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— Meu superior diz, honrados lordes, ele feliz roju dar papel uma semana, concordar emprestar Satsuma primeiro dinheiro, em setenta dias. Diz também que França, como amiga do Nipão, sente-se honrada dar garantia pessoal ao ministro britânico, contra primeiro pagamento. Também honrado receber todos ou todo roju, qualquer dia, pessoalmente, no navio ou outro lugar. Humildemente agradeço, honrados lordes.

Os olhos contraídos, Yoshi disse:

— Agradeça a seu amo. A reunião está encerrada.

Um oficial samurai gritou “Kerei!”— saudação —, e todos os outros fizeram uma reverência, mantendo essa posição enquanto os roju se levantavam e respondiam, com contida polidez. Não restava a Sir William e aos demais outra altenativa senão seguir o exemplo, enquanto Yoshi saía à frente por uma porta invisível atrás da plataforma. No mesmo instante os samurais se empertigaram e retomaram seu olhar firme e desconfiado.

— Muito satisfatório, Sir William — disse Seratard, expansivo, em francês, pegando-o pelo braço, ansioso em distraí-lo outra vez. — Agiu muito bem.

— Seus superiores no Élysée ficarão furiosos com você quando pedirmos as dez mil libras em ouro — comentou Sir William, um pouco contrariado, mas não muito, pois dera um gigantesco passo à frente, à exceção da salva de canhão. — Mas quer fiquem furiosos ou não, Henri, foi um gesto magnífico, embora dispendioso.

Seratard riu.

— Vinte guinéus dizem que eles vão pagar.

— Apostado. Jantará conosco na legação?

Eles começaram a sair, indiferentes aos olhares arrogantes e belicosos.

— Não, obrigado. Já que concluímos nossos negócios aqui, acho melhor voltar para Iocoama agora, em vez de esperar até amanhã. Há tempo suficiente, e o mar está calmo. Por que esperar pela Pearl? Junte-se a nós, em nossa nave capitânia, e poderemos jantar durante a viagem.

— Obrigado, mas prefiro esperar até amanhã. Quero me certificar de que todos os homens voltaram sãos e salvos para nossos transportes.

Por trás deles, despercebido na multidão, Tyrer esperou por André, que se ajoelhara para ajustar a fivela de um sapato. Sem notar que Tyrer o observava, ele iniciou uma conversa sussurrada com o intérprete japonês. O homem hesitou, depois acenou com a cabeça, fez uma reverência.

— Domo.

André virou-se e deparou com Tyrer a observá-lo. Por uma fração de segundo, ele se mostrou perplexo, depois sorriu e adiantou-se.

— E então, Phillip, não acha que tudo correu muito bem? Você se saiu muito bem, e posso dizer que ganhamos o dia.

— Eu não. Foi você quem salvou o dia... e livrou minha cara, pelo que agradeço. — Tyrer franziu o rosto, inquieto, acompanhando a procissão. — Mesmo assim, embora você tenha superado o impasse de maneira brilhante, o que disse em inglês e o que foi dito em japonês foram coisas diferentes, não é mesmo?

— Não tão diferente assim, mon ami, não o suficiente para ter alguma importância.

— Não creio que Sir William concordaria.

— Talvez sim, talvez não. Talvez você tenha se enganado. — André forçou uma risada. — Nunca é sensato provocar a irritação de um ministro, hem? Lembre-se de que em boca fechada não entra mosca.

— Na maioria das vezes, é isso mesmo. O que disse àquele intérprete?

— Agradeci a ele. Mon Dieu, minha bexiga está me matando... e a sua?

— A mesma coisa — concordou Tyrer, certo de que André mentia sobre o intérprete.

Mas também por que não o faria? — refletiu ele, com sua nova percepção. André é inimigo; se não inimigo, pelo menos oposição, e todas as nuanças foram para beneficiar Seratard, a França e André. Muito justo. O que ele poderia pedir em segredo? Transmitir uma mensagem, sem dúvida, mas qual? Que mensagem secreta? O que eu pediria secretamente?

— Pediu uma reunião particular com lorde Yoshi, hem? — sugeriu Tyrer arriscando um palpite. — Para você e monsieur Seratard.

A expressão de André Poncin não se alterou, mas Tyrer notou que ficaram brancas as articulações da mão direita, pousada na espada cerimonial.

— Phillip — murmurou ele —, tenho sido um bom amigo desde a sua chegada, ajudando-o a começar a aprender o japonês, apresentando-o às pessoas não é mesmo? Não interferi com seu samurai particular... Nakama... embora fosse informado de que ele tem outros nomes. Não...

— Que outros nomes?— indagou Tyrer, subitamente nervoso, sem saber por quê. — O que sabe sobre ele?

André continuou, como se Tyrer não tivesse falado:

— Não tentei interrogá-lo, nem a você sobre ele, embora o advertisse contra os japoneses, todos eles. Já é tempo de você me falar a respeito desse Nakama, como um amigo. Lembre-se, Phillip, de que estamos no mesmo lado. Somos servidores, não os chefes, somos amigos e estamos no Japão, onde os gai-jin devem se ajudar uns aos outros... como fiz ao apresentá-lo a Raiko, que o levou a Fujiko, não é? Boa moça, a Fujiko. É melhor ter um pouco do realismo gaulês, Phillip, é melhor manter as informações sigilosas em sigilo, é melhor tomar cuidado com seu Nakama, e não esquecer o que eu disse uma dúzia de vezes: no Japão, só há soluções japonesas.

Quase ao pôr-do-sol, nesse mesmo dia, Yoshi avançou por um corredor de pedra escuro e ventoso, na torre do castelo. Usava agora seu quimono característico, com duas espadas, e um manto de montaria com capuz por cima. A cada vinte passos havia tochas acesas, em suportes de ferro, ao lado de aberturas para arqueiros, que também serviam como janelas. Lá fora, o ar era frio. Havia uma escada circular à frente. Levava a seu estábulo particular, lá embaixo. Ele desceu correndo os degraus.

— Alto! Quem... ah, desculpe, lorde!

O samurai de sentinela fez uma reverência. Yoshi balançou a cabeça e seguiu em frente. Por todo o castelo, soldados, cavalariços e criados se preparavam para dormir, ou para os serviços noturnos, seguindo o costume universal de deitar ao cair da noite. Só os prósperos tinham luz à noite, para ver, ler ou se divertir.

— Alto! Ah, desculpe, Lorde.

A sentinela se inclinou e o mesmo fizeram as duas seguintes. No pátio do estábulo, concentrava-se uma guarda pessoal de vinte homens, junto a seus pôneis. Entre eles se encontrava Misamoto, o pescador, samurai e ancião de faz-de-conta. Agora, vestia-se pobremente, como um infante comum, desarmado e assustado. Havia também ali dois palanquins fechados, bastante leves, projetados para transporte rápido. Cada um se encaixava em duas hastes, com arreios para pôneis de sela nas extremidades. Todos os cascos estavam cobertos e tudo aquilo fazia parte de um plano formulado por Yoshi, junto com Hosaki, alguns dias antes.

A janela de um palanquim foi entreaberta. Ele viu Koiko espiar. Ela sorriu, acenou com a cabeça em cumprimento. A janela foi fechada. A mão de Yoshi apertou o cabo da espada. Ele foi abrir a porta do palanquim, o suficiente para se certificar de que era ela mesma, e que se encontrava sozinha. Quando era muito jovem, o pai lhe incutira com veemência, palavra por palavra, a primeira lei da sobrevivência: