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— Não, obrigado.

Feliz, McFay continuou a comer. Depois, entre bocados, a voz se tornou dura, embora o tom ainda fosse confidenciaclass="underline"

— A menos que me fale francamente sobre ele, meu caro, e será uma conversa sigilosa... tem a minha palavra... partilhe tudo, transmita todas as informações, darei a notícia aqui e agora... para ele.

A colher apontava para Nettlesmith, o editor do Yokohama Guardian, que já os observava, interessado. Um respingo de caril caiu na toalha.

— Se Wee Willie ler sobre o seu segredo no jornal, vai ter uma explosão como você nunca viu.

Toda a fome de Tyrer desaparecera. Nauseado, ele murmurou:

— Hum... é verdade, ajudamos um dissidente a escapar de Iedo. Isso é tudo o que posso dizer. No momento, ele se encontra sob a proteção de sua majestade britânica. Lamento, mas não posso dizer mais nada, pela lei dos segredos oficiais.

McFay fitou-o com uma expressão astuta.

— Proteção de sua majestade britânica, hem?

— Isso mesmo. Em boca fechada não entra mosca. Não posso falar mais nada. Segredos de Estado.

— Interessante... — McFay terminou o prato e pediu uma segunda porção — Mas, em troca, não direi a ninguém.

— Desculpe, mas jurei que guardaria segredo. — Tyrer também suava, uma constante na Ásia, exceto durante os meses de inverno e primavera, e também porque seu segredo era conhecido. Mesmo assim, sentia-se satisfeito com a maneira como lidava com Jamie, sem dúvida o mais importante dos mercadores de Iocoama. — Tenho certeza que compreende.

McFay balançou a cabeça, cortês, concentrado no caril.

— Compreendo muito bem, meu caro. Assim que eu acabar aqui, Nettlesmith terá a notícia exclusiva.

— Não se atreveria! — Tyrer estava chocado. — Os segredos de...

— Estou pouco ligando para os segredos de Estado. Primeiro, não acredito em você, segundo, mesmo que assim fosse, temos o direito de saber, porque nós somos o Estado, e não um bando de diplomatas imprestáveis, que nem sabem perceber a direção de um peido!

— Ei, escute aqui...

— Estou escutando. Partilhe tudo, Phillip, ou leia a notícia na edição da tarde.

O sorriso radiante de McFay era seráfico, enquanto absorvia o resto do molho com um pão e o consumia. Ele arrotou, empurrou a cadeira para trás e fez menção de se levantar.

— Se é assim que você quer...

— Espere!

— Tudo? Concorda em me contar tudo?

Atordoado, Tyrer acenou com a cabeça.

— Se jurar que vai manter em segredo.

— Ótimo. Mas não aqui. Meu escritório é mais seguro. Vamos embora. Ao passar por Nettlesmith, ele perguntou:

— Quais são as novidades, Gabriel?

— Leia a edição da tarde, Jamie. Guerra em breve na Europa, terrível na América, guerra fermentando aqui.

— As mesmas coisas de sempre. Bom, até...

— Boa tarde, Sr. Tyrer.— Os olhos astutos de Nettlesmith desviaram-se para ele, enquanto coçava a cabeça, pensativo, para depois voltar sua atenção para McFay. — Recebi uma cópia adiantada do último capítulo de Grandes Esperanças.

Jamie parou no mesmo instante. Phillip também.

— Oh, Deus, não acredito!

— Dez dólares e a promessa de uma exclusiva.

— Que exclusiva?

— Quando tiver alguma. Confiarei em você.

Outra vez os olhos astutos se deslocaram para Tyrer, que tentou permanecer impassível.

— Esta tarde, Gabriel? Sem falta?

— Combinado. Por uma hora, para que não possa copiar... é exclusividade minha. Custou-me quase todos os favores que tenho a receber na Fleet Street para para roubar.

— Dois dólares?

— Oito, mas sua hora depois de Norbert.

— Minha última oferta, oito... e leio primeiro?

— Mais a exclusiva? Negócio fechado. É um cavalheiro e um sábio, Jamie. Estará em seu escritório às três horas.

Através de sua janela aberta, Tyrer ouviu o sino de navio no escritório do mestre do porto badalar oito vezes. Tinha os pés em cima da mesa e tirava um cochilo, os exercícios de caligrafia da tarde esquecidos. Não havia necessidade de olhar para o relógio na cornija da lareira. O cérebro lhe disse que eram quatro horas da tarde. Agora, a bordo dos navios, começaria o quarto de vigia, um período de duas horas com o primeiro de quatro às seis horas da tarde, o segundo de seis às oito da noite, depois viriam os turnos normais de quatro horas, até as quatro da tarde segundo Marlowe explicara que os quartos de vigia haviam sido instituídos para permitir uma rotação dos tripulantes.

Tyrer bocejou e abriu os olhos, pensando. Não muito mais que meio ano atrás eu nunca ouvira falar de quartos de vigia, jamais estivera num navio de guerra e agora posso saber as horas pelos sinos de navio com a mesma facilidade que teria se olhasse para um relógio.

O relógio na cornija da lareira bateu quatro horas. Absolutamente pontual Dentro de meia hora, vou me encontrar com Sir William. Os suíços, sem dúvida podem fazer cronômetros melhores do que os nossos. Onde Nakama se meteu? Será que ele fugiu? Já deveria ter voltado há horas. O que Sir William quer? Espero que não tenha ouvido falar de meu segredo. Torço para que deseje apenas que mais despachos sejam copiados. É terrível que minha caligrafia seja a melhor da legação; afinal, sou um tradutor, não um mero amanuense! Droga, droga, droga!

Ele se levantou, cansado, arrumou suas coisas, começou a lavar as mãos na bacia, tirando a tinta dos dedos. Uma batida na porta.

— Entre.

Por trás de Hiraga, havia um sargento e um soldado britânicos, ambos com baionetas coladas, ambos furiosos. Hiraga estava todo machucado, desgrenhado, pálido de raiva, quase nu, sem chapéu, sem turbante, o quimono de aldeão em farrapos. O sargento empurrou-o para a frente, com a baioneta apontada.

— Nós o pegamos pulando a cerca, senhor. Tivemos a maior dificuldade para dominá-lo. Ele tem um passe, assinado pelo senhor. É autêntico?

— É, sim. — Consternado, Tyrer adiantou-se. — Ele é um hóspede aqui, sargento, um hóspede de Sir William e meu. É professor de japonês.

— Professor, hem? — murmurou o sargento, sombrio. — Pois diga ao patife que professores não pulam cercas, não tentam fugir, não usam os cabelos cortados como samurais, não assustam as pessoas, nem lutam como um saco cheio de gaws selvagens... tenho um homem com o braço quebrado e outro com o nariz arrebentado. Na próxima vez em que o surpreendermos, não seremos tão cuidadosos.

Os dois soldados se retiraram. Tyrer fechou a porta, foi até o aparador, pegou um copo com água.