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Dois guerreiros ajudaram Liodred a vestir sua proteção: a armadura élfica maravilhosamente trabalhada de Alfadas ainda não tinha sucessora. Todos os outros guerreiros vestiam trajes de malha de ferro e elmos redondos com proteção para o nariz.

Mandred também aceitou ajuda para vestir uma cota de malha na altura dos joelhos. Quando acabava de colocar seu elmo, o rei se aproximou.

— Eu sempre quis perguntar-lhe se é verdade que cada uma das suas tranças corresponde a um inimigo que você abateu. É isso o que os nossos escaldos contam.

— Sim, é verdade — respondeu rapidamente o jarl.

— Você é um homem perigoso.

— Hoje você vai precisar de homens assim.

Cornetas soaram nos rochedos. O primeiro navio dos cavaleiros da ordem estava em rota para o fiorde. Era um imponente navio de três mastros, de popa alta. Instantes depois, quatro outros navios também já viravam para dentro do fiorde.

Angustiado, Mandred observou o castelo de proa. Os agressores ficariam vários metros acima deles. Os cestos da gávea dos navios pareciam enormes. Cada um deles comportava cinco besteiros. De lá de cima eles poderiam escolher seus alvos num raio amplo.

Do rochedo a oeste, uma salva de flechas foi disparada. Por mais de cinquenta passos ela errou os navios inimigos, que mantinham-se no centro do corredor marítimo.

Liodred estendeu a Mandred um grande escudo redondo e vermelho.

— Você vai precisar dele, parente!

O jarl escorregou o braço esquerdo para dentro dos largos laços de couro e prendeu-os até que o escudo ficasse firme em seu antebraço.

— Vamos dar as boas-vindas aos sacerdotes brancos! — gritou Liodred, erguendo seu escudo na frente do peito. Então bateu com o lado chato do machado no costado do navio. Em toda a linha de batalha, os guerreiros seguiram o seu exemplo. Um barulho ensurdecedor ecoou nas paredes do fiorde.

O balanço e os gritos dos guerreiros fizeram o sangue de Mandred ferver. Que viessem os malditos sacerdotes de Tjured. Os homens da terra dos fiordes iriam enviá-los ao encontro de seu mestre.

Cada vez mais navios surgiam na entrada do fiorde. Espalharam-se, formando uma larga fileira. Os adversários ainda estavam havia cerca de quatrocentos passos de distância. Mandred pôde ver os elmos dos cavaleiros da ordem brilharem por trás do bastião do castelo de proa.

— Olhe por nós aqui, Norgrimm! — gritou Liodred a plenos pulmões. — Permita que nossa muralha de madeira seja forte e que a coragem de nossos oponentes se despedace nela!

No navio-chefe soaram cornetas de alerta. Um movimento começou na frente do navio.

— Erguer escudos! — gritou Mandred. Uma chuva de flechas baixou sobre os navios drácares.

Os grandes escudos redondos formaram depressa uma cobertura protetora. Flechas cravaram-se na madeira. Alguns homens caíram no chão aos gritos, mas a linha de combate nos navios drácares não vacilou.

Então houve saraivada atrás de saraivada. Abaixados sob os escudos, era impossível ver os navios inimigos se aproximarem. Para Mandred, aquilo pareceu durar uma eternidade. Suor quente escorria-lhe pela nuca.

Uma ponta de flecha perfurou seu escudo, errando seu braço por pouco. Em alguns lugares, a areia polvilhada sobre o convés dos barcos tingiu-se do vermelho de sangue. A todo momento, as flechas encontravam brechas na parede de escudos.

De repente, a barreira de navios estremeceu. Alguns homens foram arrancados das pernas e fendas se abriram no muro de escudos. Os navios inimigos haviam atingido a barreira. Agora as embarcações dos guerreiros do norte e dos cavaleiros da ordem estavam frente a frente, casco contra casco, como cervos furiosos enganchando suas galhadas em um duelo.

— De pé! — berrou Liodred. — Arqueiros, dez passos para trás! Besteiros nos cestos da gávea!

Os besteiros, cujo equipamento era leve, tinham buscado proteção contra a chuva de flechas sob o telhado de escudos. Agora retornavam para também importunarem o inimigo.

Uma lança acertou o convés bem ao lado de Mandred e ficou presa nele, tremendo na tábua borrada de sangue. Agora que a fileira de escudos estava dissolvida, o jarl podia ver o inimigo novamente. Pranchas largas, onde ficavam os espigões dianteiros de ferro, avançaram rápido. Como presas de um animal, os espigões fincaram-se no convés.

Por toda parte da barreira de navios baixaram pontes de embarque. Acima de Mandred surgiram guerreiros de sobrevestes brancas, curvados atrás de escudos compridos em formato de gota. Cada um deles estampava o brasão do carvalho queimado.

— Por Tjured! — ressoou mil vezes.

Então os cavaleiros da ordem avançaram, descendo pelas pontes.

Escudo por escudo, eles combateram em uma fúria selvagem contra a linha de batalha dos defensores. O machado de Mandred baixou como um raio fulminante e atravessou o escudo e o elmo do primeiro agressor. O jarl desvencilhou a arma do corpo do oponente com um solavanco e, com um golpe de revés, acertou o cavaleiro seguinte sobre a borda do escudo. O aço dos elfos penetrou com um ruído forte na proteção nasal do adversário. Ao seu lado, Liodred lutava como um urso selvagem. Logo o chão estava coberto de guerreiros mortos e agonizantes.

Um golpe de espada fendeu o escudo de Mandred, que com um salto arrancou a lâmina do agressor que ficara presa nele. O machado acertou o cavaleiro pelo lado desprotegido, acertando-o sob o arco costal.

Com outro salto, Mandred subiu em uma das pontes de embarque. Jogou de lado o escudo destroçado e então agarrou o machado com ambas as mãos. Lutava como um louco, avançando passo a passo contra a dianteira do inimigo. Três mândridos o seguiam bem de perto, tentando resguardá-lo de flechas inimigas com seus escudos.

Ao chegarem ao fim da ponte de embarque, os cavaleiros da ordem aglomeraram-se tão perto deles que mal conseguiam erguer seus escudos para se proteger. Numa fúria cega, Mandred avançou sobre eles. Espadas e lanças despedaçaram-se sob o aço dos elfos. Então saltou no meio dos inimigos. Abalroou um cavaleiro enorme com o espigão da ponta do cabo do machado, que entrou pelo seu maxilar e afundou até o cérebro sob a borda do elmo. Ao cair, o gigantesco guerreiro levou consigo dois outros combatentes. O pânico irrompeu no castelo de proa. Aos gritos, os cavaleiros tentavam se pôr em segurança. Alguns até pularam na água por cima do bastião, mesmo que, por estarem vestindo cotas de malha, aquilo fosse morte certa.

Instantes depois, o castelo de proa estava tomado de guerreiros do norte. Ofegante, Mandred ergueu os olhos para o convés principal. Os cavaleiros sobreviventes haviam recuado. Encaravam-no com os olhos arregalados de medo. Outros navios inimigos avançaram por trás para dentro do amontoado de navios presos. Traziam novas tropas.

— Nós precisamos voltar! — soou uma voz rouca ao seu lado. Liodred também tinha aberto caminho até o navio. O rei apontava para o leste. — Eles conseguiram vir por cima dos recifes. A maré não quer lutar! Perderam somente um único navio neles.

Do castelo de proa, Mandred tinha uma boa visão dos combates. A linha de batalha dos guerreiros do norte estava se mantendo. Mas entre eles, a morte fizera muitas vítimas.

Um único navio inimigo havia conseguido passar pelos recifes por um dos lados da barreira de embarcações. Outro navio dos sacerdotes fora incendiado por um barco de fogo. Uma coluna negra de fumaça subia para o céu claro de verão. Ao ataque, outros três dos pequenos barcos de fogo avançavam corajosamente para a morte, mas os cavaleiros tentavam mantê-los a distância com longas varas, enquanto os besteiros atiravam dos cestos da gávea sobre suas tripulações.

Dois navios inimigos haviam sido detidos pelos navios drácares que ficaram para trás como reserva. Mas sete embarcações logo fariam a curva para atacar a barreira pela parte traseira.

— De volta para os drácares! — gritou Liodred com toda a força. — Vamos formar uma linha dupla!