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Na borda do átrio chegaram a uma escada íngreme, dividida por imensas colunas. Em frente havia uma fonte impressionante. Duas enormes anãs de pedra seguravam vasos de onde a água fluía, caindo ruidosamente na grande bacia embaixo delas e abafando qualquer conversa ao redor. O ar sobre a fonte cintilava nos pilares de luz, que desciam por uma ampla abertura no teto. Aquela luz não parecia ser do sol, pois era de uma coloração azulada. Espuma voou na direção deles quando passaram pela fonte. Seu sabor era fresco e um pouco salgado.

Mal tinham deixado a escada e os grupos de colunas para trás, atravessaram uma sala ampla, chegando a uma larga escada em caracol, que primeiro desaparecia na rocha levando-os para as alturas, para então abrir-se do lado esquerdo e oferecer uma ampla vista da sala da escada. Ao longe, Nuramon viu as colunas do átrio grande, próximas à entrada.

Alwerich sinalizou que continuassem em frente. Por fim, pararam diante de um largo corredor vigiado por dois guerreiros. Eles não queriam permitir a passagem de Nuramon. Alwerich então decidiu prosseguir e levar seu pedido até a corte. Enquanto isso, Nuramon deveria esperar ali.

O elfo observou os arredores próximos. Ali a luz também parecia pairar sob o teto. Ele daria muito para descobrir o segredo daquela luz. Embora fosse estrangeiro, sentia-se como na Terra dos Albos. Assim como Yulivee fizera em Valemas, os anões tinham construído um novo lar para eles. Evidentemente, também mineravam cristais. À esquerda, na parede distante, havia muitas jechilitas, que cintilavam como a grama coberta pelo orvalho da manhã. À sua direita erguiam-se montanhas de cristais da altura do teto, que brilhavam por dentro e pareciam conter paisagens da selva.

Nuramon observava os anões que circulavam pelas ruas de pedra lá no alto e pelas pontes de madeira. Para eles, aquele luxo devia ser tão cotidiano quanto a vista do castelo de Emerelle era para o seu povo. Certamente havia anões que percebiam tudo de forma semelhante a ele, que se encantavam com aqueles ambientes e todo o seu esplendor.

Depois de um tempo, Alwerich retornou e despachou seus companheiros. Estava com uma cara desconfiada.

— Siga-me, por favor! Mestre Thorwis quer falar com você.

Nuramon nunca ouvira esse nome antes. Seguiu o anão sem mais nenhuma palavra. Eles passaram pelos dois guardas e percorreram um corredor silencioso, cruzando com alguns sentinelas e com anões e anãs nobremente vestidos. Todos observavam Nuramon como se fosse um espírito luminoso. O elfo tentava se manter orientado, o que era difícil sem o céu ou ao menos um telhado de árvores sobre si.

Nuramon conseguia entender bem a surpresa no rosto dos anões. Ele provavelmente era o primeiro elfo que fazia aquele caminho. Só lhe restava esperar que os anões não o vissem como um enviado de Emerelle. No fundo, ele não sabia se os anões tinham simpatia por elfos. E se eles tivessem partido da Terra dos Albos brigados? Nesse caso, seguia rumo à sua própria ruína.

— Bem, aqui estamos — disse Alwerich, adentrando um átrio com cerca de uma dúzia de portas altas, algumas vigiadas.

Enérgico, Alwerich aproximou-se de um velho anão de cabelos brancos, que esperava na frente de uma das portas.

— É este o forasteiro, mestre — disse, baixando a cabeça.

O ancião examinou Nuramon com a expressão imóvel.

— Você executou bem a sua tarefa, meu jovem guerreiro. Agora vá!

Alwerich lançou um último olhar a Nuramon e então desapareceu pelo mesmo caminho pelo qual tinham vindo.

— Por favor, olhe para mim! — ressoou a voz do ancião.

Nuramon atendeu o pedido e olhou o anão diretamente nos olhos verde-acinzentados. Thorwis parecia estar checando cada pormenor de seu rosto. Aquele velho anão dominava a feitiçaria, sentiu Nuramon. Além disso, sua túnica simples e cinza indicava que não era um guerreiro. Era o único anão ali que não vestia nada de metal. Até o seu anel era de jade.

— Siga-me! — disse por fim o ancião.

Ele abriu a porta e entrou. Do outro lado dela estendia-se um corredor estreito. Depois que Nuramon entrou, Thorwis fechou e trancou a porta.

Nuramon seguiu o velho por corredores que não combinavam com a pompa das outras salas. Ali as paredes eram simples e sem qualquer adorno. Somente as portas eram artisticamente enfeitadas, nenhuma igual à outra. Estava claro que elas eram adequadas à realidade da sala para onde eles iam.

— Só poucos podem ver estes corredores — esclareceu Thorwis. — Nenhum elfo já pôs o pé... — Ele interrompeu-se de repente e olhou para a espada de Nuramon. Então sorriu. — Desculpe! O que queria dizer é: você pode se sentir satisfeito por estar aqui.

— Eu já me sinto — foi tudo o que Nuramon respondeu.

Estava admirado com a conduta do feiticeiro. Será que não era habitual carregar uma espada naqueles corredores?

Logo chegaram a passagens amplas onde novamente se viam anões. Eles vestiam roupas nobres e não pareciam menos surpresos do que os de antes. Alguns se assustaram quando ele dobrou uma esquina junto de Thorwis.

— Em um reino tão grande, aqueles que têm poder de decisão precisam se deslocar rápida e discretamente entre os lugares importantes — esclareceu o velho.

Nuramon sentiu que os corredores não haviam sido construídos ao acaso. Muitos deles seguiam uma trilha alba. Quem porventura quisesse ir de um lugar para outro no reino dos anões, poderia servir-se de uma estrela alba.

No fim de um longo corredor, Thorwis parou, abriu uma porta à direita e entrou. Nuramon seguiu-o e viu-se novamente em uma sala vazia. Comparada aos átrios e corredores, era bastante pequena. À esquerda faltava uma parede, de forma que dali era possível ter um panorama do vale. A luz do dia lançava seu brilho até a parede oposta, onde havia um mosaico com pedras preciosas que reproduzia a imagem do vale.

— Desculpe-me! — disse Thorwis, desaparecendo por uma porta com figura de pedras preciosas.

Nuramon perguntou-se o que os anões pensavam dele. Claramente acreditavam que quisesse alguma coisa deles que justificasse recebê-lo naquela suntuosa parte do reino. Para ele, teria bastado encontrar alguém lá embaixo, no salão principal, que tivesse coragem de ir junto com ele na viagem até o oráculo.

Aproximou-se da parede aberta e olhou para o vale. As nuvens flutuavam baixo no céu azul. Nuramon tinha a sensação de serem rostos que riam para ele. Do vento que empurrava as nuvens lá fora, Nuramon sentia só um sopro suave. Ele estendeu sua mão para o ar livre e sentiu-a atravessar algo invisível. O vento roçou seus dedos. Na casa dele, na Terra dos Albos, um feitiço semelhante agia. Alaen Aikhwitan cuidava para que nenhuma rajada de vento soprasse pela casa. No castelo da rainha, esse feitiço agia no teto da sala do trono. Mais uma vez ele descobria uma semelhança entre os anões e os elfos.

De repente, a porta na parede de pedras preciosas abriu-se. Por ela, passou um anão em um nobre traje de malha de ferro. Vestia ainda um nobre casaco verde. Levava uma coroa esguia. Era seguido por Thorwis e alguns outros gnomos distintos, alguns deles guerreiros.

O rei ainda não tinha visto Nuramon. Conversava com seus guerreiros.

— Eu gostaria que ali não fosse mais escavado! E eu digo a vocês que... — O rei deteve-se e contemplou o elfo.

Thorwis pôs-se ao lado de seu soberano.

— Este é o visitante de quem lhe falei.

O rei virou-se um pouco para os guerreiros, mas mantendo o olhar em Nuramon.

— Vão e façam o que eu disse! — ordenou. E virando-se para Thorwis: — Você não me disse que ele era um elfo.

— Queria surpreendê-lo. Veja só!

O rei dos anões aproximou-se de Nuramon com passos calculados. Tinha o cabelo grisalho e uma barba com tranças artisticamente tecidas. Parou bem perto dele e observou-o com os olhos arregalados.

Nuramon curvou-se diante do rei. Sentiu-se estranho por ainda ter de olhar para baixo para encontrar os olhos do soberano.

— Meu nome é Nuramon. Venho da Terra dos Albos e estou em viagem neste mundo.