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Quando Njauldred chamou Nuramon e expôs a ele tais repreensões, o elfo disse que gostaria de instruir um punhado de jovens na luta e lembrá-los das virtudes de Mandred. Ele chamou seus guerreiros de mândridos, os filhos de Mandred, e ensinou a eles a luta de espada, o tiro com arco e também a luta com o machado. De fato, era raro vê-lo manejar um machado, mas ele mostrou aos jovens o que vira junto a Mandred.

Como Mandred e Farodin haviam deixado seus cavalos para trás, Nuramon cuidou deles. Ele dizia que era um sonho de Mandred que sua égua gerasse uma linhagem dos melhores cavalos. Os mais nobres garanhões do norte foram levados a ela e os cavalos de Nuramon e Farodin, por sua vez, cobriram as éguas mais vistosas. Foi essa a origem dos cavalos firnstaynenses.

No décimo nono ano do reinado de Njauldred, Nuramon lutou com seus homens contra os guerreiros da cidade de Therse e devastou os inimigos como um louco, somente para depois disso servir ao rei como seu conselheiro mais ilustre. Todo e qualquer guerreiro seu saiu vivo dessa luta.

Nuramon instruiu o jovem Tegrod, filho de Njauldred. Ele o ensinou não somente o que transmitira aos mândridos; mostrou-lhe também como ele próprio poderia tornar-se um mestre. E as habilidades de Tegrod falavam por si mesmas.

Por gratidão, o velho Njauldred presenteou Nuramon com um navio, ao qual Nuramon deu o estranho nome de Estrela dos Albos. Mas o elfo nunca saiu com ele. Em vez disso, cuidava da embarcação e punha-se a seu lado para olhar para o mar. A oscilação entre alegria e melancolia era a sua marca característica. Uma vez por mês, ele passava o dia todo no Carvalho de Freya e recordava a mulher de Mandred, embora tenha me confessado em uma noite de inverno que nunca a vira. Da mesma forma, uma vez por mês subia até o círculo de pedras. Diziam que ali ele se encontrava com outros filhos dos albos. Uma vez ele me acompanhou montanha acima até a Gruta de Luth. Fez a oferenda de homens de ferro seguindo o costume e contou-me na caverna que, desde os dias de Alfadas, o que um dia ali se sucedera havia voltado a ser sagrado.

E um dia então veio a despedida, surpreendente até mesmo para Nuramon.

Lurethor Hjemison, de Luth, em Firnstayn, p. 53-55

Velhos companheiros

Nuramon acordou sobressaltado da sesta. Uma grande gritaria reinava lá fora. Levantou-se e começou a se vestir. Terminava de abotoar sua camisa quando a porta se abriu de repente. Era Neltor, o jovem rei de Firnstayn.

— Majestade? Como posso servi-lo hoje?

Nuramon um dia instruíra o jovem soberano em nome de seu pai e ele ainda o via como uma espécie de mentor. O rei não lembrava em nada o pai, que se assemelhava muito a Mandred. Neltor parecia-se mais com Alfadas.

— É outro conflito?

— Não, imagine! — seus olhos brilhavam. — Meu antepassado está velejando fiorde acima. Como devo tratá-lo?

— Mandred? Mandred Torgridson?

— Ele mesmo!

Nuramon expirou aliviado. Para ele, aliás, era quase como se tivesse prendido a respiração pelos últimos 47 anos...

Finalmente seus companheiros estavam voltando. Embora tivesse encontrado distrações abundantes em Firnstayn, sempre estivera preocupado com os amigos e, ainda mais frequentemente, quase caíra na tentação de seguir sozinho em sua busca por Noroelle.

— Também há um elfo ao seu lado?

— Sim!

Nuramon sorriu para o rei.

— Você me perguntou como deve receber Mandred. E como conselheiro fiel eu lhe digo: já está vestindo a armadura certa. — Era a de Alfadas. — Se ainda se armar com o seu melhor machado e surgir na escada para a sala do rei junto às estátuas de leão, então Mandred ficará admirado.

— Obrigado, mestre!

— Neltor! Me chame de amigo, me chame de homem de confiança, mas, por favor, não me chame mais de mestre.

O jovem sorriu e se foi.

Nuramon agora estava com pressa. Saiu para a rua e pôs-se a caminho do portão. Qual seria a aparência de Mandred? Talvez fosse somente um velho.

De repente Voagad estava ao seu lado. Fora um de seus alunos e estava admirado.

— Mandred Torgridson! Isso vai ser uma festa!

— Você, como sempre, só pensando na bebedeira... Faz bem, pois Mandred saberá apreciar isso. Mas agora vá e reúna os mândridos! Eles devem se agrupar no Templo de Luth. De maneira alguma devem vir à praça antes que eu dê o sinal.

Voagad logo desapareceu. Nuramon seguiu o rapaz com os olhos. Com os anos, Mandred se tornara mais que o antepassado dos reis — era o ancestral de Firnstayn. E Nuramon contribuíra muito para isso. Lançara uma luz sobre o companheiro que há muito tempo ultrapassara as fronteiras de Firnstayn e se propagara para todas as terras do fiorde.

Nuramon não contara a história toda ao povo de Firnstayn. Também havia ocultado dos fiordlandeses que o devanthar ainda estava vivo. Nos anos passados, Nuramon pensara com frequência no demônio. Será que ele seguira outros caminhos para arruinar outras pessoas? Ou estava à espreita em algum lugar, só esperando para fazer frente a ele e seus companheiros mais uma vez? Ele não sabia dizer, mas se perguntara com frequência o porquê de o destino estar brincando com eles de forma tão dura, e se algumas vezes não teria havido a mão do devanthar nisso.

O júbilo irrompeu. Então Mandred já estava na cidade! Uma multidão de humanos seguia espremida ao longo da rua. Cinquenta anos atrás, não teriam sido tantos assim. Firnstayn parecia crescer incessantemente. Mais cinquenta anos e Mandred não conseguiria dar mais nenhum passo diante desses humanos barulhentos.

Nuramon resistiu e esperou. Em algum lugar ali na sua frente, entre os firnstaynenses, deviam estar os seus companheiros. De repente formou-se um corredor entre os humanos.

Ali estavam eles! Mandred e Farodin. Sua aparência era exatamente a mesma de como Nuramon os tinha na lembrança. Estava feliz que Mandred não havia envelhecido. Seus companheiros o viram. Os humanos ao redor deles prenderam a respiração. Claramente queriam acompanhar o reencontro de Nuramon, o elfo, com Mandred, seu companheiro de luta.

— Nuramon, seu fanfarrão! — gritou Mandred, correndo arrebatado em sua direção.

Farodin, por sua vez, manteve-se em silêncio, mas seu rosto encheu-se de alívio.

Mandred abraçou o elfo tão forte que ele mal conseguiu respirar. Ao longo dos anos com Njauldred, Nuramon aprendera a lidar com aquelas brutalidades de amigo.

Nuramon baixou os olhos até o jarl.

— Já estava achando que jamais os veria novamente.

Mandred deu um sorriso largo.

— Nós tivemos de chutar o traseiro de alguns trolls!

— E, enquanto isso, esquecemos um pouco do tempo — completou Farodin, provocando expressões de admiração nos humanos ao redor. Estava claro para Nuramon que uma estrela alba os tornara vítimas do tempo.

Farodin e Nuramon seguiram caminhando, enquanto Mandred mergulhava na massa de humanos. Farodin contou sobre os trolls, sobre a morte de Yilvina e a libertação dos outros elfos da prisão. Narrou também como tiveram de fugir por uma estrela alba menor.

A notícia sobre Yilvina sensibilizou Nuramon. Durante a busca por Guillaume, ela foi uma boa companheira. Deviam somente a ela o fato de terem conseguido escapar da Terra dos Albos. Se ela não tivesse permitido que a nocauteassem, talvez até hoje ainda não tivessem partido em busca de Noroelle.

— Quanto tempo você esperou? — perguntou Farodin, arrancando-o de seus pensamentos.

— Quarenta e sete anos — respondeu Nuramon.

A risada de Mandred aproximou-se deles por trás.

— Então você viveu mais tempo aqui do que eu! Ora, então agora você é um legítimo firnstaynense?

Nuramon virou-se para ele.

— Talvez. Mas também pode ser que os firnstaynenses tenham se tornado verdadeiros elfos.