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Acontecera há não muito tempo, logo depois que decidira obter sua exclusividade, e dissera à mama-san, Meikin, que partisse com ela para o Dente do Dragão, a fim de acertar tudo com sua esposa, o mais depressa possível — Hosaki julgara, de forma correta, que precisava se encontrar pessoalmente com a mama-san e Koiko, já que o compromisso financeiro seria enorme.

Meikin disse-lhe que seria preciso pelo menos uma semana para planejar a viagem, pois Koiko levaria sua cabeleireira, a massagista e três criadas.

— Ridículo! — protestara ele, impaciente. — Não há necessidade de tantas atendentes para uma viagem tão curta, e seria uma despesa desnecessária. Vocês duas partirão de imediato.

Elas haviam obedecido. E viajaram sem atendentes. Levaram três dias para chegar à primeira estação de posta, fora de Iedo, mais três dias até a seguinte. Furioso, ele percorrera a mesma distância, a cavalo, do amanhecer ao crepúsculo.

— Lorde Yoshi! — exclamara Meikin, cumprimentando-o efusiva, com uma surpresa simulada. — Que prazer vê-lo aqui!

— Por que tanta demora?

— Demora, Sire? Recebemos a ordem de partir imediatamente. Estamos fazendo o que mandou.

— Mas por que levaram tanto tempo para chegar aqui?

— Tanto tempo, Sire? Não nos ordenou uma marcha forçada.

— Terão de se apressar! — dissera ele, ríspido. — Avise a Koiko que desejo vê-la.

A mama-san fizera uma reverência e seguira apressada para os aposentos de Koiko, deixando-o a ferver de raiva. Ao voltar, ela anunciara, feliz:

— Koiko-san se sentirá honrada em recebê-lo, Sire, o mais depressa possível. Assim que puder arrumar uma criada conveniente para ajudá-la com os cabelos. Ela lamenta, mas seria impertinente recebê-lo sem os devidos preparativos que uma pessoa tão honrada e reverenciada esperaria, e acrescenta, humildemente: “Por favor, tenha a gentileza de esperar, serei tão rápida quanto for possível, assim que as criadas chegarem.”

Irritado, ele compreendera que teria de esperar, não importava o quanto insistisse Seu único recurso era irromper no quarto de Koiko e perder a classe, destruindo toda e qualquer possibilidade de tê-la outra vez à sua disposição.

Quem ela pensa que é? — Yoshi tivera vontade de gritar.

Mas não o fizera. Sorrira para si mesmo. Quando se compra uma espada excepcional, espera-se que seja feita do melhor aço, com o gume mais afiado, como se tivesse um fogo próprio. Ele acenara com a cabeça e dissera, com frieza:

— Mande trazer as criadas... assim como a cabeleireira e a massagista... de Iedo, o mais depressa possível. É culpa sua que não estejam aqui, pois deveria ter me dito como eram importantes para a dama Koiko. Ela está correta ao não me receber de maneira imprópria. Espero que isso nunca mais torne a acontecer!

Meikin o inundara de desculpas, fizera uma reverência abjeta, e ele rira por todo o caminho de volta a Iedo, tendo levado a melhor sobre as duas, fazendo com que ambas se humilhassem e dando uma advertência firme: Nunca mais tentem me manipular.

Os olhos de Koiko não se haviam desviado de seu rosto em momento nenhum, observando e esperando.

— Quando sorri, Sire, isso me deixa muito feliz.

— De que estou sorrindo?

— De mim, Sire. Creio que é porque o ajudo a rir da vida, e embora o tempo do Homem neste mundo seja apenas uma rápida caçada por abrigo, antes de a chuva cair, permite-me de vez em quando que lhe proporcione um abrigo contra a chuva.

— Tem razão — murmurou Yoshi, satisfeito. Se deixá-la aqui, não a verei por semanas, e a vida é apenas uma flor de cerejeira, exposta a um vento instável, que não conhece amo... minha vida, a vida de Koiko, toda e qualquer vida. — Não quero deixá-la aqui.

— Será bom voltar para casa.

Em seu coração secreto, ele pensou em Meikin. Não esqueci que ela é uma informante shishi, assim como sua criada. Foi uma estupidez da mama-san expor você ao perigo, possibilitar o risco de eu pensar que você também faz parte dessa escória assassina.

Algumas de suas criadas sabem cavalgar, Koiko?

— Não sei, Sire. Imagino que pelo menos uma deve saber.

Se você fosse comigo, teria de ir a cavalo também, com apenas uma criada, e viajar sem bagagem, pois um palanquim me atrasaria. Mas posso dar um jeito Para que viaje sem pressa, com todas as criadas, se assim preferir.

Obrigada, mas já que me prefere em sua companhia, sua preferência também é a minha. Se eu me tornar um fardo, poderá então decidir com a maior facilidade. Agradeço a honra de ter me chamado.

— Mas há alguma criada, uma criada aceitável, que possa acompanhá-la a cavalo? Se não houver, você pode partir depois, o mais depressa que for possível.

Mais uma vez, ele oferecia a Koiko a oportunidade de recusar de uma forma graciosa, sem ofensa.

— Há uma, Sire — respondeu ela, num súbito impulso. — Uma nova maiko, não chega a ser uma criada, mas uma aprendiz, e um pouco mais. Seu nome Sumomo Fujahito, filha de um goshi de Satsuma, pupila de um velho amigo, um cliente que foi bom para mim há muitos anos.

Ele escutou, enquanto Koiko falava sobre Sumomo. Era muito bem versado nos costumes do mundo flutuante para indagar sobre o outro cliente. Intrigado, ele mandou chamar a moça.

— Quer dizer que seu pai desaprova seu futuro casamento?

— Sim, lorde.

— É imperdoável não obedecer aos pais.

— Sim, lorde.

— Vai lhes obedecer.

— Sim, lorde. — Ela fitou-o, sem medo. — Já disse a eles, humildemente, que obedecerei, mas que morrerei antes de casar com qualquer outro homem.

— Seu pai deveria tê-la internado num convento por tal impertinência.

Depois de uma pausa, Sumomo murmurou:

— Sim, lorde.

— Por que está aqui, em Quioto, e não em sua terra?

— Eu... fui enviada para ser retreinada por meu guardião.

— Ele tem feito um trabalho ruim, não é?

— Sinto muito, lorde.

Ela inclinou a cabeça para o tatame, polida, com graça, mas Yoshi tinha certeza que sem qualquer penitência. Por que desperdiçar meu tempo? — pensou ele. Talvez porque eu esteja acostumado com a obediência absoluta de todos, exceto Koiko, que deve ser manobrada como um barco instável num vento forte, talvez porque possa ser divertido controlar essa jovem, treiná-la para o punho como o falcão-peregrino implume que ela parece ser, usar seu bico e garras para os meus propósitos, não para o seu lorde de criação Oda.