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Malcolm Struan fitou-o nos olhos.

— Como? Como? Se resolver meu problema, você pode... pode indicar seu preço. — Cansado, ele pegou suas bengalas. — Dentro de limites razoáveis.

— Um momento, tai-pan! — exclamou Skye, limpando os óculos.

Meu preço não será apenas dinheiro, não da Casa Nobre, cuja influência pode me ajudar a ser juiz em Hong Kong, ah, que alegria será! Meu único dilema é se devo revelar a solução agora, ou esperar, e me arriscar a perder a iniciativa. De jeito nenhum! Uma ave na cama vale duas na Yoshiwara.

Não mais solene, ele tornou a ajeitar o pince-nez na ponta do nariz, agora como portas gêmeas dominando o rosto rosado e infantil, que parecia transbordar ao redor.

— Tive uma idéia repentina, tai-pan. Poderia resolver seu problema, no prazo que precisa. Por que não faz a mesma coisa que sua mãe?

Malcolm se mostrou aturdido por um instante e, depois, o significado se tornou claro.

— Ah, fugir para casar? Pensei nisso — disse ele, irritado —, mas ir para onde, e quem iria celebrar a cerimônia, já que estamos a um milhão de quilômetros de Macau?

— O que Macau tem a ver com isso? — indagou Skye.

— Todos sabem que o pai e a mãe fugiram e casaram na igreja anglicana em Macau, a cerimônia realizada depressa, por causa da influência do avô.

Skye sorriu, sacudiu a cabeça.

— Essa é a história publicada, mas não a verdadeira. Seu capitão Orlov casou-os a bordo do clíper China Cloud, em viagem de Macau para Hong Kong... seu avô tornara seu pai mestre para essa curta viagem e, como sabe, a lei do tai-pan é de que no mar o mestre era a lei do navio.

Struan estava espantado.

— Não acredito nisso.

— O primeiro atributo de um bom advogado, e sou um bom advogado, Sr. Struan, é ser um bom ouvinte, o segundo é ter um faro para fatos e segredos, o terceiro, ser discreto. É fundamental saber tudo o que puder sobre seus clientes em potencial mais importantes... o melhor para ajudá-los na adversidade.

Ele aspirou uma pitada de rapé, espirrou.

— A Casa Nobre é a primeira na Ásia, a fonte de lendas, e por isso, quando cheguei a Hong Kong, interessei-me em separar os fatos dos mitos sobre os Struans, os Brocks, os americanos Cooper e seu sócio Wilf Tillman, até mesmo o russo Zergeyev. Eu acho...

Ele parou de falar. Os olhos do jovem haviam se tornado vidrados, perdidos na distância, deixara de escutar, a mente com certeza na solução, à medida que aflorava à superfície, e preenchia seu firmamento.

— Sr. Struan!

— Oh, desculpe... O que estava dizendo?

— Fico satisfeito por lhe oferecer a solução. Há dificuldades, sem dúvida, mas possui navios, dispõe de capitães, e o capitão de um navio britânico, em determinadas situações, pode efetuar um casamento. Como é o tai-pan, pode dar a ordem. Quod erat demonstrandum.

— Heavenly, você é fantástico! — exclamou Malcolm. — Tem certeza sobre minha mãe e meu pai?

— Tenho, sim. Um dos meus informantes foi Morley Skinner, proprietário do Oriental Times, um contemporâneo de Dirk Struan, um velho que adorava contar histórias sobre os velhos tempos. Também obtive informações da Sra. Fortheringill, antes de sua morte, e... Já notou como são poucas as pessoas que se mostram dispostas a escutar os velhos, que testemunham todos os tipos de eventos? Skinner morreu há cerca de oito anos. Chegou a conhecê-lo?

— Não. — Um pouco da esperança de Malcolm se evaporou. — Se essa história fosse verdadeira, todos em Hong Kong a conheceriam.

— Dirk Struan resolveu abafá-la, achando que um “discreto casamento na igreja” era mais conveniente. Era bastante poderoso para conseguir isso e até persuadiu os Brocks a concordarem. Mas a história é verdadeira.

— Mas se ele... — Malcolm fez uma pausa; era um prazer contemplar sua expressão. — Mas não importa se é verdadeira ou falsa, não é mesmo?

— Tem razão. A verdade é muito importante porque lhe proporciona ampla defesa contra sua mãe. Afinal, só está fazendo a mesma coisa que ela, seguindo seu exemplo.

— Por Deus, Heavenly, você tem toda razão outra vez! — E depois, mais excitado: — Dispõe de alguma prova?

Claro, meu tolo rapaz, pensou Skye, mas não vai obter tudo de uma só vez.

— Tenho, sim, em Hong Kong. Precisarei de dinheiro para as despesas, a fim de ir até lá imediatamente... a serem deduzidas dos meus honorários. Digamos cinco mil, incluindo a prova... e sempre desde que minha solução corte o seu nó górdio. Quando você voltar a Hong Kong, depois do casamento, terei todas as provas de que puder precisar.

— E eu pensava que estava perdido!

Malcolm recostou-se na cadeira. Não havia mais nada agora para detê-lo. E aquele fato desanuviava sua mente de muitos demônios, os demônios da noite, do dia e do futuro.

— Que outros “fatos” você conhece a meu respeito e de meu passado?

— Muitos, Sr. Struan — respondeu Skye, sorrindo. — Mas não são para agora, embora preciosos.

Malcolm Struan seguia para casa, mais feliz do que podia se lembrar, as bengalas e a dor não o incomodando tanto quanto de hábito.

E por que não? — ele quase cantou. Casaria na semana seguinte com a moça mais linda do mundo, a mãe envolvida de uma maneira impecável — mal posso esperar para ver sua cara —, tenho uma festa esta noite, que agora será uma autêntica comemoração, e Norbert voltou no momento oportuno para ser enviado ao encontro de seu Criador. — Viva!

Na maior jovialidade, ele cumprimentava e acenava para as pessoas por quem passava. Era popular, além de lastimado, respeitado como o tai-pan da Casa Nobre, ainda mais invejado como o futuro e adorado marido da favorita da colônia.

O sol rompeu pelas nuvens, o que combinava com seu ânimo, fez o mar faiscar, enquanto a esquadra se dispersava na baía, o barco de Sir Wi Hiam aproximando-se da nave capitânia, o navio de correspondência cercado por outras embarcações. Seu próprio navio mercante, Lady Tess, que navegava entre Iocoama, Xangai e Hong Kong, fazia escalas em todos os portos principais até Londres, e depois voltava, estava preparado para zarpar, e deveria partir naquela noite.

Seu capitão era Lavidarc Smith, enorme e ruidoso, há muitos anos na companhia, como a maioria dos nossos capitães, mas jamais gostei muito dele. Preferia que o velho tio Sheley nos casasse e abençoasse. Uma pena que eu não soubesse o que sei agora quando ele passou por aqui. Ora, não importa. De qualquer forma, não posso manter Lavidarc aqui, e amanhã seria impossível, já que preciso primeiro cuidar de Norbert.

E Vincent Strongbow, do Prancing Cloud deve chegar no domingo e partirá para Hong Kong na quarta-feira. Isso me dá bastante tempo para matar Norbert e embarcar antes que Sir William me pegue. Não devo me demorar aqui, estarei muito mais seguro em Hong Kong, onde temos um poder real, e Angel... minha esposa a essa altura... poderá me seguir duas ou três semanas depois.