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— Lá estão Mandred e o rei Liodred! — gritou Nuramon para os arqueiros próximos. — Eles estão cercados e querem avançar para abrir caminho até nós!

Obilee aproximou-se de Nuramon e olhou para baixo, para o Estrela dos Albos. Então gritou:

— Todos à esquerda de Nuramon atirem sua primeira flecha sobre os guerreiros que estão à frente de Liodred; todos à direita atirem sobre os perseguidores! A partir da segunda flecha vocês continuam atirando somente nos perseguidores. Nenhum deve conseguir passar! — Com essas palavras, ela afastou-se da balaustrada, deixando os atiradores com seu trabalho.

Eles esperaram Mandred dar a ordem de avanço.

— Agora!

O jarl ergueu o machado, e no meio de uma enorme gritaria de luta, os guerreiros ao seu redor pularam para o quarto navio.

Nuramon e seus companheiros de batalha soltaram suas flechas. Numa chuva densa como granizo, elas voaram sobre o inimigo. Aqueles que permaneceram ilesos não sabiam o que estava acontecendo e encolheram a cabeça.

Mandred e alguns dos firnstaynenses pareceram ficar surpresos, mas logo se apressaram a avançar. A segunda salva de tiros acertou os perseguidores e os fez parar. Logo os escudeiros seguiram adiante. Mas esse tempo precioso devia bastar para tornar segura a travessia de Mandred. Os cavaleiros da ordem que seguiam os fiordlandeses agora estavam quase cercados. Ao perceberem que estavam em posição perdida, retornaram para seu navio de dois mastros. Mandred e os elfos de Pelveric se encontraram. Nuramon conseguiu ver Pelveric apontando para ele.

Mandred levantou o machado nas alturas e gritou:

— Nuramon!

Então correu em sua direção seguido pelos mândridos, atravessando as fileiras de guerreiros elfos.

Nuramon respirou aliviado e olhou para baixo, para o campo de batalha. Parecia que o plano da rainha estava dando certo. Por todos os lados, ao longo da barreira de navios, guerreiros elfos substituíam na luta os fiordlandeses esgotados, e a linha de batalha transversal sobre os navios possibilitava deter o inimigo novamente. Mas eles ainda estavam em desvantagem, já que os cavaleiros da ordem tinham ainda muitos navios e guerreiros. Todavia, as coisas ainda mudariam de figura.

Principalmente quando os trolls chegassem.

Magia poderosa

— Recolher vela de proa!

Os dedos de Farodin agarraram-se na balaustrada. Era inacreditável! Já era uma tortura o quanto os navios dos trolls eram lentos, e agora ainda iam recolher a vela! O elfo estava de pé sobre o castelo de proa, alto como uma torre, do Triturador, o navio-chefe do duque Orgrim. A armada era composta de vinte navios que Boldor, rei dos Trolls, convocara. Cada um desses pesados veleiros lembrava um castelo ambulante; os maiores deles tinham mais de trezentos guerreiros trolls a bordo. Essa força-tarefa seria decisiva, se é que conseguiria se mover para dentro da batalha.

O duque Orgrim estava em pé ao lado do timoneiro e aconselhava-se com Skanga, sua xamã. Aquilo era de perder as estribeiras, pensou Farodin. Já iam muito tarde. No horizonte, ele conseguia ver uma linha branca e fina diante das montanhas cinzentas da costa, formada pelas velas da frota inimiga. Algumas colunas de fumaça evidenciavam que a batalha já havia começado. O ataque dos trolls decidiria a luta. E o que esses traiçoeiros comedores de elfos faziam? Recolhiam a vela!

— Você está com uma cara tão tensa, mensageiro. — Orgrim e a xamã tinham vindo até ele. O duque dos trolls estava armado para a luta. Vestia uma armadura de peito de couro escuro. Uma pele de urso dava a volta em seus ombros. Estava apoiado sobre um martelo de guerra com cabeça de granito cinza.

— Deve ser por causa da minha ingenuidade, mas não cabe a mim deduzir a estratégia que vocês usarão para dar suporte nessa batalha — respondeu Farodin, esforçando-se para não dizer com tanta clareza o que achava de seus aliados.

A xamã encarou-o de forma sinistra. Farodin sentia o poder da sua feitiçaria.

— Ele acha que vamos esperar com calma enquanto os cavaleiros da ordem massacram os fiordlandeses e os elfos. Ele tem dúvidas de que realmente queremos nos apressar para ajudar nossos antigos inimigos — disse a velha.

— Farodin é sábio de guardar esses pensamentos para si próprio. Ele ofenderia o meu povo se dissesse isso abertamente, eu teria de enfiá-lo num saco com pedras e mandar jogá-lo ao mar.

O duque dos trolls lançou-lhe um olhar penetrante. Farodin desejou também poder conhecer os pensamentos do seu velho inimigo. Ele havia revisto Orgrim na corte de Boldor, rei dos Trolls. Como enviado de Emerelle, fora recebido com todas as honras e, para a enorme surpresa de Farodin, Boldor concordara com o pedido de ajuda, depois de se aconselhar com seu duque por uma noite inteira.

Por fim, Orgrim expressou seu desejo de que o enviado fosse alojado a bordo de seu navio. Desde o primeiro momento em que circulara por entre os trolls do Pico da Noite, Farodin sentira a sua inimizade. Estivera até convencido de que não sobreviveria à primeira noite a bordo do Triturador. O duque, porém, esforçava-se no trato com ele, tentando a todo momento engatar conversa.

— Quando nós vamos atacar? — perguntou Farodin, impaciente.

O navio estava pronto para o combate. No convés principal e no castelo de proa, aglomeravam-se trolls com escudos imensos. Pedras que pelo visto serviriam para serem arremessadas estavam prontas ao longo da balaustrada. As menores delas eram do tamanho de uma cabeça de criança. Farodin perguntava-se como alguém conseguia erguer pedras como aquelas, mesmo sendo troll.

— Você não está sentindo? — perguntou Skanga.

A cada movimento que fazia ouvia-se o ruído das penas, ossos e pedras costurados em seu vestido grosseiro de couro, que também pendiam de seu pescoço em inúmeros cordões.

— O que eu não estou sentindo?

— O poder da magia, elfinho. O poder da magia. — A xamã riu disfarçadamente. — O nível da maré mudou. A maré baixa não acontecerá. Você consegue mensurar o tamanho do poder que é preciso ter para alterar o ciclo das marés? Essa é uma magia realmente poderosa.

— Recolher vela principal! — ordenou Orgrim. — Lançar âncora.

Farodin sentiu seu estômago encolher. Aquilo tudo não podia ser verdade!

— Você teria a bondade de me dizer o que isso significa, Orgrim?

O duque apontou para o navio do rei. No mastro principal, havia sido hasteada uma grande bandeira vermelha.

— Boldor convocou todos os duques e xamãs para o conselho de guerra. Ele vai querer que você também venha. — Orgrim virou-se rapidamente e acenou para alguns guerreiros. — Aprontem o bote!

— Você não está falando sério — gritou Farodin, indignado.

— Elfo, eu sei o que você e os seus iguais pensam do meu povo! Mas, de maneira nenhuma, somos os imbecis impulsivos que vocês acham que somos. Nós planejamos as nossas batalhas. E dessa vez também será assim. Não havíamos contado com um mágico entre os humanos, e ainda por cima tão poderoso. Nós vamos adaptar nossos planos à nova situação.

— Ele está com medo de que desertemos dos sacerdotes brancos — disse a xamã.

Farodin ficaria feliz de torcer o pescoço daquela velha bruaca.

Orgrim soltou um som de resmungo. Então pôs-se de joelhos, de forma a ficar com os olhos na mesma altura dos de Farodin.

— Eu sei que você preferiria ver a mim e a todos os trolls mortos. E que sua confiança em nós chega tão longe quanto você consegue cuspir. Apesar disso, eu espero que no deserto dos seus pensamentos de vingança ainda brilhe uma última fagulha de juízo. Os sacerdotes de Tjured querem eliminar todos os filhos de albos. Tanto faz se centauros, elfos, fadas das flores... ou trolls. Estamos lutando com vocês porque sabemos que do lado dos fiordlandeses e elfos nós somos os mais fortes. E porque sabemos que é só questão de tempo até que os sacerdotes brancos também ataquem o Pico da Noite e todos os nossos outros castelos. Você é um sobrevivente das Guerras dos Trolls, Farodin. Você sabe que nós não esperamos a guerra chegar até nós. Nós a levamos para o território dos nossos inimigos. É por isso que estamos aqui!