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Sir William sentia-se ansioso com as implicações da informação.

— O que mais ele disse?

— Apenas comecei, e essas coisas demoram, senhor, como deve compreender. — O excitamento de Tyrer era cada vez maior. — Mas já me falou sobre os ronin. A palavra significa “onda”, senhor. São chamados de ronin porque são livres como as ondas. São todos samurais, mas proscritos por diversas razões. A maioria é adversária do Bakufu, como Nakama. Acham que usurparam o poder do midaco... oh, desculpe, micado, como falei.

— Espere um pouco, Tyrer. Fale mais devagar. Temos bastante tempo. O que é exatamente um ronin?

Tyrer contou.

— Por Deus! — Sir William pensou por um momento. — Portanto, os ronin são samurais que foram proscritos porque seu rei caiu em desgraça, ou proscritos por seus reis, porque cometeram crimes reais ou imaginários, ou proscritos voluntários, que estão se agrupando para derrubar o governo central do xógum títere?

— Sim, senhor. Ele diz que o governo é ilegal.

Sir William tomou o último gole de seu gim, acenando com a cabeça para si mesmo, atônito e exultante, enquanto repassava tudo em sua mente.

— Então Nakama é um ronin, o que você chama de um dissidente e chamaria de um revolucionário?

— Sim, senhor. Com licença, senhor, mas posso sentar? — perguntou Tyrer com a voz trêmula, ansioso em contar a verdade sobre o homem, mas com medo fazê-lo.

— Claro, claro, Tyrer, desculpe. Mas, primeiro, sirva-se de outro xerez e traga uma dose de gim.

Sir William observou-o, satisfeito com ele, mas também um pouco com pena. Com anos de lida com diplomatas, espiões, meias verdades, mentiras e clamorosas desinformações faziam soar os sinais de alarme de que alguma coisa lhe era ocultada. Ele aceitou o drinque.

— Obrigado. Sente naquela cadeira, é a mais confortável. A nós. Você deve estar falando um excelente japonês para obter tudo isso em tão pouco tempo.

— Não, senhor, ainda não, mas passo bastante tempo estudando. Com Nakama, uso a paciência, gestos, umas poucas palavras de inglês, palavras e frases japonesas que André Poncin me ensinou. Ele tem me ajudado muito, senhor.

— André sabe o que esse homem lhe contou?

— Não, senhor.

— Não lhe diga nada. Absolutamente nada. Mais alguém sabe?

— Não, senhor, exceto Jamie McFay. — Tyrer tomou um gole do xerez. — Ele já sabia alguma coisa, e... hum... foi muito persuasivo, arrancou-me a informação sobre o xógum.

Sir William suspirou.

— É verdade, Jamie pode ser muito persuasivo, para dizer o mínimo, e sempre sabe muito mais do que diz.

Ele recostou-se na confortável cadeira giratória de couro antigo, tomou outro gole do drinque, a mente avaliando todos aqueles novos conhecimentos, de valor inestimável, já reformulando sua resposta para a rude missiva daquela noite, especulando até que ponto ousaria jogar, o quanto podia confiar na informação de Tyrer. Como sempre, nessas circunstâncias, ele recordou, contrafeito, os comentários de despedida do subsecretário permanente sobre o fracasso.

— A respeito de Nakama, concordarei com seu plano, Phillip... posso chamá-lo de Phillip?

Tyrer corou de satisfação pelo súbito e inesperado cumprimento.

— Claro, senhor. Obrigado.

— Eu é que agradeço. No momento, concordarei com seu plano, mas, pelo amor de Deus, tome cuidado com ele, não esqueça que os ronin têm cometido todos os tipos de assassinatos, à exceção do pobre Canterbury.

— Tomarei cuidado, Sir William. Não se preocupe.

— Arranque tudo o que puder dele, mas não conte a mais ninguém, e me transmita imediatamente. Pelo amor de Deus, tome cuidado, sempre tenha um revólver na mão, e se ele apresentar a menor indicação de violência, trate de atirar ou ponha-o a ferros.

Ao lado da legação britânica ficava a americana, depois a holandesa, russa, alemã e por último, a francesa. Ali, naquela noite, em sua suíte, Angelique vestia-se para Jantar, ajudada por Ah Sok. Dentro de uma hora deveria começar o jantar dedicado a ela e a Malcolm por Seratard, para comemorar o noivado. Mais tarde teria música.

— Mas não toque por tempo demais, André — pedira ela, pouco antes. — Alegue que está cansado. Deixe bastante tempo para sua missão. Os homens são mesmo afortunados.

Ela sentia-se contente e triste por ter se mudado. É mais sensato, ela refletiu agora. Poderei voltar em três dias. Uma nova vida, uma nova...

— O que errado, senhora?

— Nada, Ah Sok.

Angelique fez um esforço para afastar a mente do que teria de suportar breve, sepultou o medo ainda mais fundo.

Um pouco além, na melhor localização à beira do cais, o prédio Struan aind se encontrava todo iluminado, assim como a Brock & Sons, ao lado, com muitos escriturários e cambistas continuando a trabalhar nas duas companhias. Malcolm Struan transferira-se naquele dia para a suíte do tai-pan, muito maior e mais confortável do que a suíte que ocupava antes, e agora se empenhava em vestir o traje para o jantar.

— Qual é o seu conselho, Jamie? Não sei o que fazer com a mãe e suas cartas mas isso é um problema meu, não seu... ela também o está pressionando, não é?

Jamie McFay deu de ombros.

— É muito difícil para ela. Do seu ponto de vista, até que tem razão, ela quer apenas o melhor para você. Creio que se preocupa demais com a sua saúde, por você estar tão longe e ela não poder vir para cá. E nada dos Struans pode ser resolvido de Iocoama, é tudo em Hong Kong. O China Cloud chegará dentro de poucos dias, procedente de Xangai, e seguirá direto para Hong Kong. Vai voltar com ela?

— Não, e por favor não torne a levantar o assunto — respondeu Struan, o tom um tanto ríspido. — Avisarei quando nós, Angelique e eu, decidirmos partir. Só espero que a mãe não esteja no China Cloud... seria a última gota.

Struan inclinou-se para calçar as botas, não conseguiu, a dor foi intensa demais.

— Desculpe, mas pode me ajudar? Obrigado.

Depois, ele explodiu:

— Ser como um aleijado fodido está me levando à loucura!

— Posso imaginar.

McFay disfarçou sua surpresa. Era a primeira vez que ouvia Malcolm Struan dizer um palavrão. Tratou de acrescentar, gentilmente, gostando dele, admirando sua coragem: