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— Farei isso com prazer. E talvez você possa me ajudar. — Nuramon contou de bom grado ao guardião do saber tudo que tinha lido de Yulivee. Terminou seu relato com as palavras: — Mas o que me deixou contente foi ter encontrado o que procurava.

— E o que foi? — perguntou Reilif pacientemente.

— Eu descobri que Yulivee esteve com o oráculo Dareen. E agora queria encontrar esse oráculo. Pois tenho muitas perguntas... Perguntas para as quais não consigo respostas.

— Então você reconhece que estas salas abrigam o conhecimento morto que só pode ser trazido de volta à vida se alguém acolhê-lo dentro de si. Aqui você descobriu sobre Dareen. Agora precisa procurar o seu caminho até ela.

— Yulivee não disse onde o oráculo fica.

— Mas eu posso dizer a você. Eu sou um guardião do saber. Já li muitos livros desta sala. Também os de Yulivee.

Nuramon se perguntava por que Reilif o ouvira tão pacientemente se já conhecia a história de Yulivee.

— Naquela época, ficamos todos curiosos e queríamos saber onde o oráculo se escondia. Mas Yulivee não quis nos dizer. Ela fez algumas alusões que nos levaram à suspeita de que devia estar em Angnos. Mas não podíamos dizer com certeza. Aqueles que enviamos para encontrá-lo voltaram sem conseguir nada.

— Angnos! — disse Nuramon em voz baixa.

Seus companheiros e ele já haviam estado naquele reino, pois a busca por Guillaume os levou até lá. Era uma terra árida e cheia de aventuras.

— Agradeço a você, mestre Reilif.

O guardião do saber se ergueu.

— Você encontrará o oráculo. Tenho certeza. Lembre-se das seguintes palavras que Yulivee disse certa vez: “Você veio até nós. A sua voz veio. Você nos mostrou as estrelas. Elas brilhavam. Nós pudemos ver”. Ela disse isso quando lhe perguntamos se não queria nos revelar algo sobre Dareen. Decifre as palavras dela se puder.

Com essas palavras, Reilif deixou o nicho e subiu para a sua estante. Nuramon perguntou-se que idade o guardião do saber devia ter. De suas palavras, pôde concluir que ele conheceu Yulivee; nos livros, porém, constava que a elfa chegara àquela biblioteca 1.832 anos mais cedo.

Pensativo, Nuramon passou os dedos sobre a encadernação de couro do livro e, por fim, colocou-o de volta em seu lugar. Lançou um último olhar a Reilif, mas o mestre já estava de novo diante de sua estante, afundado em um livro. Nuramon desceu a escada, agradeceu ao gnomo e pegou sua espada de volta. Observou mais uma vez a sala estreita — era a de que mais havia gostado de todas as salas da biblioteca. Talvez retornaria ali um dia. Noroelle com certeza iria gostar dela.

Nuramon pôs-se a procurar Farodin. Encontrou-o em sua sala de estudos. O pequeno Elem estava lendo em voz alta alguma coisa em daílico. Mandred estava sentado em um canto sobre algumas almofadas e ouvia a narrativa. Era sobre as Ilhas Aegílicas e os elfos que ali viajavam para o mar. Nuramon apoiou-se na parede e ouviu o jovem:

— O fim do cerco ainda não estava à vista. Podia ser que não conseguissem quebrar as muralhas invisíveis. Só quando os doze feiticeiros cercaram a ilha em doze navios é que os moradores de Zeolas passaram a ter medo. Eles sabiam que doze feiticeiros poderosos seriam capazes de derrubar o poder de suas muralhas mágicas, mesmo que os cacos do espelho não fossem reunidos. Os feiticeiros, então, ergueram as mãos, disseram suas palavras mágicas e a muralha inimiga rompeu-se com um forte trovejar. Assim foi inevitável a queda de Zeolas. — Ele fez uma pausa. — Isso é tudo o que está escrito aqui.

— Muito obrigado, Elem — disse Farodin. — As outras anotações leremos mais tarde. — E voltando-se para Nuramon: — Nós descobrimos muitas coisas. Há várias referências que indicam que não precisamos de todos os grãos de areia para quebrar o feitiço de Emerelle.

— O destino está a nosso favor — completou Mandred, sem fazer menção de se levantar de seu confortável lugar.

Nuramon esperou até o rapaz deixar a sala. Então desencostou-se da parede e foi em direção a Farodin.

— Eu também tenho boas notícias, que podem nos levar adiante.

Mandred se levantou.

— Conte! — disse ele.

Nuramon relatou com o que se deparara no livro de Yulivee. Enquanto repetia as palavras de mestre Reilif, percebeu que Farodin o escutava sem muito interesse. Em contrapartida, com Mandred, que andava inquieto para lá e para cá, trocou olhares inequívocos. Ainda assim, mesmo o oráculo pareceu não entusiasmar os dois.

Quando Nuramon terminou, o silêncio se instaurou. Finalmente, Farodin disse:

— Mandred e eu descobrimos muitas coisas. Nós nutrimos a esperança de que não precisamos de todos os grãos de areia para quebrar o feitiço de Emerelle. Assim que tivermos reunido grãos de areia suficientes, eles nos levarão ao lugar onde está o portal de Noroelle. Também descobri escrituras que me ajudarão a aperfeiçoar o meu feitiço de busca. Por que deveríamos nos deter com Yulivee? Ela e Valemas já ficaram para trás. Nós já chegamos muito mais longe. E agora você nos diz que devemos dar meia-volta e tentar um outro caminho.

O ponto de vista de Farodin não causou surpresa a Nuramon. Quando viu os rostos entediados de seus companheiros, ficou claro o que estava por vir. Farodin estava acostumado a dar ordens e não tolerava qualquer contestação.

— Em outras palavras, vocês não gostaram do caminho que abri para nós — Nuramom concluiu, decepcionado.

— Não vejo nenhum caminho.

— Até aqui a minha trilha era boa o suficiente para vocês.

— E o que quer dizer com “sua trilha”? Até agora não dei nenhum passo de que não estivesse convencido. E assim vai continuar.

— O meu caminho poderia ser um atalho. Digo francamente: os seus grãos de areia não são a solução do enigma. Nós precisamos percorrer outros caminhos para salvar Noroelle. Você se esqueceu do deserto? É um mundo de areia. Você já esteve no mar e já mergulhou a cabeça na água? Viu do que o fundo do mar é feito? Eu prefiro fazer dez viagens para chegar ao oráculo que vagar sem rumo pelo mundo, recolhendo grãos de areia aqui e ali.

— Eu sei — disse Farodin. — Seguir um caminho até o fim nunca foi o seu forte.

Nuramon ficou sem fala. Ele entendera totalmente a alusão, mas que culpa tinha ele pelo destino de seus antepassados? Ele não pedira para carregar a alma deles. Pouco sabia sobre eles, mas uma coisa era certa: todos morreram jovens e nunca viram o luar. Jamais esperara que Farodin ferisse os seus sentimentos em vez de tentar convencê-lo com argumentos.

— Você sempre pensou assim de mim e ficou guardando isso até agora?

— Na minha opinião, você é alguém que está fazendo um caminho muito longo até o luar.

— E o que o luar tem a ver com a nossa busca? — intrometeu-se Mandred na briga que eclodia entre os elfos.

Farodin ergueu as mãos pedindo calma.

— Você tem razão, filho de humanos. Não é esse o nosso assunto agora. Mas, no que diz respeito ao oráculo, não estou pronto para trocar o certo pelo duvidoso. Você se perguntou alguma vez se esse oráculo já não partiu para o luar há muito tempo? Quanto tempo já passou desde que Yulivee esteve lá?

Nuramon permaneceu calado.

— O seu silêncio diz tudo. Você está confessando que não existem respostas para as minhas perguntas. Eu digo: vamos continuar no caminho que já percorremos até agora. Assim, mais cedo ou mais tarde vamos alcançar o nosso objetivo.

— Eu prefiro a incerteza do mais cedo à certeza do mais tarde! O oráculo tem o conhecimento que vai nos ajudar a seguir adiante.

— Então vamos supor que você encontre o oráculo e ele responda às suas perguntas. O que ele pode nos oferecer que não podemos encontrar aqui nestas salas?

— Olhe em volta, Farodin! Por mais que eu estime tanto este lugar, para mim está claro que o conhecimento abrigado aqui é do passado; o conhecimento daqueles que não podem mais transmiti-lo a nós com sua própria voz. Mas precisamos é do conhecimento do presente e do futuro. Precisamos tomar Yulivee como um exemplo para nós.