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— Você está preocupado com Yulivee — disse Farodin em voz baixa.

— Sim, mas também conosco —, Nuramon advertiu-o. —Todas essas novas trilhas dos albos me causam muito medo. Certamente não deve ser por acaso que todas interliguem as grandes cidades de Fargon.

— Você tem razão. Pelo visto, um humano está de posse de uma pedra alba e da coroa dos dschinns. Mesmo assim, por mais assustador que isso tudo seja para nós, é mais fácil tirar uma pedra alba de um humano que de um filho de albos. Eu estou confiante de que conseguiremos descobrir a pista da pedra.

— Mas você não se admira por não estar conseguindo encontrar o rastro da coroa?

Farodin sorriu, seguro de si.

— Se tivesse de adivinhar, diria que a coroa está na capital.

Nuramon sacudiu a cabeça.

— Algaunis é uma fortaleza. Você viu com seus próprios olhos.

— E que outra escolha nós temos? O que acha que devemos fazer?

— Podemos buscar aliados para nós. Você se lembra das histórias sobre os guerreiros elfos que lutaram em Angnos e nas Ilhas Aegílicas contra os devotos de Tjured?

— Sim, no fim das contas são só humanos. E como eles poderiam nos ajudar?

Nuramon deixou o olhar vaguear sobre a terra das colinas.

— Aqui também deve haver inimigos dos devotos de Tjured. Ninguém aceitará essa opressão para sempre. E a vida dos humanos é curta.

— Mas os humanos são fracos.

— Aí você se engana — retrucou Nuramon. — Eu estive em Firnstayn e os vi ansiando pela liberdade. Sempre haverá uma nova revolta para eles.

— Talvez seja assim em lugares como Firnstayn. Mas ficam tão longe de tudo isso aqui… Lembre-se de Iskendria e desse tal Balbar. Os moradores sacrificavam as suas próprias crianças. Tolos!

Nuramon lembrou com horror da primeira passagem deles por Iskendria.

— E lembre-se também de Aniscans! O que fizemos na época para ajudar Guillaume contra os guerreiros? E, por fim, eles até nos proclamaram os assassinos dele.

— Você está totalmente certo. Mas se alguém conseguisse acender uma pequena faísca dentro deles, então... — Ele parou. Ouvia um ruído que parecia um trovão distante.

— Eu também estou ouvindo — murmurou seu companheiro, olhando para as colinas do outro lado da campina.

Cavaleiros da ordem vestidos de branco avançaram sobre o cume de uma colina distante e desapareceram novamente do campo de visão. Deslocavam-se na direção deles.

Farodin não hesitou mais.

— Acorde os outros!

Em um piscar de olhos Nuramon estava ao lado de Mandred, sacudindo-o para que acordasse. O jarl despertou num pulo, e agarrou seu machado.

— Cavaleiros! Nós precisamos ir! — explicou Nuramon.

O firnstaynense levantou-se com um salto e, com toda a pressa, enfiou os restos do jantar nos alforjes da sela.

Nuramon cutucou Yulivee e levou um susto. O que seus dedos tocaram era duro demais para serem as costas da pequena elfa. Ele puxou a coberta. Ali havia somente os livros de Yulivee e sua bolsa.

— Olhe só, Nuramon! — gritou Farodin.

Nuramon ergueu-se rápido e caminhou até seu companheiro, enquanto Mandred se esforçava para erguer os alforjes sobre sua égua. Farodin apontou adiante.

Lá estava Yulivee, que havia percorrido a descida até chegar à campina. Dois vales de colinas ainda a separavam dos cavaleiros que se aproximavam rapidamente. Nuramon viu nitidamente a luz da manhã se refletir nas lanças deles. Voltou-se para Farodin:

— Vocês, fujam daqui agora! Esperem por nós no fim da floresta!

Nuramon pulou sobre a sela e saiu a galope.

Yulivee corria rápido, mas ainda estava a um bom trecho de distância da mata. Os cavaleiros seguiam em algum lugar entre as colinas. Só restava-lhe esperar que fosse ele o mais ligeiro. Nunca se perdoaria se algo ruim acontecesse à elfa.

Yulivee era consideravelmente veloz, mas quando os cavaleiros desceram galopando a vegetação da última colina, Nuramon soube que tinha poucas chances.

— Mais rápido, Felbion! — gritou ele.

Cerca de metade dos cavaleiros da ordem estavam armados com lanças, que agora apontavam de forma ameaçadora. Os outros seguravam espadas nas mãos. Como os cavaleiros que viram no dia anterior, esses vestiam longos trajes de malha de ferro e, sobre eles, sobrevestes brancas. Nos seus escudos destacava-se a árvore negra de Tjured, o carvalho em que Guillaume fora queimado. Esse símbolo não poderia marcar também o fim de Yulivee.

Felbion corria o mais rápido que podia. Estaria junto de Yulivee ainda antes dos cavaleiros. Ela mantinha-se corajosa e corria sem olhar para trás. Foi então que aconteceu! Yulivee caiu…

Nuramon sentiu Felbion correr ainda mais rápido, mesmo sem receber nenhum comando.

As pontas das lanças dos cavaleiros baixaram-se ainda mais.

“Levante”, pensou Nuramon, desesperado. E como se tivesse ouvido suas palavras, a pequena elfa ergueu-se num pulo. Mas cometeu o erro de olhar para trás e correr ao mesmo tempo, tropeçando novamente.

Felizmente, Nuramon já estava ao lado dela e estendeu a mão em sua direção. Yulivee pulou bem alto e agarrou o braço do elfo. Nuramon puxou-a para si na sela, mas ao olhar na direção dos inimigos, soube que não conseguiria mais virar Felbion a tempo. As lanças dos guerreiros apontavam para ele, e os espadachins mantinham suas lâminas em riste.

Precisava ao menos tentar. Queria dar a volta com Felbion, mas o cavalo simplesmente continuou correndo em linha reta, avançando contra os guerreiros. No primeiro instante, Nuramon não soube como aconteceu. Yulivee gritava de medo, agarrando com todas as forças a crina do equino.

O elfo ainda teve tempo de puxar a espada de Gaomee. Felbion relinchou, e os cavalos do inimigo deram uma guinada. Um golpe de lança partiu pela lateral. Nuramon abaixou-se, esquivando-se e, ao mesmo tempo, protegendo o corpo de Yulivee. A ponta da arma passou zunindo perto de sua cabeça, mas o cabo acertou-lhe um golpe duro na têmpora. Em seguida, uma investida de espada veio pela direita. Nuramon ainda conseguiu parar a lâmina. E então, conseguiu passar através do grupo de cavaleiros.

Enfiou sua arma de volta na bainha. Ali descobriu uma lâmina partida de espada, trespassada na sela.

— Yulivee! — gritou, tomado pelo medo.

A pequena não respondeu. Nuramon curvou-se. A menina tinha o rosto enterrado nas mãos; tremia de pavor.

Nuramon sacudiu-a pelos ombros.

Ela levantou os olhos e encarou-o.

— Ainda estamos vivos? — perguntou, com os olhos arregalados.

— Você está bem?

— Eu estou, mas você está com um galo horrível!

Nuramon respirou aliviado e tateou rapidamente a têmpora. Pelo visto, o cabo da lança causara-lhe alguns arranhões.

— Posso curá-lo?

Nuramon não chegou a se perguntar como ela aprendera esse feitiço; já sabia a resposta.

— Você pode fazer isso mais tarde — disse, olhando por cima dos ombros e vendo que os cavaleiros tinham dado meia-volta e agora os perseguiam.

Nuramon conduziu Felbion sobre a cadeia de colinas. O cavalo élfico subiu pela encosta com facilidade. Antes de descerem pelo outro lado, Nuramon olhou para trás e viu que os guerreiros humanos haviam perdido um pouco de terreno. Mal alcançou a depressão entre as colinas, guiou Felbion para oeste e começou a cavalgar nas sombras da serra comprida. Tornou a olhar para trás várias vezes por cima dos ombros, esperando ter despistado os cavaleiros.

Qual nada! Lá estavam eles. Nuramon imediatamente guiou Felbion para subir a colina de novo, e de lá retornar mais uma vez à campina. Ainda conseguiu ver os guerreiros repararem nele e cavalgarem sobre o cume para cortar seu caminho pelo meio. Mas Felbion novamente foi mais rápido. Logo Nuramon deixou o monte para trás, avançando na direção do bosque onde tinham montado seu acampamento noturno.