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— Então o dia chegou! O dia em que os filhos de Alfadas cobrarão a nossa dívida! O dia do retorno de Farodin e Nuramon! O que aconteceu para ousarem comparecer diante de mim?

Ela olhou para Farodin, e foi ele quem lhe respondeu:

— Foi por amizade a Mandred, pai de Alfadas, que nós viemos. Firnstayn corre grande perigo. Os devotos de Tjured estão subjugando um povo após o outro e agora preparam um ataque a Firnstayn. A frota dos cavaleiros da ordem logo vai partir.

Vozes soaram no salão, mas Farodin não se deixou abalar. Simplesmente continuou falando:

— Em nome de Liodred, da linhagem de Alfadas Mandredson, nós viemos para solicitar a ajuda dos filhos de albos.

— A rainha da Terra dos Albos cumprirá a sua promessa e fará os preparativos — respondeu Emerelle.

Farodin curvou-se.

— Nós agradecemos em nome de Liodred.

— Com isso, a tarefa de vocês está cumprida. O senhor de vocês ficará satisfeito. Agora vamos nos despedir dos mensageiros e ouvir Farodin e Nuramon, cujos nomes não são pronunciados nestas salas há muito tempo, mas lá fora, nos bosques, já tornaram-se uma lenda há muito. Farodin e Nuramon! Os elfos que se opuseram à rainha para buscar sua amada! Vocês não podem calcular o tamanho da minha cólera quando desobedeceram minha ordem. Tiveram muita coragem de surgir diante de mim depois de tudo isso. Vieram mesmo sabendo que este poderia ser o fim da busca de vocês. Você, Farodin, traz consigo até a areia que eu um dia espalhei no mundo dos humanos. E você, Nuramon, ousou permanecer em Firnstayn pelo tempo de uma vida humana, bem diante dos meus olhos.

Nuramon preparou-se para falar, mas, de soslaio, um olhar sério de Farodin o fez calar-se.

— Você queria dizer alguma coisa, Nuramon? — disse a rainha, com voz ironicamente gentil.

— Não queria aborrecê-la — começou hesitante. — Quando fiquei em Firnstayn, sabia que poderia mandar me buscar a qualquer momento, mas não fez isso. E certamente teve os seus motivos.

— Não pense que mudei minha opinião sobre Noroelle. Mas vejo que não posso detê-los. O amor de vocês é forte demais. Vocês podem tentar salvar Noroelle, mas saibam que fazem isso sem a minha aprovação. Muito tempo se passou desde que descumpriram a minha ordem. E vi vocês algumas vezes daqui. Algumas coisas que vi me agradaram, outras não. Você, Nuramon, esteve com os renegados. O fato de um dos seus buscar refúgio junto a renegados só pode desagradar a uma rainha. Mas ninguém o desprezará pelo fato de ter estado com os filhos de albos das trevas.

Os sussurros espalharam-se pelo salão. Certamente os presentes se perguntavam qual era o mistério que cercava os filhos de albos das trevas. E era certo que dariam muita coisa para descobrir o que Nuramon vivera junto deles.

A rainha olhou ao redor pela sala. Não fez nenhum gesto para restabelecer a calma; apenas continuou falando:

— A mesma coisa vale para o seu tempo em Firnstayn. Ninguém é mais próximo de Firnstayn do que você. E por isso lhe atribuirei uma obrigação. Partirá para a batalha no meu navio.

— Eu agradeço, Emerelle — respondeu Nuramon, sem saber se isso era uma punição ou uma honra.

— Agora vamos a você, Farodin! Você induziu Mandred a se passar por meu enviado junto aos trolls. Você avançou contra os trolls em tempos de paz e, por fim, acabou fazendo a coisa certa. Foi doloroso descobrir o que os trolls fizeram com Yilvina e os outros. Nossos corpos sem vida são efêmeros, mas nossas almas seguem vivendo. Você precisa entender uma coisa, Farodin, precisaremos dos trolls na luta contra nossos inimigos. E precisaremos ter certeza de que eles acreditarão em nossas boas intenções. — O rosto da rainha tornou-se o de uma amiga bondosa, sem combinar muito com as palavras que dizia: — O que o duque dos trolls Orgrim diria se você se dirigisse à batalha no navio dele?

Farodin engoliu em seco de forma quase imperceptível.

— Ele certamente consideraria isso uma honra... — foi tudo o que respondeu.

Nuramon não conseguia entender que a rainha realmente quisesse entregar Farodin como refém dos trolls. Era verdade que o ato de Farodin ocorrera havia mais de dois séculos, mas os trolls podiam ser tudo, menos esquecidos. Com certeza o matariam por algum engano suspeito. Será que a rainha queria separar Farodin dele, enviar seu súdito diretamente para a morte e com isso fazer com que a busca por Noroelle continuasse infrutífera? Ele teria de planejar alguma coisa. Então soltou-se de Yulivee e deu um passo à frente. Farodin ainda resvalou em sua mão; pelo visto, queria detê-lo. Mas agora o passo estava dado, o que a rainha observou com surpresa.

— Sim, Nuramon, o que você gostaria de dizer?

— Os trolls vão matar Farodin. Qualquer outro elfo, contudo, certamente sairia com vida. E é por isso que suplico que me mande para eles e mantenha Farodin ao seu lado.

Farodin pôs-se ao lado de Nuramon.

— Por favor, Emerelle, não o ouça. Eu me curvarei ao seu desejo.

Yulivee seguiu os dois companheiros e agarrou a mão de Nuramon.

— Estou impressionada com a obstinação com que defendem um ao outro. Mas nada mudará minha decisão. Farodin, eu o entregarei ao duque Orgrim como refém. Só assim conseguirei unir os trolls a nós. Não veja isso como uma vingança contra você, mas como prova da minha confiança. Eu já a declarei a você muitas vezes, a última foi na Caçada dos Elfos. Lembre-se das palavras com as quais o enviei. Eu não quero apenas que você seja um refém, mas um exemplo para todos os elfos. Deve proteger a vida do duque assim como devia ter protegido a vida de Mandred na Caçada dos Elfos. Você fará isso?

Farodin hesitou por um tempo. Por fim, os cantos de sua boca se abriram num sorriso amarelo, quase imperceptível.

— Eu o farei, minha rainha.

Alguma coisa acontecera entre Farodin e Emerelle. No salão, ninguém pareceu perceber. Pelo visto, acreditavam ter presenciado uma reconciliação, que num primeiro momento parecera uma punição. Mas o que Emerelle intencionara ao dizer que Farodin devia ter protegido Mandred? Falara como se seu súdito tivesse falhado e agora estivesse recebendo a chance de compensar essa falha. Depois de todos aqueles anos em comum, muitas coisas em Farodin ainda permaneciam ocultas para Nuramon.

De repente, a rainha sorriu.

— Só tenho mais uma pergunta. — E olhando para Yulivee: — Quem é a elfa que está agarrada à sua mão, Nuramon?

— Esta é a feiticeira Yulivee, filha de Hildachi, da linhagem de Diliskar. Talvez seja a última dos libertos de Valemas.

Uma onda de sussurros na sala revelou a Nuramon que Valemas e o clã de Diliskar ainda não haviam sido esquecidos.

— Yulivee! Mas que nome! — disse a rainha, fitando a garota como se ela fosse uma alba. — Venha até mim, Yulivee!

A pequena elfa não soltou a mão de Nuramon; em vez disso, encarou-o, desconfiada.

— Vá! Essa é Emerelle, de quem você tanto ouviu falar.

Yulivee soltou-se lentamente de Nuramon e apresentou-se à rainha com passos cuidadosos. Todos na sala estavam em silêncio. Só se ouvia o marulhar da água que escorria pelas paredes. Emerelle examinou Yulivee longamente, como se quisesse memorizar cada detalhe. Então disse:

— Yulivee, eu esperei muito tempo pelo retorno do clã de Diliskar e das outras linhagens de Valemas. Isso torna este dia ainda mais importante, pois você é predestinada a um grande futuro. Como você encontrou Nuramon e Farodin?

Yulivee contou em voz baixa sobre o dia em que viu Nuramon pela primeira vez, com todos os detalhes.

— Então ele me contou que você havia lhe dito que deveria escolher sua própria família. Vi que não estava sozinha.

— Foi sábio da parte de Nuramon dizer isso. Então vocês escolheram um ao outro como parentes?

— Sim, agora ele é meu irmão.

Embora Nuramon conseguisse observar que alguns na sala menosprezavam as palavras da pequena feiticeira com um sorriso de desdém, não se sentiu constrangido. Estava orgulhoso de Yulivee e da forma franca como se apresentava à rainha.