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— Yamagishi-san e eu somos sócios, juntamente com algumas outras pessoas. Ele é o presidente de administração honorário das Yamagishi Industries. Como sabe, trata-se do principal empreiteiro dos testes dos componentes da Máquina efetuados em Hokkaido. Agora imagine o nosso problema. Por exemplo: há três grandes cápsulas esféricas, umas dentro das outras. São feitas de uma liga de nióbio, têm padrões peculiares talhados nelas e destinam-se obviamente a girar a grande velocidade em direções ortogonais, no vácuo. Chamam-se benzels. Claro, você sabe tudo isso. Que acontece se fazemos um modelo em escala dos três benzels e lhes imprimimos uma rotação muito rápida? Que acontece? Todos os físicos entendidos pensam que não acontece nada. Mas, evidentemente, ninguém fez a experiência. Esta experiência precisa. Por isso, ninguém sabe de fato. Suponha que acontece alguma coisa quando toda a Máquina é ativada. Depende da velocidade da rotação? Depende da composição dos benzels? Do padrão dos entalhes? É uma questão de escala? Por isso temos estado a construir essas coisas e a testá-las — modelos em escala e cópias de tamanho natural. Queremos fazer girar a nossa versão dos benzels grandes, os que serão acoplados aos outros componentes das duas Máquinas. Suponhamos que não acontece nada então. Depois quereríamos acrescentar componentes adicionais, um por um. Continuaríamos a acoplá-los, um pequeno trabalho de integração de sistemas em cada passo, e depois talvez chegasse uma altura em que, ao acrescentarmos um componente, que não seria o último, a Máquina fizesse qualquer coisa que nos deixasse descalços. Estamos apenas a tentar imaginar como a Máquina funciona. Compreende aonde quero chegar?

— Quer dizer que têm estado a montar secretamente uma cópia idêntica da Máquina no Japão?

— Bem, não se trata exatamente de um segredo. Estamos a testar os componentes individuais. Ninguém disse que só os podemos testar um de cada vez. Por conseqüência, eis o que Yamagishi e eu propomos: mudamos o plano das experiências em Hokkaido. Fazemos agora sistemas de integração totais e, se não resultar nada, faremos depois os testes componente a componente. De qualquer modo, o dinheiro já foi todo distribuído.

«Pensamos que serão necessários meses — talvez mesmo anos — para o esforço americano recuperar. E não achamos que os Russos, possam fazê-la mesmo nesse tempo. O Japão é a única possibilidade. Não precisamos de o anunciar imediatamente. Não temos de tomar já uma decisão quanto a ativar a Máquina. Estamos apenas a testar componentes.

— Vocês dois podem tomar, sozinhos, essa decisão?

— Oh, encontra-se perfeitamente dentro daquilo a que chamam as responsabilidades que nos foram atribuídas! Calculamos que podemos recuperar e voltar ao ponto em que a construção da Máquina de Wyoming estava em seis meses. Claro que teremos de ter muito mais cuidado no capítulo da sabotagem. Mas, se os componentes estão fixos, a Máquina também estará: é a modos que difícil chegar a Hokkaido. Depois, quando tudo estiver verificado e pronto, podemos perguntar ao Consórcio Mundial da Máquina se quer experimentá-la. Se a tripulação estiver disposta a isso, aposto que o Consórcio alinhará. Que lhe parece, Yamagishi-san?

Yamagishi não ouvira a pergunta. Cantava baixinho, para consigo, Queda Livre, uma canção muito em voga, cheia de pormenores eloqüentes quanto a cair em tentação em órbita terrestre. Que não sabia a letra toda, explicou, quando a pergunta foi repetida.

Imperturbável, Hadden continuou:

— Alguns dos componentes terão sido submetidos a rotação, ou colocados, ou qualquer coisa. Mas em qualquer caso precisarão de passar nos testes prescritos. Não pensei que isso seria suficiente para a assustar e fazer desistir. Quero dizer, pessoalmente.

— Pessoalmente? Que o leva a pensar que eu vou? Para começar, ninguém me convidou e, além disso, há uma quantidade de fatores novos.

— É muito grande a probabilidade de a Comissão Selecionadora a convidar e a presidente concordará. Entusiasticamente. Então — acrescentou, a sorrir maliciosamente —, não quer passar a vida inteira na parvónia, pois não?

Estava enevoado sobre a Escandinávia e o mar do Norte e o canal da Mancha apresentava-se coberto por uma teia arrendada, quase transparente, de nevoeiro.

— Vai, sim. — Yamagishi estava de pé, de braços rigidamente esticados ao longo do corpo. Fez-lhe uma vênia profunda e acrescentou: — Falando em nome dos vinte e dois milhões de empregados das empresas que controlo, tive muito gosto em conhecê-la.

Dormitou intermitentemente no cacifo para dormir que lhe destinaram. Estava folgadamente preso a duas paredes, para que, ao voltar-se em g zero, ela não fosse contra nenhum obstáculo. Acordou quando todos pareciam ainda dormir e caminhou, agarrando-se a uma sucessão de pegas, até chegar diante da grande janela. Estavam sobre o lado noturno. A Terra encontrava-se mergulhada em escuridão, embora desse a impressão de uma espécie de manta de retalhos salpicados de luz — valorosa tentativa dos seres humanos para compensarem a opacidade do planeta quando o seu hemisfério estava oculto do Sol. Vinte minutos depois, ao nascer do Sol, decidiu que, se a convidassem, responderia afirmativamente.

Hadden aproximou-se por trás dela e assustou-a um nadinha.

— Admito que parece formidável. Estou cá em cima há anos e continua a parecer-me formidável. Mas não a incomoda que haja uma nave espacial à sua volta? Olhe, imagine uma experiência que ainda ninguém teve. Veste um fato espacial, não há nada a prendê-la, nenhuma nave espacial a envolvê-la. Talvez o Sol esteja atrás de si e você se encontre rodeada de estrelas por todos os lados. Talvez a Terra esteja por baixo de si. Ou talvez qualquer outro planeta. Pessoalmente, tenho uma preferência por Saturno. Ali está você, a flutuar no espaço, como se fizesse realmente parte do cosmo. Hoje em dia, os fatos espaciais comportam consumíveis suficientes para durar horas. A nave espacial que a largou pode ter partido há muito tempo. Talvez tenha encontro marcado consigo dentro de uma hora. Talvez não.

O melhor seria se a nave não voltasse. As suas últimas horas cercada por espaço, estrelas e mundos. Se tivesse uma doença incurável, ou quisesse apenas proporcionar a si mesma um derradeiro prazer verdadeiramente belo, como poderia alguma coisa ultrapassar isso?

— Fala a sério? Quer comercializar esse… esquema?

— Bem, é demasiado cedo para comercializar. Talvez não seja exatamente a maneira certa de tratar o assunto. Digamos apenas que estou a pensar num estudo de exeqüibilidade.

Ellie resolveu não falar a Hadden da sua decisão e ele também não tocou no assunto. Mais tarde, quando o Narnia chegou ao ponto de encontro e iniciou a atracação ao Methuselah, Hadden chamou-a de parte.

— Dissemos que Yamagishi é a pessoa mais idosa que se encontra cá em cima. Bem, se falarmos de permanentemente cá em cima — não me refiro a pessoal, astronautas e dançarinas —, eu sou a pessoa mais nova. Bem sei que tenho um interesse investido na resposta, mas existe a possibilidade clínica definitiva de a g zero me manter vivo durante séculos. Compreenda, estou empenhado numa experiência sobre a imortalidade.

«Não abordo este assunto para me vangloriar. Estou a abordá-lo por uma razão prática. Se nós conseguimos imaginar maneiras de prolongar o período de duração da nossa vida, pense no que aquelas criaturas de Vega devem ter feito. Provavelmente são imortais, ou quase. Sou uma pessoa prática e tenho pensado muito na imortalidade. Talvez tenha pensado mais longa e mais seriamente nela do que qualquer outra pessoa. E posso dizer-lhe uma coisa certa a respeito de imortais: eles são muito cuidadosos. Não abandonam as coisas ao acaso. Investiram demasiado esforço para se tornarem imortais. Não sei que aspecto têm, não sei o que querem de si, mas, se alguma vez os vir, só tenho um conselho prático a dar-lhe: qualquer coisa que lhe pareça canja, garantida, será considerada por eles um risco inaceitável. Se tiver de fazer alguma negociação lá em cima, não se esqueça do que lhe estou a dizer.