Mandred engoliu em seco. Isso soava grandioso... Os homens na parte inferior da sala explodiram novamente em gritos de júbilo, mas ele sequer tinha certeza de que Emerelle receberia seus companheiros. E mesmo que ela estivesse disposta a ajudar, quanto tempo poderia levar para reunir as frotas de elfos e trazê-las até a terra dos fiordes?
Retorno à Terra dos Albos
O castelo da rainha brilhava na noite, da mesma forma que todas as casas sobre as colinas. Faltava-lhes ainda atravessar as campinas e então chegariam ao seu destino. Nuramon cavalgava em silêncio ao lado de Farodin, assim como Yulivee, sentada à sua frente na sela.
Haviam caminhado através do portão junto a Atta Aikhjarto e lá encontrado Xern. Quando contaram-lhe de seus planos, Xern lhes relatou, em nome de Atta Aikhjarto, sobre uma estrela alba que ficava mais perto do castelo da rainha. Então pularam do portão para essa outra estrela, contornando, assim, a Shalyn Falah.
Em seu caminho, os companheiros não passaram pelo Carvalho dos Faunos nem pelo Lago de Noroelle. Talvez fosse melhor assim — estavam com tanta pressa que a reverência que deveria ser atribuída a esses lugares não teria sido adequada.
— Brilho de fadas! — disse Yulivee baixinho. Ela parecia se referir a todas as pequenas luzes que irradiavam do castelo, visíveis também ao longe. — Mais rápido, Felbion! Mais rápido!
Para a surpresa de Nuramon, Felbion apertou um pouco o passo. Agora o cavalo já até escutava o que Yulivee dizia! Com certeza não demoraria muito para ter de ceder as rédeas à sua pequena irmã adotiva.
Quanto mais perto chegavam do castelo, mais Nuramon tinha medo de que pudesse ser um erro apresentar-se a Emerelle como mensageiros de Liodred. Sim, eles eram elfos, mas a rainha certamente não se esquecera de que um dia a haviam contrariado.
Subiram cavalgando até o portão. Estava aberto e sem a presença de guardas. O átrio principal estava vazio. Se não fosse pelas luzes, Nuramon teria acreditado que o castelo estava abandonado.
Não fizeram o esforço de levar os cavalos ao estábulo. Pararam ao pé da escada à frente do palácio, apearam e simplesmente deixaram os animais ali.
Nuramon pegou a mão de Yulivee.
— Bem, você conhece os contos. Ninguém pode ser abelhudo nos aposentos da rainha. Lembre-se disso!
— Eu sei, eu sei. Vamos logo!
Lado a lado, os três adentraram os claros salões de Emerelle. Yulivee olhava ao redor, boquiaberta. As estátuas foram o que mais despertou sua curiosidade. Nuramon quase tinha de arrastá-la atrás dele, tão encantada a pequena feiticeira estava com o esplendor ao seu redor. Chegaram à antessala do salão do trono. Ali encontraram guardas pela primeira vez. Havia dois guerreiros elfos armados com lanças esperando por eles, de pé à frente do portão fechado.
— Quem são vocês? — perguntou o mais forte dos dois.
— Somos mensageiros do rei de Firnstayn — respondeu Farodin. — Chegou a hora de retribuir na mesma moeda a ajuda de Alfadas.
Os dois homens trocaram olhares inseguros.
— Quem poderia imaginar? — uma voz atrás deles soou.
Ao se voltarem, viram Alvias entrar por uma porta lateral. O mestre estava mudado. Uma cicatriz atravessava a sua testa. Devia ter sido ferido por uma arma mágica.
— Quem imaginaria que os mensageiros seriam aqueles cujos nomes não são mais pronunciados há séculos nestes salões.
— Mestre Alvias! — disse Farodin, surpreso. — É bom ver um rosto conhecido.
O escudeiro da rainha aproximou-se e os examinou.
— Eu queria poder dizer que estou feliz em vê-los. A chegada de mensageiros significa guerra, e a chegada de vocês pode despertar a ira da rainha.
Nuramon lembrou-se da última vez que esteve ali. Na época, a rainha o enviara em busca de Guillaume e tudo tomara um rumo lamentável.
— A rainha nos receberá? — perguntou.
— Ela com certeza atenderá mensageiros de Firnstayn, mas pode ser que recuse os dois elfos que um dia acenderam a sua ira. — Ele os observou novamente, com ar superior. — Esperem aqui! Vou anunciá-los.
Alvias abriu um pouco o portão. Nuramon não conseguiu olhar para dentro, mas ouviu que ali estavam reunidos muitos filhos de albos. O mestre entrou e fechou o portão atrás de si.
— O que está acontecendo, Nuramon? — perguntou Farodin. — Você parece que viu um fantasma.
— Só estou com um medo monstruoso. A ira da rainha! Eu preferia não precisar conhecê-la.
Farodin deu um sorriso frio.
— Bem, agora já não tem mais volta.
Yulivee sacudiu o braço de Nuramon.
— Vocês fizeram alguma coisa de errado?
— Sim —, respondeu Nuramon, balançando a cabeça.
Só havia contado à pequena em linhas gerais como fora a busca por Noroelle até então, omitindo o mal com que Emerelle, que Yulivee tanto adorava, havia jogado com eles.
— Nós agimos contra o desejo dela. Como você faz conosco quando foge à noite.
— Ela com certeza vai perdoá-los. Ela é muito bondosa — explicou Yulivee.
A rainha os fez esperar muito tempo. Yulivee ficou especialmente inquieta e passou o tempo andando por perto dos guardas e lhes fazendo perguntas, que os homens respondiam de forma fria e distante. Perguntou sobre as armaduras e as armas. Além disso, quis saber como alguém se tornava guarda da rainha. Nuramon só escutava a conversa superficialmente; caminhava inquieto para lá e para cá.
Farodin ficou ali em pé, mantendo os olhos nele.
— Você esqueceu sua paciência em Firnstayn? — finalmente perguntou. — Ou aprendeu isso com Mandred?
Nuramon deteve-se.
— Se você soubesse o quanto eu temo por nós e nossa busca!
Quanto mais a rainha os deixava esperar, maior lhe parecia o risco. Como saber se Emerelle já não estaria determinando a sentença deles?
Um barulho veio da sala do trono. Yulivee retornou depressa até Nuramon e agarrou sua mão. Então o portão se abriu. Depois de deslizar os olhos por Alvias e pelas fileiras de elfos, Yulivee conseguiu olhar para Emerelle. Estava imóvel em seu trono.
— A rainha os receberá — disse mestre Alvias.
Os companheiros o seguiram. Nuramon admirou-se com o fato de o salão estar tão cheio quanto estivera daquela vez na partida da Caçada dos Elfos. Os filhos de albos à esquerda e à direita pareciam surpresos. Nuramon conhecia alguns rostos, mas a maioria era desconhecida. De repente alguém murmurou:
— Farodin e Nuramon!
E assim os dois nomes percorreram um caminho de sussurros pelo salão. Bem lá na frente começou um falatório alto. A rainha apenas ergueu a mão, fazendo com que o silêncio imediatamente retornasse.
— Bem-vindo, Nuramon! — cochichou-lhe alguém pelo seu lado esquerdo.
Era um jovem elfo, um guerreiro de armadura de tecido. Nuramon não o conhecia, mas atrás dele viu Elemon, seu tio, e outros da sua linhagem. Exceto por Elemon, a maioria dos outros rostos estampava alegria e até mesmo orgulho.
— Minhas saudações, primo — disse em voz baixa uma jovem que ele nunca vira, mas que se parecia com sua tia Ulema.
Nuramon saudou todos eles com gestos amigáveis, mas continuou dirigindo-se ao trono.
Alguns do clã de Farodin também tinham vindo. Cumprimentaram o parente com discrição, mas ao mesmo tempo com expressões de muito respeito.
Por fim, haviam chegado tão perto do trono que era possível ler os traços do rosto da rainha. Nuramon encontrou frieza neles.
Ao redor do trono, Nuramon viu muitos rostos conhecidos. Lá estavam Ollowain, Dijelon, Pelveric e também Obilee. Nuramon ficou feliz em avistar a confidente de Noroelle. Ela parecia mais decorosa que antes, mas não foi capaz de esconder sua alegria. Seus cabelos louros estavam presos em grandes tranças que caíam sobre seus ombros. Vestia uma armadura castanho-avermelhada, com runas pintadas. Parecia ser uma armadura de feiticeira lutadora.
Diante da rainha, Nuramon e Farodin baixaram a cabeça. A pequena Yulivee fez uma reverência. Antes que pudessem falar qualquer coisa, Emerelle disse: