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Ouvia-se o tilintar de aço contra aço. Cada defesa esgotava um pouco mais as forças de Farodin. Com um giro lateral, ele desvencilhou-se da luta. Mas o devanthar o perseguiu imediatamente. O demônio parecia suspeitar que ainda pudesse haver uma segunda pedra e não permitia que a luta cessasse nem por um instante. Empurrava o elfo impiedosamente para a frente. Não restava tempo para que Farodin agarrasse o cinto e soltasse o cordão da bolsa de couro. Precisava recuperar a iniciativa na luta, caso contrário a derrota seria inevitável!

Um golpe pesado varreu o punhal de Farodin para o lado. Imediatamente veio uma investida pela fenda que agora havia em sua guarda. Ele se jogou para o lado, e ainda assim o aço do devanthar cortou sua cota de malha e o gibão. O sangue escuro atravessou os anéis da armadura do elfo. Sem equilíbrio, caiu ao desviar de um segundo golpe do demônio.

O devanthar errara por tão pouco que Farodin sentiu na bochecha ferida o vento provocado pela lâmina. O elfo lançou-se para a frente e, com um golpe de cima para baixo, cravou seu punhal na articulação posterior do joelho do inimigo.

O devanthar curvou-se de lado. Tentou um golpe mal mirado na cabeça de Farodin ainda durante a queda. O elfo se encolheu e rolou lateralmente no chão, enquanto o devanthar tentava arrancar o punhal do joelho.

Farodin tateou o cinto apressadamente em busca da bolsa de couro. Seus dedos sentiram o nó, mas não conseguiam abrir a bolsa molhada de sangue.

Enquanto isso, o devanthar conseguira arrancar o punhal. Com um grunhido furioso, atirou-o longe.

— Você vai morrer lentamente — bradou.

Farodin conseguiu ver a fenda estreita no joelho do devanthar se fechar. O enganador cuidadosamente transferiu o peso para a perna ferida, e então sorriu satisfeito.

Farodin desistiu de tentar desatar o nó da bolsa de couro. Em um ato de desespero, cortou-a com a espada. Fazendo barulho, o anel de Aileen caiu no chão. Os dedos de Farodin fecharam-se ao redor da esmeralda fria. A luz das tochas refletiu-se com um brilho nas faces da pedra. Em seu interior, brilhava uma luz tênue.

O devanhar atirou uma de suas espadas no elfo, errando pela distância de um braço. Agora também escorria sangue escuro do olho que ainda lhe restava. A luz da esmeralda foi se tornando cada vez mais clara.

— Você sente a força de Noroelle? — perguntou Farodin. — Isso é o seu troco pela noite de amor que roubou.

O devanthar revirava-se de dor. Tinha levado as mãos à frente do rosto.

— Ela amava o fruto daquela noite, elfo — gritou ele com voz sofrida. — E eu também gostava de Guillaume como gosto de todos os meus filhos. Vários deles são maravilhosamente hábeis em transformações pelas trilhas da magia. Assim como Padre Marcus, que por pouco não matou Emerelle.

Farodin se levantou. Sobre o largo espaldar do trono havia uma pedra dourada cintilante. Era ela? A chave para Noroelle? A pedra alba com a qual o devanthar traçara todas as novas trilhas?

O sacerdote impostor tirou as mãos do rosto. Agora havia apenas buracos esgarçados no lugar de olhos. Ele se abaixou e tateou em busca da espada que caíra à sua frente no chão. Quando a encontrou, ergueu-a apressadamente e apontou sua lâmina para o lugar onde Farodin estivera sentado há pouco.

— Você acha que venceu, seu elfinho de nada?

Vacilante, o devanthar ergueu-se sobre as pernas.

Sem fazer qualquer ruído, Farodin aproximou-se do trono e apanhou a pedra dos albos. Era um crisoberilo transparente e dourado, atravessado por cinco veios castanho-claros. Agora tudo ficaria bem! Com o poder da pedra, eles poderiam libertar Noroelle.

O devanthar andou com mãos tateantes em direção ao trono. Farodin recuou cuidadosamente.

— Você também cortejava essa elfa que eu seduzi, não é? Como foi isso para você, ela se entregar tão prontamente a mim na forma desse Nuramon?

A mão do devanthar tateou o encosto do trono. Ele parou e, mais uma vez, deixou-a deslizar aberta sobre o espaldar.

— Você se move muito silenciosamente, Farodin... Já mencionei como essa elfa gritou de prazer quando estava deitada embaixo de mim? Acho que estava só esperando para finalmente ser possuída como se deve.

O devanthar tinha recuado um pouco do trono. Segurava a espada levemente inclinada, pronto para se proteger, mesmo que não pudesse mais ver nenhum ataque se aproximar.

“Lastimável”, pensou Farodin, dando a volta no devanthar em silêncio. Então agarrou-o pelos cabelos e puxou sua cabeça para trás. Com sangue-frio, acertou a mão do demônio que segurava a espada, cortando nervos e ossos. A arma tiintou no chão. Seus dedos se contraíram rapidamente; logo a mão ficou imóvel.

Farodin encostou a espada na garganta do devanthar.

— Você ainda se lembra do que aconteceu quando eu morri na caverna de gelo, elfo? — a voz do devanthar soou dentro da cabeça de Farodin. — Talvez eu tenha prazer em visitar sua amada novamente quando você me tirar deste corpo.

A mão restante do enganador tocou a perna de Farodin. O elfo se encolheu. Algo gelado parecia agarrá-lo por dentro.

— Que ilha bonita — continuou a voz. — Você realmente quer me mandar para lá? Devo aparecer com a sua forma desta vez?

A luz azul-clara dançava ao redor da espada de Farodin.

— Você está enganado, impostor. Ninguém consegue chegar até ela. Nem você.

O aço enterrou-se fundo na carne. Com um tranco, o elfo cortou as vértebras do pescoço do demônio, e então ergueu sua cabeça nas alturas pelos cabelos longos e louros. Tomado por uma fúria gelada, olhou dentro dos olhos queimados. Então colocou a cabeça na bacia com carvão em brasa.

De repente a espada começou a emanar uma luz clara. Será que estava vendo um vulto junto ao corpo do sacerdote falso?

Farodin deu um pulo para a frente. Agora não via mais nada ali. Teria sido somente uma ilusão dos sentidos? Uma miragem causada pela luz vacilante das velas? Farodin deu meia-volta agitando a espada. Saltou para a frente e para trás golpeando o ar, como se estivesse ficando louco. A cada batida de seu coração, sentia o medo crescer. Teriam sido as últimas palavras do devanthar mais do que uma ameaça desesperada?

De repente o brilho da espada desvaneceu. Veios finos e negros subiram pelo aço. Um frio congelante atravessou a cobertura de couro do punho da arma e tocou os dedos de Farodin. Aterrorizado, o elfo deixou a arma cair. O aço havia se tornado negro como a noite. E, ao bater contra o chão de pedra, despedaçou-se em incontáveis pedaços.

A vingança

Todos os ossos do corpo de Nuramon doíam. Era estranho, mas não sentia qualquer contentamento ao observar o cadáver do devanthar.

Ali tudo estava terminado. O inimigo estava morto, os ferimentos, um pouco curados. Agora só restava-lhes desaparecer daquele lugar terrível.

Cansado, retornou com seus companheiros para a sala da estrela alba. Mandred e Farodin carregavam o corpo de Liodred. A tristeza era visível no rosto do jarl. Cuidadosamente, os dois colocaram o cadáver do rei ao lado da estrela dourada.

— Nós não devíamos tê-lo trazido — disse Mandred, passando a mão ternamente sobre o rosto de Liodred e fechando seus olhos.

Farodin estampava preocupação em seus traços. Nuramon compartilhava do sentimento. O companheiro lhe contara sobre as últimas palavras do devanthar. Será que Noroelle estava em perigo? Ou será que aquela ameaça havia sido uma última e desesperada tentativa de intimidá-los? Não, eles tinham vencido! Não podia haver dúvidas. O fato de Farodin estar com a pedra dos albos nas mãos era a prova do seu triunfo. Mas só poderiam desfrutá-lo quando estivessem novamente no mundo dos humanos. Em último caso, seria necessário abrir caminho lutando; teria ainda de explicar a Mandred que não poderia levar o corpo do rei consigo.

Nuramon posicionou-se sobre a superfície dourada. Abriria o portal que os levasse imediatamente do mosteiro de Tjured para Firnstayn. Concentrou-se no feitiço. Ao seu redor, surgiram as trilhas albas, mas havia algo errado com elas: pareciam cercadas de chamas bruxuleantes. Ele tentou fazer o feitiço, mas logo no começo uma dor percorreu seu espírito, como se mãos em brasa agarrassem sua cabeça e quisessem derretê-la para penetrar nela com seus dedos.