teve de se inclinar ainda mais para a frente para o ouvir:

— Mike, acho que há pelo menos codificação comercial no telefax dela. Lembre-se, no entanto, de que não estão estabelecidas nenhumas linhas de orientação para este assunto. Tenho a certeza de que a doutora Arroway se mostrará cooperante se tais linhas forem estabelecidas.

— Muito bem, comecemos — disse a presidente. — Esta é uma reunião informal conjunta do National Security Council e do que, por enquanto, chamamos Grupo de Trabalho de Contingência Especial. Desejo frisar a todos que nada do que for dito nesta sala — repito, nada — deverá ser discutido seja com quem for que não esteja aqui, excetuando o secretário da Defesa e o vice-presidente, que se encontram no estrangeiro. Ontem, o doutor Der Heer pôs a maior parte dos senhores ao corrente deste incrível programa de televisão da estrela Vega. É opinião do doutor Der Heer e de outros — olhou à volta da mesa — que foi apenas uma casualidade o fato de o primeiro programa de televisão a chegar a Vega ter tido como estrela Adolf Hitler. Mas é… um embaraço. Pedi ao diretor da Central Intelligence que preparasse uma avaliação de quaisquer implicações de segurança nacional em tudo isto. Há alguma ameaça direta de quem diabo está a enviar isto? Vamos ficar em apuros se houver alguma nova mensagem e algum outro país a decifrar primeiro? Mas, antes de mais nada, deixe-me perguntar-lhe, Marvin, se isto tem alguma coisa a ver com discos voadores.

O diretor da Central Intelligence, um homem autoritário no fim da meia-idade, de óculos de aros de aço, resumiu: objetos voadores não identificados, conhecidos por OVNis, tinham sido uma preocupação intermitente para a CIA e a Força Aérea, especialmente nos anos cinqüenta e sessenta, em parte por boatos a respeito deles poderem constituir um meio e uma potência hostil espalhar a confusão ou sobrecarregar os canais de comunicação. Verificou-se que alguns dos incidentes representados por meios mais dignos de crédito foram, na realidade, penetrações do espaço aéreo dos EUA ou sobrevôos de bases norte-americanas no estrangeiro por aeronaves de alta performance da União Soviética ou de Cuba. Tais sobrevôos são um meio comum de testar o estado de prontidão de um adversário potencial, e os Estados Unidos da América tinham efetuado mais do que o seu justo quinhão de penetrações, e simulações de penetração, do espaço aéreo soviético. Um Mig cubano que penetrasse duzentos milhas acima da baía do Mississipi antes de ser detectado era considerado publicidade indesejável pelo NORAD. O procedimento rotineiro da Força Aérea tinha sido negar que alguns dos seus aparelhos tivessem estado nas imediações do lugar onde o OVNI fora avistado e não dizer nada acerca de penetrações não autorizadas, solidificando assim a mistificação do público. Ao ouvir estas explicações, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea pareceu marginalmente embaraçado, mas não disse nada.

A grande maioria dos OVNis reportados, continuou o D.C.I, era constituída por objetos naturais mal identificados pelo observador. Aeronaves não convencionais ou experimentais, faróis de automóveis refletidos de céu nublado, balões, aves, insetos luminescentes e até planetas e estrelas vistos em condições atmosféricas fora do vulgar, todas essas coisas tinham sido reportadas como OVNIs. Verificou-se que um número significativo de informações se devia a brincadeiras ou a genuínas ilusões psiquiátricas. Tinham sido comunicados mais de um milhão de avistamentos de OVNIs em todo o mundo desde que a expressão «disco voador» fora inventada, no fim dos anos quarenta, e nenhum deles parecia revestir-se de boas provas que permitissem relacioná-lo com uma visita extraterrestre. Mas a idéia engendrava emoções fortes e havia grupos e publicações marginais, e até alguns cientistas acadêmicos, que mantinham viva a suposta relação entre OVNIs e vida noutros mundos. Recente doutrina quiliasta incluía a sua parte de redentores extraterrestres que viriam em discos voadores. A investigação oficial da Força Aérea, chamada, numa das suas últimas encarnações, Projeto Livro Azul, tinha sido encerrada nos anos sessenta por falta de progresso, embora tivesse sido mantido um interesse continuado, a um nível menos elevado, conjuntamente pela Força Aérea e pela CIA. A comunidade científica estava tão convencida de que não havia nada no caso que, quando Jimmy Carter pedira à National Aeronautics and Space Administration que procedesse a um estudo amplo dos OVNIs, a NASA, contra o que era habitual, recusara um pedido presidencial.

— Na verdade — interveio um dos cientistas sentados à mesa, desconhecedor do protocolo em reuniões daquela natureza —, a história dos OVNIs tornou mais difícil fazer um trabalho sério na SETI.

— Muito bem — suspirou a presidente. — Há alguém à volta desta mesa que pense que os OVNIs e este sinal de Vega têm alguma coisa a ver entre si?

Der Heer olhou atentamente para as unhas. Ninguém falou.

— De qualquer maneira, vai haver uma enorme quantidade de eu-bem-lhes-disse da parte dos taradinhos dos OVNIs. Marvin, porque não continua?

— Em 1936, senhora Presidente, um sinal de televisão muito fraco transmite as cerimônias de inauguração dos Jogos Olímpicos a um punhado de receptores de televisão na área de Berlim. É uma tentativa para um golpe de relações públicas. Demonstra o progresso e a superioridade da tecnologia alemã. Houvera anteriormente algumas transmissões de televisão, mas todas em níveis de potência muito baixos. Na realidade, nós fizemo-lo antes dos Alemães. O secretário do Comércio, Herben Hoover, fez um breve aparecimento na televisão em… 27 de Abril de 1929. Seja como for, o sinal alemão deixa a Terra à velocidade da luz e vinte e seis anos depois chega a Vega. Eles — quem quer que «eles» sejam — conservam o sinal durante alguns anos e por fim reenviam-no-lo imensamente amplificado. A sua capacidade de receber o sinal inicial muito fraco é impressionante, como o é a sua capacidade de o devolver a níveis de potência tão elevados. Aqui há, com certeza, implicações de segurança. A comunidade de inteligência eletrônica, por exemplo, gostaria de saber como podem ser detectados sinais tão fracos. Essa gente de Vega, ou o que quer que sejam, está sem dúvida mais avançada do que nós — talvez apenas algumas décadas à nossa frente, mas também é possível que seja muito mais do que isso.

«Não nos deram nenhuma outra informação a seu respeito — a não ser o fato de, em algumas freqüências, o sinal transmitido não apresentar o efeito de Doppler resultante do movimento do seu planeta à volta da sua estrela. Simplificaram para nós esse passo de redução de dados. São… prestáveis. Até agora não foi recebido nada de interesse militar ou qualquer outro. Tudo quanto têm estado a dizer é que são bons em radioastronomia, gostam de números primos e são capazes de nos devolver as nossas primeiras transmissões de TV. Não faria mal nenhum qualquer outra nação saber isso. E lembrem-se: todos aqueles outros países estão a receber repetidamente aquela passagem de três minutos de Hitler. Simplesmente, ainda não conseguiram descobrir como lê-la. Os Russos, ou os Alemães, ou quaisquer outros, são capazes de chegar a essa modulação de polarização mais cedo ou mais tarde. A minha impressão pessoal, senhora Presidente — não sei se o secretário de Estado concorda —, é que seria melhor se a comunicássemos ao mundo antes de sermos acusados de estar a encobrir alguma coisa. Se a situação permanecer estática — sem nenhuma grande mudança no ponto em que estamos agora —, podemos pensar em fazer uma comunicação pública ou mesmo em distribuir o clip de filme de três minutos.