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— Esse é o lugar que você procura. Se encontrar o caminho dessa ilha para o Mundo Partido, então você chegará à sua amada.

— Eu encontrarei esse lugar, mesmo que precise buscá-lo por séculos — disse Nuramon, sem desviar o olhar da paisagem.

A forma da imagem ficou marcada em sua mente. Nunca a esqueceria. Ele agora tinha o seu alvo literalmente diante dos olhos. E essa imagem era muito elucidativa. Estava claro que o portal para Noroelle ficava no norte do mundo dos humanos ou então muito alto nas montanhas. No deserto, em seus arredores e no árido reino de Angnos ele não precisaria mais procurá-la.

De repente, a imagem desvaneceu à sua frente. A ilha, a água e a costa se dissiparam. Nuramon continuou olhando para cima. Tinha conseguido gravar tudo na memória.

— Ainda digo mais — disse Dareen. — Só duas coisas podem quebrar o feitiço: a ampulheta completa ou uma pedra de albos.

Nuramon não conseguia entender o que o oráculo estava dizendo. Ouvir que a ampulheta e os grãos de areia de fato eram um caminho era algo que o deixava menos pensativo que a menção às pedras albas. Ele partira para encontrar um caminho mais fácil que o de Farodin. E agora descobria que seu caminho talvez fosse muito mais difícil. Ele sacudiu a cabeça, confuso.

— Mas como posso conseguir uma pedra alba? Eu só sei que Emerelle tem uma. Mas ela...

— Ela não a dará a você. Você precisa procurar outra pedra alba se não acredita no caminho de seu companheiro Farodin. Mas tanto faz o que decidir: primeiro você precisa se unir aos seus companheiros. Acabem com essa briga. Não há caminhos errados. Cada um contribui com a sua parte para alcançar o objetivo. Vá para o norte e aguarde os seus amigos na cidade do filho de humanos. Seja paciente e espere como um elfo.

— Vou fazer isso.

— Então isso é tudo o que Dareen tem para dizer. Até logo, Nuramon!

Ela avançou para dentro das sombras e desapareceu.

Nuramon esperou para ver se Dareen apareceria mais uma vez. Nada. Aquela parecia mesmo ter sido a despedida. Ele pensou no que ela dissera. Revelou a ele o caminho que procurava e mostrou-lhe o lugar onde se encontrava o portal para a prisão de Noroelle. Mas por que era tão importante juntar-se a Farodin e Mandred? Ele pensava sempre em seus companheiros e na briga tola que os separara. Sentia falta deles. A voz de Dareen suplicara que se reconciliasse com seus amigos.

Por fim, decidiu. Ele iria até Firnstayn e lá esperaria por Farodin e Mandred.

O livro de Alwerich

A despedida do irmão de armas

Os ditos do oráculo mudaram tudo. Você vê as coisas com outros olhos, principalmente o seu irmão de armas. Ele de fato age como antes, mas o conhecimento questionado a Dareen também lançou uma nova luz sobre Nuramon.

Ele contou sobre uma viagem para o norte e que Dareen ofereceu a ele suas memórias, que ele negou para saber de sua amada. Esse ato tocou o seu coração e você pensou em Solstane. Você teria feito o mesmo por ela. Finalmente, pôde sentir por que Nuramon não quer tê-lo a seu lado durante a busca dele. Você já conquistou tudo o que ama. Mas ainda se pergunta se ajudar o elfo não valeria uma vida.

Vocês tomam o caminho de volta e evitam os humanos desconfiados. Enquanto isso, você se acostumou à presença de Felbion, mas recusa a oferta de aprender a montar. Isso já seria demais. Você gosta do cavalo, mas sentar-se totalmente sozinho sobre ele não é do seu gosto.

O dia da despedida chega. No pé da montanha vocês irão se separar. Você desce de Felbion pela última vez. Nuramon curva-se sobre o joelho para ficar olho no olho com você e coloca a mão sobre o seu ombro. Das palavras que ele diz você não se esquecerá mais nesta vida: “Obrigado, Alwerich. Você foi um bom companheiro para mim, um verdadeiro irmão de armas. Mas agora devemos seguir nossos caminhos”. Ele olha para as montanhas lá embaixo e então continua: “Diga obrigado a Thorwis e Wengalf por mim. E abrace Solstane em meu nome. Você me contou tanto sobre ela que já se tornou minha conhecida”. Ao que você responde: “Ela vai lamentar que você não retornará comigo para casa”. Nuramon concorda e diz: “Conte a ela sobre Noroelle e a minha busca”. Então o elfo se levanta e diz: “Adeus, amigo”. Nuramon estende a palma da mão em sua direção e de repente parece muito inseguro, como se temesse que você recusasse o cumprimento de mão. Você o aceita e diz: “Até a vista, amigo. Talvez nesta vida, provavelmente na próxima. Pode até ser que nos encontremos novamente na luz de prata”.

Nuramon sorri e responde: “Nós nos veremos novamente. E talvez nos lembremos de encontros anteriores dos quais agora nada suspeitamos”.

O elfo não sabe que suas palavras são verdadeiras. Ele não me perguntou se nós já nos encontramos em alguma outra vida. Mas, da mesma forma como o fato de estarmos aqui de pé, sei que os acontecimentos se repetem. Os amigos se reencontram, mesmo depois de algumas vidas.

Nuramon sobe em Felbion e olha mais uma vez para você, de forma elogiosa. Então vai embora cavalgando. Os seus olhos o seguem. Você se lembra do oráculo. Se ao menos o tivesse preparado para o que o espera! Mas Dareen insistiu para que você se calasse perante ele.

Quando o elfo desaparece por completo, então você se põe a caminho para deixar para trás o último trecho até Aelburin. E, lá, tomar Solstane nos braços.

A nova sala de escritos, volume XXI, página 156

A cidade de Firnstayn

Nuramon percorreu o fiorde com os olhos. Era inverno como da vez em que partiram para a Caçada dos Elfos. Foi ali que tudo começou. Lá em cima, junto ao círculo de pedras, Mandred lutara contra a morte. Ali o devanthar dera início ao seu terrível jogo.

Ele se lembrava como aquele mundo lhe parecera estranho. Mas agora estava habituado à visão dele. Sabia o quão longe eram as montanhas dali e conseguia estimar as distâncias corretamente. Mas uma coisa continuava iguaclass="underline" o mundo continuava árido, como a viagem de até então comprovou. Era um inverno especialmente rigoroso até para o mundo dos homens, que martirizava tanto ele quanto Felbion. Às vezes, esse era um mundo rude demais para um elfo.

Lá embaixo estava Firnstayn, junto ao fiorde congelado. A aldeia de então havia se tornado uma cidade. Estava certo, os humanos tinham vida curta. E, por isso, para eles era mais importante que se multiplicassem. Mas uma colônia crescer assim num tempo tão curto causava-lhe surpresa. Lembrou-se do alerta do Carvalho dos Faunos. Talvez tivesse se tornado vítima do tempo. Ele de fato atravessara somente poucos portais, mas em Iskendria tivera uma sensação estranha.

A cidade e suas muralhas de pedra atestavam que, naquelas terras, mais que só uns poucos anos já haviam se passado desde a última vez que esteve no círculo de pedras sobre o rochedo.

— É isso mesmo — disse alguém ao seu lado.

Nuramon puxou a espada de Gaomee e deu meia-volta. Na borda do círculo de pedras estava Xern. Seus poderosos cornos de cervo pareciam uma coroa. Envergonhado, Nuramon guardou a arma de volta.

— Você veio mesmo — seus grandes olhos cor de âmbar cintilavam.

— Não para voltar para casa — retrucou Nuramon. — Mas é bom ver um rosto conhecido.

— O que o traz aqui? — perguntou Xern.

— Ali embaixo, junto dos humanos, vou me encontrar com meus companheiros. Minha busca não terminou.

— Isso provavelmente é um erro, Nuramon. A rainha não esqueceu o que vocês fizeram. Ela não fala mais sobre isso, mas você precisava ter visto a fúria dela quando descobriu que vocês partiram! Raramente alguém contradisse tanto as suas ordens.

— Você está aqui em nome dela?

— Não, em meu próprio... e porque Atta Aikhjarto me disse que você viria. Você sabe: as raízes dele chegam longe. E os sentidos de Emerelle também. Ela verá você se continuar por perto. Até Firnstayn é perto demais do portal.