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— Ah, Fujiko-chan, você é maravilhosa.

— Não, é meu prazer.

Há muito que ela já superara seu espanto e constrangimento pelos estranhos hábitos dos estrangeiros: o fato de raramente se banharem, se sentirem consumidos de vergonha e culpa pelos prazeres do travesseiro, serem possessivos e ficarem furiosos quando ela tinha outros clientes — uma estupidez, pois eles também não eram clientes? — ou se virarem, corando, quando ela se despia para lhes proporcionar prazer ou se cobrirem quando apenas semidespidos, preferindo fornicar no escuro, quando todos sabiam que muito da emoção derivava de ver, examinar e observar ou se tornarem roxos de embaraço quando ela tentava variações normais, Para evitar o tédio e para prolongar e aumentar os momentos com os deuses... o tempo das nuvens e da chuva.

Não, os gai-jin não são como nós. Quase sempre preferem a Primeira Posição com Urgência, de vez em quando a Atraindo a Galinha ou a Tempo da Flor de Brejeira, sem me dar qualquer oportunidade de demonstrar minhas habilidades; e se deixassem a luz acesa, eu poderia me posicionar para muitos jogos de levantar, como Perto e Longe, Por Cima do Dragão, Plantio da Primavera, Furtando o Mel, que até o rapaz mais inexperiente exigiria e apreciaria, mas um gai-jin se desvencilha, com firmeza, embora gentil, puxa-me para o seu lado, beija meu pescoço, me aperta com força e murmura palavras incompreensíveis.

Agora vou massageá-lo até o sono. — murmurou Fujiko.

Não compreendo. Massagear?

— Massagear, Taira-san. Assim.

— Ah, agora entendi. Massagem. Obrigado.

Os dedos de Fujiko eram gentis e maravilhosos e Tyrer resvalou para o sono mal acreditando em sua sorte, orgulhoso de seu desempenho, e porque ela gozara extasiada pelo menos três vezes, contra uma sua... e não importava mais que Raiko tivesse lhe dito naquela manhã que Fujiko precisava visitar sua aldeia, perto de Iedo, para ver o pai doente.

— Mas apenas por poucos dias, Taira-san.

— Oh, sinto muito, Raiko-san. Por favor, quantos dias fora?

— Quantos dias ela ficará fora. Apenas três.

— Ah, obrigado. Quantos dias ela ficará fora?

Tyrer repetira a pergunta também para Fujiko, e seu japonês fora corrigido em todas as ocasiões.

Três dias. Com isso, terei tempo para me recuperar. Por Deus, esta noite foi a melhor de todas! Gostaria de saber o que vai acontecer quando os roju receberem nosso despacho. Tenho certeza de que meu conselho é correto e que Nakama diz a verdade... tenho muito a lhe agradecer, Sir William ficou positivamente radiante, e Fujiko...

Embalada pela massagem, a mente de Tyrer mergulhou numa miscelânea de Nakama e Fujiko, sua presença no Japão, tudo tão diferente, o aprendizado de japonês, palavras e frases incessantes aflorando aos borbotões. Os futons eram duros, difíceis de se acostumar, mas ele sentia-se confortável, estendido de barriga para baixo, desfrutando a proximidade de Fujiko. Ah, como estou cansado... Não posso suportar a idéia de “outros clientes”, pensou ele. Tenho de fazer com que ela seja só minha. Amanhã pedirei a André para me ajudar.

Sem se virar, ele estendeu a mão para trás, pousou-a na coxa de Fujiko. Pele sedosa, adorável.

Onde eu estava? Ah, sim, os roju. Daremos uma lição nos patifes. É lamentável que o navio de correspondência tenha sido o alvo de um bombardeio... temos de fazer com que Shimonoseki se torne seguro e, se o maldito Bakufu não tomar as providências necessárias, isso significa que nós mesmos teremos de destruir aquelas baterias. Devo me lembrar de ter cuidado em relação a isso com Nakama, já que ele é também de Choshu. Será que poderia usá-lo como um intermediário. E se os roju não derem um jeito naqueles demônios de Satsuma, nós mesmos é que teremos de esmagá-los. A desfaçatez do daimio, dizendo que não consegue encontrar os assassinos de Canterbury, apesar de os miseráveis terem saído de suas fileiras; vi quando cortaram o braço de Canterbury, o sangue esguichando.

Os dedos de Fujiko ficaram imóveis.

— Qual é o problema, Taira-san?

Antes que pudesse pensar, ele a abraçava, querendo apagar a lembrança da Tokaidô, e depois que o tremor cessou, Tyrer tornou a se deitar, abraçando-a e sentindo o corpo quente e dócil comprimido contra o seu, amando-a, grato por sua companhia, esperando que os pensamentos terríveis voltassem a seu recesso.

Ela ficou quieta, também esperando, sem pensar em Tyrer, exceto para registrar que, mais uma vez, o gai-jin demonstrara ser mesmo estranho, além da compreensão. Era confortável se aconchegar contra ele, e Fujiko sentia-se contente porque a primeira explosão fora alcançada de um modo apropriado, deixando o cliente satisfeito, e assim podia acreditar que merecia a taxa extra.

Quando distribuíra os serviços de todas, naquela manhã, Raiko lhe dissera que ia aumentar seu preço, e explicara:

— Mas só com Taira, porque você terá trabalho extra. Lembre-se de que ele pode ser um peixe graúdo para você, Fujiko, um cliente a longo prazo, muito melhor que Kant-er-bury-san, se tomarmos cuidado, e se você o agradar. Frenchy diz que ele é um homem importante, por isso deve se empenhar em agradá-lo. Fale apenas japonês, nada de pidgin, torne-se uma mestra, encoraje-o, lembre-se de que ele é ridiculamente tímido e não sabe de nada. Nunca deve mencionar Kant-er-bury. Vamos fingir que você terá de se ausentar por alguns dias... mas não se preocupe. Já tenho dois clientes para você amanhã, um gai-jin à tarde, uma pessoa civilizada à noite...

Com um cliente generoso por um ou dois anos, eu poderia pagar minhas dívidas num instante e a vida seria muito melhor do que ter de aceitar qualquer cliente disponível, pensou Fujiko. Depois, contente, abandonou o presente, como sempre fazia quando se encontrava com um cliente, e projetou-se para o futuro, onde vivia feliz com seu rico marido fazendeiro e quatro ou cinco filhos. Podia contemplar a casa, em meio a vários arrozais, com os brotos verdes do plantio de inverno ou primavera prometendo mais uma colheita abundante, a sogra gentil, satisfeita com ela, um ou dois bois atrelados a um arado, flores no pequeno jardim, e...

— Ah, Fujiko, obrigado! Você é maravilhosa!

Ela se aninhou ainda mais, murmurou que ele era forte e viril.

— O quê? — balbuciou Tyrer, sonolento. Ela respondeu com um movimento íntimo da mão, e ele se contorceu. — Não, Fujiko, por favor, primeiro dormir. Não... por favor, mais tarde...

— Ah, mas um homem forte como você... — insistiu ela, reprimindo seu tédio e continuando, submissa.