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"Então porque não a detonaram ainda?"

O carro fez uma curva para a esquerda, Rebecca verificou mais uma vez a sua posição no mapa e abrandou, encostando ao passeio por detrás de um carro cinzento-escuro.

"Não sei", disse ela. "Mas o nosso terrorista sabe."

Inspeccionou as vivendas em redor e, identificando os números dos portões, apontou para um telhado ao fundo da rua, a casa protegida por muros altos. "E

ali."

"O quê?"

"O poiso do suspeito."

Os dois agentes do FBI estavam a comer um hot dog e a ouvir a música do rádio quando Rebecca e Tomás lhes entraram no carro. Depois de os dois recém-chegados se identificarem, os homens do Bureau fizeram-lhes um briefing com o ponto da situação.

"O Fireball está lá dentro", apontou Ted, o homem do FBI que parecia liderar o duo. "Quem?"

"E o nome de código que demos ao suspeito.

Vimo-lo entrar há pouco com um saco de compras.

Tirámos muitas fotografias."

"Posso vê-las?", pediu Tomás.

Uma máquina fotográfica com um zoom tão grande que parecia um canhão materializou-se nas mãos do companheiro de Ted. O agente do FBI virou para o português o pequeno ecrã que se encontrava nas costas da câmara.

"Está aqui."

As imagens apareceram no pequeno ecrã, mostrando sucessivas fotografias de Ahmed a carregar enormes sacos de compras; viam-se até as pontas de carcaças pontiagudas a espreitar pelos cantos.

"E ele", confirmou o historiador. "A barba está maior e dá a impressão de ter emagrecido, mas é realmente ele."

"A comer desta maneira, até admira que esteja mais magro", gracejou Ted.

"Ele encontra-se sozinho?"

"Assim parece." Indicou as redondezas. "Os nossos homens já andam a questionar os vizinhos e as lojas da zona, mas parece que nunca viram o Fireball com ninguém."

"E o urânio?", quis saber Rebecca. "Já o detectaram?"

O homem do FBI abanou a cabeça, a boca agora a mastigar os últimos pedaços de hot dog.

"Nope."

"O que fizeram vocês para o localizar?"

"Pouca coisa", reconheceu Ted. "Quando o Fireball saiu para as compras, passámos diante dos muros da casa com o contador geiger. Não acusou nenhuma radioactividade."

"Isso não quer dizer nada", insistiu Rebecca. "O

urânio pode estar na cave da casa, protegido por folhas de chumbo. Se for o caso, o contador não o consegue detectar."

"É verdade."

"Então o que planeiam vocês fazer?"

"Daqui a pouco vamos rebentar o sistema eléctrico da casa. Temos as linhas telefónicas interceptadas e, quando^ele telefonar a pedir assistência, a chamada será desviada para uma unidade nossa. A unidade fará deslocar um carro até à vivenda e apresentar-se-á para reparar a suposta avaria e restaurar a electricidade."

"Ah, estou a perceber. Vão meter o contador geiger a funcionar lá dentro."

"Isso. E vamos plantar microfones por toda a casa."

"E se o contador não detectar nada? Lembre-se de que o material pode estar bem protegido..."

"Se nada detectarmos e se considerarmos que a busca ficou incompleta, esta madrugada, quando o Fireball estiver a dormir, vamos inserir uma unidade na casa para fazer uma busca mais pormenorizada."

Tomás ficou admirado com esta parte do plano.

"Isso não é arriscado?"

Ted voltou-se para trás e sorriu.

"Viver é arriscado."

O plano desenrolou-se com a eficiência de um relógio. Ao anoitecer, e conforme previsto, as luzes da casa extinguiram--se subitamente. Tomás viu um ténue clarão passar por uma janela; era decerto Ahmed que deambulava pela casa com uma vela na mão.

Uma hora depois chegou ao local uma carrinha com as palavras General Electric estampadas nas portas.

Dois homens de fato-macaco azul-escuro saíram da carrinha com equipamento e foram bater ao portão.

Após um breve compasso de espera, o clarão reapareceu e o portão abriu-se. Um vulto indistinto, que Tomás presumiu ser Ahmed, espreitou do portão e, após o que pareceu uma breve troca de palavras, os três desapareceram para lá dos muros da vivenda.

"Aqui vamos nós", murmurou Ted, desligando a música do rádio e aumentando o volume do aparelho de intercomunicações.

Acto contínuo, os dois homens do FBI retiraram as pistolas dos coldres ocultos por baixo dos casacos e puseram-se a verificar as balas.

"O que é isso?", admirou-se Tomás. "Vai haver confusão?"

"Se houver alguma anomalia, os nossos homens têm ordens para dar o alerta", disse Ted sem tirar os olhos da pistola. "Nesse caso teremos de assaltar de imediato a casa."

Passaram-se

duas

horas

de

angustiante

expectativa. De quinze em quinze minutos os agentes nos diferentes carros do FBI que vigiavam a casa estabeleciam comunicação entre si para verificar se estava tudo bem, e o facto é que a resposta era sempre a mesma.

"Nada a assinalar."

De repente as luzes foram restabelecidas na casa e, minutos mais tarde, os dois homens de fato-macaco apareceram no portão e fizeram adeus a Ahmed, que os acompanhara. Meteram-se na carrinha e arrancaram dali.

Crrrrrr.

"Electric One, Electric One", chamou uma voz na intercomunicação. "O que descobriram vocês?"

"Nada, Big Mother", devolveu outra voz, presumivelmente de um dos supostos electricistas.

"O mostrador do geiger apenas se animou levemente numa passagem pela cozinha, mas nada de especial.

No resto da casa o geiger registou tudo normal."

"E a cave?"

"Não conseguimos ir lá."

"Porquê?"

"Estava fechada e o Fireball disse-nos que, assim às escuras, não conseguia encontrar a chave.

Pareceu-me um n,ouco nervoso e achámos melhor não insistir."

"E os microfones?"

"Instalámos tudo. Pode começar a testar."

"Okay, obrigado Electric One. Bom trabalho."

O diálogo foi acompanhado do carro onde se encontravam Rebecca e Tomás. Uma vez terminada a troca de palavras, Ted baixou o volume do aparelho de intercomunicações e voltou a ligar o rádio para sintonizar uma estação de jazz.

"E agora?", perguntou Tomás.

"Não ouviu o que disseram os nossos homens?"

perguntou Ted com uma ponta de impaciência. "A busca não ficou completa. Não conseguiram ir à cave."

"Isso quer dizer que vocês vão avançar com uma operação esta madrugada?"

"Yep."

Estava escuro lá fora e Tomás começava a sentir alguma fome. Interrogou-se sobre se valeria a pena permanecerem ambos ali, mas, como Rebecca não dava sinal de se querer ir embora, decidiu não levantar o assunto e deixou-se ficar.

"Há alguma dúvida de que o Ahme... uh... o Fireball é uma ameaça à segurança dos Estados Unidos?", perguntou ele.

"Nenhuma", respondeu Rebecca. "Não temos neste momento a mínima dúvida de que é ele o homem da Al-Qaeda encarregado de fazer explodir uma bomba atómica no nosso país."

"Então porque não o prendem imediatamente?"

"Porque não sabemos onde está a bomba."

A resposta deixou Tomás algo desconcertado.

"Bem... se o prenderem ele pode dizer-vos, não é?

Além do mais, se o deixam à solta ele pode escapar-se a qualquer momento e fazer explodir o engenho!"

Rebecca cravou-lhe os olhos azuis.

"O seu antigo aluno é um fundamentalista islâmico, não é?" "Suponho que sim."

"Então não vai revelar nada em tempo útil", disse ela. "Se o prendêssemos, isso apenas serviria para alertar os seus companheiros da Al-Qaeda de que lhes estamos no encalço. Isso só iria precipitar as coisas. Se a bomba não estiver nesta casa, parece-me óbvio que se encontra nas mãos de outros operacionais que a poderão fazer explodir mais depressa. Temos, por isso, de ser pacientes e dar os passos certos no momento exacto."