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Preciso ter um filho, ou ele pode se considerar morto, e eu também, ou no Mínimo tão envergonhada que terei de raspar a cabeça e me tornar uma monja budista..., oh ko...

Nem mesmo suas damas puderam ajudá-la.

— São todas experientes, a maioria casada, deve haver algum meio de converter meu lorde num homem — gritara ela, depois de semanas de tentativas deixando-as todas tão consternadas que perderam o controle. — Descubram! É dever de vocês descobrir!

Ao longo dos meses, sua corte consultara herbanários, acupuntores, doutores até mesmo adivinhos, mas tudo em vão. Naquela manhã, ela mandara chamar sua matrona principal.

— Tem de haver um meio! O que aconselha?

— Só tem dezesseis anos, honrada princesa — dissera a matrona, de joelhos — e seu lorde também tem dezesseis...

— Mas todas concebem com essa idade, até antes, ou quase todas. Qual é o problema com ele... ou comigo?

— Nada com a princesa, já lhe dissemos muitas vezes. Os doutores nos asseguram que não há nada de er...

— O que me diz do doutor gai-jin, o gigante de que ouvi falar? Uma das criadas me contou que corre o rumor de que ele faz milagres, cura todos os tipos de doenças. Talvez possa curar meu lorde.

— Oh, alteza, sinto muito — balbuciara a mulher, consternada —, mas é inconcebível que qualquer dos dois consulte um gai-jin. Por favor, tenha paciência. Cheng-sin, o maravilhoso adivinho, nos disse que a paciência vai com certeza...

— Podemos fazer tudo em segredo, sua tola! Paciência? Há meses que venho esperando! Meses de paciência e meu lorde ainda não teve o menor vislumbre de que vai me dar um herdeiro! — Antes de poder se controlar, ela esbofeteara a mulher. — Dez meses de paciência e maus conselhos são demais, sua miserável! Vá embora! VÁ EMBORA PARA SEMPRE!

Durante todo o dia, ela planejara para aquela noite. Pratos especiais que ele apreciava foram preparados, temperados com ginsengue. Saquê especial, com ginsengue e pó de chifre de rinoceronte. Perfumes especiais, afrodisíacos. Preces especiais ao Buda. Súplicas especiais a Ameratsu, a deusa do sol, avó do deus Ninji, que descera do céu para governar o Japão e fora o bisavô do primeiro imperador mortal, Jimmu-Tennu, fundador da dinastia imperial, há vinte e cinco séculos... portanto, sua ancestral direta.

Mas tudo falhara.

Agora era a calada da noite e ela chorava em silêncio, deitada, o marido adormecido ao lado, não muito feliz no sono, sacudido por uma tosse vez em quando, braços e pernas tremendo, mas com um rosto que não era desagradável. Pobre e tolo menino, pensou ela, angustiada, é seu karma morrer sem herdeiro, como tantos de sua linhagem? Oh ko, oh ko, oh ko! Por que me permiti ser persuadida a este desastre, longe dos braços de meu amado príncipe.

Quatro anos atrás, quando tinha doze anos, e com a deliciada aprovação da mãe, a última e a predileta consorte de seu pai, o imperador Ninko, que morreu no ano de seu nascimento, e com a aquiescência também deliciada e necessária do Imperador Komei, seu meio-irmão muito mais velho, que assumira o trono imperial, ela se tornara noiva, na maior felicidade, de um companheiro de infância, o príncipe Sugawara.

Fora o ano em que o Bakufu formalmente assinara os tratados que abriam Iocoama e Nagasáqui, contra os desejos do imperador, da maioria da corte, e os conselhos veementes de quase todos os daimios. Fora o ano em que sonno-joi se tornara um grito de batalha. E o mesmo ano em que o então tairo, Li, propusera ao príncipe conselheiro que a princesa Yazu casasse com o xógum Nobusada.

— Sinto muito — dissera o conselheiro —, mas é impossível.

— Não só é possível como também muito necessário para ligar o xogunato à dinastia imperial e proporcionar mais paz e tranquilidade à terra — insistia Li. — Há muitos precedentes históricos de Toranagas concordando em casar com imperiais.

— Sinto muito. — O conselheiro era frágil, vestido e penteado de forma elaborada, os dentes escurecidos. — Como sabe muito bem, sua alteza imperial já está noiva, para casar em breve, assim que alcançar a puberdade. E como também sabe muito bem, o xógum Nobusada já está comprometido com a filha de um nobre de Quioto.

— Lamento, mas os noivados de pessoas tão ilustres constituem uma questão de política de Estado, sob o controle do xogunato, e sempre tem sido assim. — Li era baixo, corpulento e inflexível.— O noivado do xógum Nobusada, a seu próprio pedido, foi cancelado.

— O que é lamentável, pois ouvi dizer que seria uma boa união.

— O xógum Nobusada e a princesa Yazu têm a mesma idade, doze anos. Por favor, comunique ao imperador que o tairo deseja informá-lo de que o xógum se sentirá honrado em aceitá-la como esposa. Podem casar quando ela tiver quatorze ou quinze anos.

— Consultarei o imperador, mas receio que seu pedido não será possível. Espero que o filho do céu seja orientado pelo céu numa decisão tão importante. Os gai-jin se encontram em nossos portões, o xogunato e a dinastia devem ser fortalecidos.

— A dinastia imperial não precisa ser fortalecida. Quanto ao Bakufu, a obediência aos desejos do imperador com certeza melhoraria a paz.

Li protestara em tom áspero:

— Os tratados tinham de ser assinados. As esquadras e as armas dos bárbaros em nos humilhar, independente do que digamos em público! Estamos indefesos. Fomos obrigados a assinar!

— Isso é problema e culpa do Bakufu e do xogunato... o imperador Komei desaprovou os tratados e não queria que fossem assinados.

— A política externa e qualquer política temporal, como o casamento, são uma atribuição exclusiva do xogunato. O imperador... — escolhera suas palavras com o maior cuidado. — ...é preeminente em todas as outras questões.

— “Outras questões” ? Até poucos séculos atrás, o imperador reinava com era o costume por milênios.

— Sinto muito, mas não vivemos há poucos séculos atrás.

Quando a proposta de Li, considerada por todos que se opunham ao Bakufu como um insulto à dinastia, se tornara conhecida, houve um clamor geral. Poucas semanas depois, ele fora assassinado pelos shishi, por sua arrogância, e o assunto caíra no esquecimento.

Até dois anos mais tarde, quando ela completara quatorze anos.

Embora ainda não fosse uma mulher feita, a princesa imperial Yazu já era uma poetisa consumada, sabia ler e escrever o chinês clássico, conhecia todos os rituais da corte necessários ao seu futuro e continuava apaixonada pelo príncipe e vice-versa.

Anjo, precisando reforçar o prestígio do xogunato, cada vez mais sob ameaça, procurara o príncipe conselheiro, que repetira o que já dissera antes. Anjo também repetira o que Li já dissera, mas acrescentara, para espanto de seu oponente: