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— Talvez ele tenha tentado escapar pelos fundos.

Ali, fora das vistas dos dois, já havia cinco shishi mortos no chão de terra, junto com oito samurais de Ogama, e seis feridos. Outra batalha entre três shishi e dez samurais de Ogama se aproximava de sua conclusão inevitável. Um brado final de “Sonno-joi!” e os três homens correram para a morte. Trinta samurais de Choshu aguardavam a próxima tentativa de fuga. Saía fumaça pelas aberturas nas paredes de shoji. Um cheiro de carne queimada impregnava o ar. Nenhum movimento no interior. Um oficial gesticulou para um samurai.

— Relate ao capitão o que aconteceu aqui e pergunte se devemos esperar ou entrar.

O homem saiu correndo.

A escaramuça terminou, como todas as outras. Os três shishi morreram bravamente. Havia mais doze mortos, dezessete samurais de Choshu e um dos homens de Yoshi. Quatorze feridos, três shishi impotentes, desarmados, ainda vivos. O capitão ouviu o relatório.

— Diga ao oficial para esperar e matar quem tentar sair. — Ele chamou um grupo mantido em reserva. — Esvaziem as cabanas enquanto ainda há tempo. Matem qualquer um que não se render, menos os feridos.

No mesmo instante, os homens encaminharam-se para a porta. Lá dentro, soaram gritos e depois houve silêncio. Um dos homens saiu, o sangue escorrendo de um talho profundo na coxa.

— Meia dúzia de feridos, muitos cadáveres.

— Traga-os para fora antes que o telhado desabe.

Os cadáveres e os feridos foram alinhados diante de Yoshi e Ogama, com os representantes do Bakufu logo atrás. As tochas projetavam estranhas sombras. Vinte e nove mortos. Onze feridos impotentes. Katsumata não se encontrava entre eles.

— Onde ele está? — berrou Ogama para seu capitão, furioso.

Yoshi também se sentia irritado, sem saber exatamente quantos inimigos havia lá dentro ao começar a batalha.

— Sire, juro que ele estava lá dentro antes de começar e não saiu — respondeu o capitão, caindo de joelhos.

Ogama aproximou-se do mais próximo shishi ferido.

— Onde ele está?

O homem lançou-lhe um olhar furioso, através da dor.

— Quem?

— Katsumata! Katsumata!

— Quem? Não conheço... nenhum Katsumata. Sonno-joi, traidor! Mate-me, acabe logo com isso!

— Daqui a pouco — disse Ogama, através dos dentes semicerrados. Todos os feridos foram interrogados. Ogama examinou cada rosto — Katsumata não estava ali. Nem Takeda.

— Matem todos.

— Deixe-os morrer honrosamente, como samurais — sugeriu Yoshi.

— Está bem.

Ambos se viraram para ver o desabamento do telhado e das paredes da cabana, numa chuva de fagulhas, arrastando as cabanas adjacentes. A chuva fina recomeçara.

— Capitão! Apague o incêndio. Deve haver um porão, um esconderijo, se esse monte de bosta não é um tolo incompetente.

Ogama se afastou, dominado pela raiva, pensando que fora enganado, de alguma forma. Um oficial aproximou-se de Yoshi, bastante nervoso.

— Com licença, Sire — murmurou ele. — A mulher também não está aqui. Devia haver...

— Que mulher?

— Ela era jovem. Uma Satsuma. Estava com eles há algumas semanas. Achamos que era a companheira de Katsumata. Lamento dizer que também não encontramos Takeda.

— Quem?

— Um shishi de Choshu que temos vigiado. Talvez ele fosse espião de Ogama... foi visto se esgueirando furtivo para o quartel-general de Ogama no dia anterior ao fracasso de nosso outro ataque a Katsumata.

— Mas Katsumata e esses outros dois não estavam lá dentro?

— Com toda certeza, Sire. Todos os três.

— Então há um porão ou um caminho secreto de fuga.

Descobriram ao amanhecer. Um alçapão sobre um túnel estreito, com espaço apenas suficiente para se rastejar até a outra extremidade, a uma boa distância, num jardim coberto pelo mato de uma casa vazia. Furioso, Ogama chutou a entrada camuflada.

— Baka!

— Vamos oferecer uma recompensa pela cabeça de Katsumata — propôs Yoshi. — Uma recompensa muito especial.

Ele também sentia-se furioso. Era óbvio que o fracasso afetava o relacionamento manipulado e iniciado com tanta dificuldade. Mas Yoshi era astuto demais para mencionar Takeda ou a mulher... ela não tinha a menor importância.

— Katsumata deve ter permanecido em Quioto. O Bakufu vai ordenar que ele seja procurado, capturado e que nos tragam sua cabeça.

— Meus partidários farão a mesma coisa.

Ogama ficou um pouco apaziguado. Também estivera pensando em Takeda, especulara se sua fuga era um bom ou mau presságio. Ele olhou para o capitão que se aproximara.

— Oque é?

— Deseja ver as cabeças agora, Sire?

— Claro. Yoshi-dono?

— Eu também quero ver.

Os shishi feridos haviam recebido permissão para morrer honrosamente, sem mais dor. Foram decapitados de acordo com o ritual, as cabeças lavadas e agora alinhadas. Quarenta. Outra vez esse número, pensou Ogama, apreensivo. Será um presságio? Mas ele escondeu sua inquietação e não reconheceu nenhum dos homens.

— Já os vi — declarou ele, formalmente, no amanhecer chuvoso.

— Já os vi — acrescentou Yoshi, com a mesma solenidade.

— Ponham as cabeças em chuços, vinte diante dos meus portões, vinte diante do quartel-general de lorde Yoshi.

— E o cartaz, Sire? — indagou o capitão.

— O que sugere, Yoshi-dono?

Depois de uma pausa, sabendo que era outra vez submetido a um teste, Yoshi disse:

— Os dois cartazes podem avisar o seguinte: Estes proscritos, ronin, foram punidos por crimes contra o imperador. Que todos tenham cuidado com seus atos iníquos. Acha satisfatório?

— Acho. E a assinatura?

Ambos sabiam que isso era muito importante, uma questão de difícil solução. Se Ogama assinasse sozinho, seria uma indicação de que tinha a posse legal dos portões; se fosse Yoshi, indicaria que Ogama se encontrava subordinado a ele, o que era verdade, em termos legais, mas inadmissível. O sinal do Bakufu insinuaria a mesma coisa. Um sinal da corte representaria uma intromissão indevida em assuntos temporais.