Выбрать главу

Obilee arrancou Noroelle de seus pensamentos.

— Eu também queria estar na Caçada dos Elfos — disse ela.

— Neste momento é como se você estivesse.

— Você sabe o que quero dizer — retrucou Obilee.

— É claro. Mas não ouviu o que a rainha disse? E eu também já não tinha avisado que você se parece com Danee? Um dia você também alcançará uma honra como essa, como uma grande feiticeira que também será mestre na arte da espada.

O grupo caminhou decididamente pelos salões até chegar ao ar livre. O pátio do castelo estava repleto de filhos de albos. Até os duendes e os gnomos tinham vindo para ver a Caçada dos Elfos partir. Uma caçada liderada por um humano era algo especial. Histórias sobre este dia seriam contadas por muitos e muitos anos.

Os cavalos dos caçadores estavam prontos e o equipamento já estava preparado. Apenas o centauro Aigilaos ainda amarrava algumas bolsas nas costas e reclamava baixinho da tensão que sentia na nuca. Parecia que para ele a última noite não tinha sido muito relaxante.

Enquanto mestre Alvias buscava mais dois cavalos, Noroelle observava Farodin e Nuramon. De repente eles pareciam tão inseguros... Logo os dois estariam separados dela. Que palavras ela podia dizer em tal situação? O que seria capaz de consolar os amados?

— A Caçada dos Elfos está pronta? — perguntou Mandred, como exigia o ritual. Os companheiros confirmaram com a cabeça, e o filho de humanos gritou: — Então vamos!

A Caçada dos Elfos pôs-se a caminho. Na frente cavalgava o filho de humanos e, atrás dele, Noroelle. À sua esquerda estava Nuramon, e à direita, Farodin. Atrás dela cavalgava Obilee, cercada por Brandan, Vanna e Aigilaos. Lijema fechava o pelotão. Altos gritos de despedida acompanharam-nos até o portão — os duendes eram insuperáveis nisso.

O grupo acabara de passar pelo portão e Noroelle não acreditava no que via. Na campina havia tantos filhos de albos como ela nunca vira antes. Todos queriam ver a partida da Caçada dos Elfos. No campo brilhavam sob o sol as asas das fadas das campinas; como todos sabiam, elas eram curiosas. Próximos ao caminho pelo qual o grupo seguiu estavam elfos do coração da Terra dos Albos, mas também dos lugares mais distantes do reino. Muitos não conseguiram chegar à corte no dia anterior, mas não queriam perder a partida da Caçada dos Elfos. Os companheiros esbarravam em cumprimentos por todos os lados. Mesmo nas colinas próximas ao bosque os elfos saíam das casas e acenavam para os enviados.

De repente, Noroelle viu uma pequena fada voar ao lado da cabeça de Mandred. O humano tentou acertá-la como faria com um inseto chato, mas errou o alvo. A fada gritou e veio voando até Noroelle. Mandred olhou em volta. Ele ouvira o grito, mas aparentemente não tinha visto a fada.

Aos poucos, ele foi aumentando a velocidade. Parecia estar gostando de cavalgar num cavalo de elfos. Queiram os deuses que ele não caia. Diziam que não tinha mostrado muito jeito ao cavalgar nas costas de Aigilaos.

Quando deixaram os filhos dos albos e suas saudações para trás, tendo diante de si somente as vastas campinas, Lijema ultrapassou-os à direita e logo posicionou-se ao lado de Mandred. Ele a olhou com surpresa. Mas Lijema tirou sua flauta de madeira do cinto e assoprou nela. Embora suas bochechas houvessem inflado visivelmente, não se ouviu nenhum som.

Logo a seguir Obilee gritou:

— Olhe lá! — Ela apontou para a direita. Algo branco se desprendera da sombra do bosque e se aproximava rapidamente.

— Lá estão eles! — disse Aigilaos.

— São sete! — contou Nuramon.

— Sete? — perguntou Farodin. — Inacreditável!

Mandred virou-se na sela.

— Sete o quê?

Noroelle sabia a resposta, como qualquer filho de albos. Eram os lobos brancos da Caçada dos Elfos. Ninguém sabia dizer quantos seguiriam a Caçada até que de fato se juntassem a ela. Quanto maior o número, mais importante era a ocasião e maior o perigo. Pelo menos era o que se contava por aí.

— Estes são nossos lobos! — gritou Lijema para Mandred.

— Lobos? Mas que raio de lobos imensos são esses!

Noroelle não conteve um sorriso. Os lobos de pelo branco e espesso eram do tamanho de pôneis.

— Eles são perigosos? — ouviu Mandred perguntar. Mas Lijema não entendeu, por causa do barulho do bater de cascos. — Eles são perigosos? — repetiu, mais alto.

Lijema sorriu.

— Mas é claro.

Quando os lobos os alcançaram, quatro deles colocaram-se diante da Caçada. Mais dois posicionaram-se à esquerda e à direita do grupo. O sétimo lobo corria bem ao lado de Lijema.

Logo que chegaram ao início da floresta, pararam para lançar um último olhar de volta ao castelo da rainha. Mesmo Mandred parecia estar emocionado. Farodin e Nuramon também não podiam desviar o olhar. Principalmente o rosto de Nuramon denunciava a preocupação que sentia por trás, enquanto Farodin tentava manter seus sentimentos ocultos. Mas Noroelle conseguia enxergar por trás da sua máscara de sangue-frio.

Os lobos estavam impacientes e cercaram o cavalo de Mandred. O filho de humanos parecia não saber muito bem como lidar com eles. Nunca os perdia de vista. Ele certamente já deve ter tido experiências negativas, pensou Noroelle. Talvez no seu mundo os lobos sejam um grande perigo, como os lobos de Galvelun eram para os filhos dos albos. Quando Mandred percebeu o olhar de Noroelle, abaixou-se na sela. Como se quisesse provar sua coragem, acariciou a pele do pescoço do lobo maior. O animal gostou!

— Devemos ir adiante? — perguntou o filho de humanos. O lobo rosnou e encarou Mandred.

Lijema riu.

— Ele não fala fiordlandês, mas gosta de você.

Lijema explicou aos lobos em élfico o porquê de não conseguirem entender Mandred, e então traduziu o que ele perguntara. O lobo abaixou bem a cabeça e de repente ficou inquieto. Os outros também se deixaram contagiar e andavam em círculos, para a frente e de volta para Mandred. Os lobos queriam continuar.

— Então eles entendem o que você diz?

— Cada palavra. São mais espertos que alguns elfos, pode acreditar.

— E eles? Como falam? — Mandred quis saber.

Lijema acariciou a pele do maior dos lobos brancos.

— Eles têm sua própria língua, e eu a domino.

Noroelle sorriu. Era fácil entender esse humano. Pela forma como ele observou o grande lobo, levantou uma sobrancelha e ao mesmo tempo mordeu o lábio, ele só podia estar pensando uma coisa: um lobo como esse seria um companheiro de caça perfeito.

— Eles com certeza são os melhores parceiros de caça — disse Mandred.

Noroelle precisou se controlar para não rir alto.

— Isso mesmo — respondeu Lijema ao filho de humanos.

— Eles são tão fiéis quanto cachorros?

Lijema riu animadamente.

— Não, você não pode compará-los a cães. Eles são muito mais espertos. Diga mais uma vez o que você acabou de dizer.

— Em fiordlandês?

— Sim.

— Devemos ir adiante?

E mais uma vez os animais ficaram inquietos e esperaram até que finalmente continuassem.

— Então vamos lá! — gritou Mandred, e o grupo continuou seu caminho.

O silêncio entre Noroelle e seus amados continuava. Os sete lobos aumentaram a preocupação de Noroelle com eles. Os animais intuíam o tamanho do perigo que esperava os caçadores. Eles mesmos decidiam qual seria o tamanho da matilha que se juntaria à Caçada dos Elfos. Quando Gaomee cavalgou para enfrentar o dragão Duanoc, oito lobos a acompanharam. Que criatura podia ser essa que esperava do outro lado do círculo de pedra? Noroelle de fato confiava na capacidade de seus amados, mas mesmo grandes heróis já morreram na batalha. E se acontecesse o pior? E se Nuramon estivesse enganado e as almas dos elfos que morrem no reino dos homens não renascessem na Terra dos Albos?