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— Sire?

— Você me tira do sério, Koiko. Tudo em você.

Como resposta, ela tocou em seu braço, dizendo nada e tudo ao mesmo tempo, feliz com o elogio, toda a sua mente concentrada em Yoshi, querendo ler seus pensamentos e necessidades, querendo ser perfeita para ele.

Mas esse jogo é cansativo, pensou Koiko, mais uma vez. Este protetor é muito complexo, muito perceptivo, muito imprevisível, muito solene e muito difícil de entreter. Não posso deixar de especular por quanto tempo ele me manterá. Começo a detestar o castelo, odiar o confinamento, os testes incessantes, continuar longe de casa, da conversa e riso alegre das outras, Raio de Luar, Fonte da Primavera, Pétala, e acima de tudo de minha querida mama-san, Meikin.

Por outro lado, porém, eu me ufano de estar no centro do mundo, adoro o koku por dia que venho ganhando, exulto por ser quem eu sou, servidora do mais nobre rei e que no fundo é apenas outro homem e não passa, como todos os homens, de um menino rebelde fingindo ser complicado, e que pode ser controlado por mesurras, como sempre, e que pode, se você for esperta, decidir fazer apenas o que você já decidiu que ele pode fazer... independente do que acredite. A risada de Koiko foi vibrante.

— O que foi?

— Deixa-me alegre, Sire, cheia de vida. Terei de chamá-lo de Lorde Doador de Felicidade!

Ele sentiu uma profunda satisfação.

— É assim também na cama?

— Também na cama.

De braços dados, começaram a deixar o luar.

— Veja ali! — exclamou Yoshi subitamente.

Lá embaixo, uma das mansões palacianas pegara fogo. As chamas se projetaram para cima, cada vez mais, acompanhadas por nuvens de fumaça. Agora a distância, podiam ouvir os sinos de incêndio e avistaram pessoas como formigas se agrupando ao redor, e logo filas de outras formigas se formaram entre os tanques de água e a mansão em chamas. O fogo é nosso maior risco, não a mulher, escrevera o xógum Toranaga em seu legado, com raro humor. Contra o fogo podemos estar preparados, nunca contra a mulher. Todos os homens e mulheres em idade casadoura devem casar. Todas as habitações terão tanques de água de fácil acesso.

— Nunca vão conseguir apagá-lo, não é mesmo, Sire?

— Não — respondeu Yoshi, os lábios comprimidos. — Suponho que algum tolo derrubou um lampião ou uma vela.

— Tem razão, Sire, um tolo desajeitado — disse Koiko no mesmo instante, procurando acalmá-lo, sentindo nele uma ira inesperada... sem entender por quê. — Fico contente por saber que está no comando das precauções contra o fogo no castelo e, assim, podemos dormir em segurança. Quem quer que seja o responsável, deve ser repreendido com severidade. Eu me pergunto de quem é aquele palácio.

— É a residência de Tajima.

— Ah, Sire, continua a me espantar! — exclamou Koiko, com uma comovente admiração. — É uma maravilha que seja capaz de distinguir um palácio de outro, entre centenas, tão depressa, e de tão longe!

Ela fez uma reverência para esconder o rosto, sabendo que era o de Watasa, e que agora o daimio Utani devia estar morto, o ataque fora bem-sucedido.

— É mesmo um homem maravilhoso.

— Não, Koiko-chan, você é que é maravilhosa.

Yoshi sorriu para aquela mulher, tão meiga e tão pequena, e ao mesmo tempo tão observadora e perigosa.

Três dias antes, seu novo espião, Misamoto, sempre ansioso em provar seu valor, comunicara os rumores que circulavam nos alojamentos sobre o encontro amoroso entre Utani e o rapaz bonito. Ele ordenara que Misamoto deixasse que o segredo fosse ouvido pela criada de Koiko, que o transmitiria, com toda certeza, à sua patroa ou à mama-san de ambas, talvez mesmo às duas, se outros rumores eram procedentes: os de que essa mesma mama-san, Meikin, era uma fervorosa partidária de Sonno-joi, e permitia, clandestinamente, que sua casa fosse ponto de encontro e refúgio para os shishi. A notícia chegaria depressa ao conhecimento dos shishi, que reagiriam no mesmo instante a uma oportunidade tão espetacular para um grande golpe. Há quase dois anos que os espiões de Yoshi mantinham Meikin e sua casa sob vigilância, por esse motivo, e por causa da crescente importância de Koiko.

Mas nunca surgira qualquer vestígio de prova para confirmar a teoria e condená-las.

Agora, no entanto, pensou Yoshi, observando as chamas, Utani deve estar morto, se o palácio foi incendiado, e tenho uma prova concreta: um sussurro semeado numa criada gerou seu fruto maligno. Utani era — é — um grande golpe para elas. Como eu também seria, ainda maior. Um pequeno tremor percorreu seu corpo.

— O fogo me assusta — murmurou Koiko, interpretando errado o estremecimento, querendo resguardá-lo.

— Vamos embora, deixando-os com seu karma.

De braços dados, eles se afastaram. Yoshi tinha dificuldade para disfarçar seu excitamento. Eu me pergunto qual é o seu karma, Koiko. A sua criada lhe contou e você mandou que dissesse à mama-san; ambas são parte da corrente?

Talvez sim, talvez não. Não percebi qualquer mudança em você quando eu disse Tajima, em vez de Watasa, e a observava com extrema atenção. Tenho minhas dúvidas. Claro que você é suspeita, sempre foi, caso contrário não a teria escolhido; afinal, isso não acrescenta mais tempero ao meu leito? Sem dúvida que sim, e você é tudo que sua reputação prometia. Estou mais do que satisfeito, é verdade, e por isso esperarei mais um pouco. Mas agora é fácil atraí-la para uma armadilha, ainda mais fácil arrancar a verdade de sua criada, dessa mama-san não muito esperta e de você mesma, minha bela! Fácil demais, quando eu fechar a armadilha.

Será uma decisão difícil, porque agora, graças a Utani, tenho uma linha direta e secreta com os shishi, posso usá-la para desmascará-los, destruí-los, ou então lançá-los contra os meus inimigos, a meu capricho. Por que não?

Tentador!

Nobusada? Nobusada e “seu” princesa! Muito tentador! Yoshi começou a rir.

— Sinto-me contente por vê-lo tão feliz esta noite, Sire.

A princesa Yazu estava em lágrimas. Por quase duas horas usara todos os recursos sobre os quais já lera ou vira em livros eróticos para excitá-lo; embora conseguisse torná-lo forte, ele lhe falhara antes que pudesse alcançar as nuvens e a chuva. Depois, como sempre, Nobusada desatara a chorar, arengando que a culpa era dela, num paroxismo de tosse nervosa. Também, como sempre, a tempestade passara. Depressa, ele suplicou perdão, aninhou-se para beijar seus seios, e acabou adormecendo, sugando um seio, enroscado em seu colo.

— Não é justo — balbuciou ela, exausta, incapaz de dormir.