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— Eu! — gritou Yulivee.

— É o que você pensa! — Nuramon a repreendeu.

— Mas tanto faz, porque aí embaixo vocês não vão encontrar a opala de fogo — emendou a pequena elfa.

Nuramon sorriu.

— E como é que a nossa feiticeirinha precoce sabe disso?

Farodin tocou o braço de Nuramon.

— A menina tem razão. A coroa não está aqui.

— Como é? — perguntou Nuramon. — E que pista nós seguimos então?

— Mas que idiota eu fui!

Mandred se intrometeu:

— Alguém vai me explicar que merda é essa?

— Não sou capaz de explicar em palavras tão graciosas quanto as que encontrou para perguntar — começou Farodin. — Mas a coroa não está aqui! Aqui é... — Ergueu as mãos em um gesto de desespero. — Imagine que você coloque o seu machado na lama e tire-o de volta. Ficará uma marca nela. É parecido. A coroa ficou muito tempo neste pântano, e deixou uma marca indelével na estrutura mágica do mundo. Essa marca é tão forte que surgiu para mim quando fiz o feitiço de busca. — Farodin fechou rapidamente os olhos. — Há dois caminhos mágicos partindo deste lugar. Nós viemos por um deles, que está quase desvanecendo. Mas o outro ainda está fresco. — Apontou mais adiante: — Teremos de continuar seguindo essa pista para chegar à coroa.

— E por que os dschinns já não encontraram essa coroa há muito tempo, se ela deixa um rastro? — perguntou Yulivee.

Farodin sorriu.

— Talvez olhos de elfo consigam ver algumas coisas que permanecem ocultas até mesmo para os dschinns. Eles deveriam ter procurado ajuda para a sua busca.

Ele avançou um pouco e fez um sinal para que os outros o seguissem.

Nuramon pôs-se em marcha, certo de que ninguém mais além de Farodin teria sido capaz de guiá-los até ali, mesmo que o amigo não fizesse muito alarde sobre suas habilidades. Ele daria muito para ter a aptidão de Farodin. Tentara fazer esse feitiço por muito tempo, mas não tinha conseguido dominar nem mesmo os fundamentos. E surpreendia-o ainda mais a facilidade que Yulivee tinha para isso.

De repente, Farodin parou e apontou para uma rocha grande e coberta de hera que surgiu diante deles em uma clareira.

Foi preciso ainda um certo tempo para que Nuramon percebesse o que o lugar tinha de especial. Estava tão absorto em pensamentos que estivera cego para a magia alterada da floresta. Na clareira, cruzavam-se seis trilhas albas. Começou então o feitiço dos portais, mas sem querer criar um portal. Para ele, tratava-se apenas de observar as trilhas da estrela alba mais de perto. Logo estava totalmente em sintonia com o feitiço e espantou-se com o que viu. Todas as trilhas brilhavam em uma luz clara. Eram trilhas albas recém-criadas.

— O rastro da coroa termina aqui — disse Farodin, hesitante.

— Não! — gritou Nuramon, deixando a estrela desvanecer diante de seus olhos. Não podia ser verdade! Estiveram tão perto de encontrar a opala de fogo e agora a perderam? — Alguém deve ter apanhado a coroa, trazido-a até aqui e então usado a pedra para criar uma nova estrela.

— Tem mais uma coisa — respondeu Farodin, aflito. — A coroa, ou, para ser mais preciso, a opala de fogo deixou para trás um padrão mágico, criando um rastro que nós seguimos até aqui. Mas eu não encontro esse padrão nestas trilhas. Elas são diferentes.

— O que você quer dizer? — perguntou Nuramon.

— Essas trilhas albas não têm nada em comum com a opala da coroa. Eu consigo reconhecer com qual pedra alba uma trilha é traçada. Estas aqui são diferentes do padrão mágico da coroa como o fogo é diferente da água.

— Você tem certeza de que esta estrela não foi criada com a ajuda da coroa? — perguntou Nuramon.

— Sim — respondeu rapidamente Farodin.

— Então alguém veio até aqui com uma pedra alba, apanhou a coroa e desapareceu novamente. Pelo visto alguém coleciona pedras albas. Qual será o tamanho do poder que se encontra nessas mãos? Se essa pessoa tem consigo a opala de fogo, e com ela a biblioteca dos dschinns, então possui o saber do passado, do presente e do futuro. É isso? Será por isso que os sacerdotes de Tjured, do reino de Fargon, conseguem fazer mágica?

Mandred e Yulivee continuaram em silêncio à pergunta de Nuramon. Foi Farodin quem respondeu:

— Isso explicaria o motivo de eles saberem alguma coisa sobre as estrelas dos albos. Acho que não temos outra escolha além de seguir uma das trilhas.

— Posso escolher? — perguntou Yulivee mansamente.

— Qual delas você tomaria? — indagou Farodin.

A menina pensou um pouco e apontou para o leste.

— Fargon fica para lá, não é?

A face do inimigo

Nuramon deu um grito e desapareceu na escuridão. Antes que Farodin pudesse pular de volta, o chão sob ele partiu-se em espirais de luzes rodopiantes. Tinha a sensação de estar caindo. Os cavalos relinchavam em pânico. Yulivee também gritou. De repente, a escuridão recolheu-se de volta como uma cortina, abrindo a visão para um novo cenário.

Farodin agora estava de pé em uma sala alta, com seus companheiros reunidos ao redor dele. Soaram resmungos e gritos. O elfo olhou para cima. Estavam no interior de uma grande torre. Das paredes saíam galerias onde humanos se espremiam.

Um homem gordo de trajes brancos e esvoaçantes aproximou-se cuidadosamente de Farodin. Segurava no ar um pêndulo com uma esfera dourada. O suor aflorava em sua testa.

— Afaste-se de nós, cria do demônio! — gritou com voz trêmula. — Esta é a casa de Tjured e ele os queimará com sua ira!

Farodin segurou seu cavalo pelas rédeas. O grande animal dava coices e tentava morder o sacerdote.

— Calma, meu formoso — sussurrou o elfo. — Calma.

Farodin não fazia ideia do que os desviara da trilha dos albos e os arrastara até ali. Não queria aborrecimentos: só queria sair dali. Olhou rapidamente ao seu redor. O templo era rebocado de branco por dentro. Sobre uma pedra no altar, pendia um estandarte com uma árvore negra e morta num fundo branco. Farodin lembrou-se de já ter visto esse brasão com os cavaleiros da ordem que tomou Iskendria.

— Como é que esse saco de banha miserável conseguiu arrancar a gente da trilha dos albos? — perguntou Mandred em fiordlandês. — Ele é feiticeiro?

Agora o homem falava no idioma de Fargon e parecia que todos no templo conseguiam entendê-lo.

— Saia do meu caminho, seu balofo, ou sua cabeça vai beijar seus pés!

O sacerdote recuou assustado.

— Ajudem-me, irmãos e irmãs! Aniquilem esses rebentos do demônio! — Fez um sinal sobre o peito e começou a cantar: — Nenhum mal me atinge, pois eu sou filho de Tjured. Nenhuma agonia me aflige...

Os outros fiéis também se juntaram ao cântico. Um movimento começou nas galerias. Farodin ouviu passos próximos.

— Vamos embora daqui! — gritou o elfo.

Empurrou o sacerdote de lado e dirigiu-se ao portão que, aparentemente, era a saída do templo. Sobre as duas folhas da porta estava pendurada a imagem de um santo, pintada sobre madeira. Era grosseiramente executada, como a maioria dos trabalhos dos humanos. Os olhos eram grandes demais e o nariz parecia artificial, mas, ainda assim, a imagem tinha algo de familiar.

Uma faca atingiu com um ruído o chão ao lado de Farodin.

— Vamos matá-los! — gritou uma voz esganiçada de homem. — São filhos de demônios, que mataram São Guillaume, que veio para salvar todos nós!

Uma verdadeira chuva de objetos agora era lançada das galerias: gorros, bolsas pesadas de dinheiro, facas, sapatos. Um banco de madeira errou Yulivee por pouco. Farodin levava as mãos sobre a cabeça para se proteger, correndo em direção à entrada. Mandred mantinha-se a seu lado. Na frente da porta do templo, abriram-se duas pequenas portas à direita e à esquerda. Ali devia haver escadas que subiam para as galerias. Um homem imponente veio da porta esquerda. Mandred o derrubou com um único soco.