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— Como assim?

— Posso?

Gornt apontou para a garrafa de champanhe.

— Claro. Sente-se e explique.

— Ele precisa da aprovação do almirante para embarcar na Pearl e esse é p mo...

— Mas do que está falando?

— Ouvi-os por acaso, conversando em particular... eles saíram depois do jantar. Eu olhava alguns quadros ali perto... tinha notado duas obras de Aristotle Quance... e escutei o que diziam. — Gornt relatou quase que palavra por palavra. — Ao final, Ketterer disse: “Vamos ver o que você pode fazer em dez ou quinze minutos”

— Isso foi tudo? Nada sobre o que há a bordo, o que há de tão importante na Pearl?

— Não, senhor.

— Estranho, muito estranho. O que poderia ser?

— Não sei. Toda a noite foi estranha. Durante o jantar, percebi Struan olhando na direção do almirante por várias vezes, mas nunca seus olhos se encontraram. Era como se o almirante evitasse deliberadamente, mas sem ser óbvio demais. Foi isso que despertou minha curiosidade, senhor.

— Onde o almirante estava sentado?

— Ao lado de Angelique, no lugar de honra, à sua direita, com Sir William no outro lado. Deveria ser o contrário... outro fato curioso. Fiquei ao lado de Marlowe, que contemplava Angelique extasiado, e falou sobre assuntos navais, tudo muito aborrecido, nada sobre qualquer viagem amanhã, embora eu tenha a impressão de que Struan já planejara tudo, na dependência da aprovação do almirante. Depois que o almirante foi embora, puxei conversa com Marlowe sobre amanhã, mas ele disse apenas: “Talvez eu faça uma pequena viagem experimental, meu caro, se o Velho aprovar. Por que pergunta?” Expliquei que gostava de navios e indaguei se podia ir também. Ele riu, disse que arrumaria uma viagem para mim no futuro, e depois se retirou também.

— Nada sobre Struan e a moça?

— Não, senhor. Mas Marlowe não despregava os olhos dela.

— Por causa dos peitos dela. — Norbert soltou um grunhido. — Quando Struan fez o comunicado, o que aconteceu?

— Primeiro, houve silêncio, depois o pandemônio, perguntas, algumas risadas, umas poucas vaias. Marlowe e os outros oficiais da marinha aplaudiram, em meio a muitas manifestações de raiva. McFay empalideceu, Dmitri quase cuspiu, Sir William ficou olhando para Struan, balançou a cabeça, como se o pobre coitado fosse alvo de compaixão. Concentrei-me em Ketterer. Ele não deixou transparecer coisa alguma, não disse nada a Struan, além de murmurar um “Interessante”, levantou-se em seguida, agradeceu o jantar e foi embora. Struan fez menção de detê-lo, começou a perguntar por amanhã, mas o almirante não ouviu, ou fingiu que não ouvia, e saiu, deixando Struan trêmulo. Ao mesmo tempo, senhor, todos falavam, e ninguém escutava, como em um mercado chinês, não poucos furiosos, gritando com Struan que ele era louco, e como podíamos continuar no comércio... sabe como é, o óbvio e a verdade.

Norbert esvaziou seu copo. Gornt pegou a garrafa para servi-lo de novo, mas ele sacudiu a cabeça.

— Não gosto de tomar muito champanhe de noite, pois me faz peidar. Sirva-me um scotch... a garrafa está ali. — O ali era um aparador, de carvalho, escalavrado pelo tempo, com um velho relógio marítimo em cima. — O que há a bordo da Pearl que ele tanto deseja?

— Não sei.

— O que Struan fez depois que Ketterer saiu?

— Apenas sentou, tomou um drinque grande, com o olhar perdido no espaço, murmurou boa noite, distraído, quando as pessoas começaram a se retirar, sem prestar qualquer atenção a Angelique, outro fato esquisito. Quanto a ela, apenas observava tudo de olhos arregalados, deixando de ser por uma vez o centro das atenções, sem entender o que acontecia, o que me leva a supor que Struan nada lhe confidenciara. Achei melhor vir correndo lhe dar a notícia, e por isso não fiquei por mais tempo.

— Falou sobre um segredo, não é mesmo? Que segredo? Por que a megera da Tess Struan concordaria em cometer um suicídio comercial?

— Por causa do plano de Sir Morgan, senhor.

— Como?

— Sir Morgan. — Gornt exibiu um sorriso largo. — Antes de nossa partida de Xangai, Sir Morgan me disse, em particular, que ele e o Sr. Brock haviam planejado e estavam executando um esquema para arruinar a Struan, e acabar com a companhia de uma vez por todas. Contou que o plano envolvia o açúcar havaiano, o Victoria Bank, e...

— O quê? — Norbert estava surpreso, lembrando que Sir Morgan dissera expressamente que não revelara a Gornt nenhum detalhe do golpe, e não queria que ele soubesse de nada, “embora o rapaz seja de confiança, e não haja mal algum em deixá-lo se insinuar no círculo de Struan para ver o que pode descobrir”. — Morgan contou os detalhes? Explicou a operação?

— Não, senhor. Pelo menos só me disse o que tinha de transmitir a Struan, tão secretamente quanto possível.

— Por Deus! — exclamou Norbert, exasperado. — É melhor você começar desde o início.

— Ele disse que eu não deveria lhe contar nada sobre a minha participação até que o consumasse, até fazer tudo o que me mandou. E consegui. Conquistei a confiança de Malcolm Struan, por isso agora posso contar. — Gornt tomou um gole do champanhe. — Excelente champanhe, senhor.

— Fale logo!

— Sir Morgan me mandou contar uma série de histórias a Malcolm Struan... disse que eram bem próximas da verdade, para fisgar Struan, e por seu intermédio a verdadeira tai-pan, Tess Struan. E posso quase garantir, senhor, que o último tai-pan Struan ficou firmemente fisgado. — Em poucas palavras, Gornt relatou a substância do que dissera a Malcolm Struan. Ao final, soltou uma risada e acrescentou: — Devo lhe fornecer “os detalhes secretos” depois do duelo, a caminho de seu navio.

— O que dirá a ele?

O homem mais velho escutou com toda atenção. Conhecendo os detalhes verdadeiros, sentiu-se fascinado ao ouvir mais da astúcia de Morgan. Se Tess Struan agisse sob aquelas falsas informações, proporcionaria a Sir Morgan as poucas semanas extras que ele queria.

— Mas já é infalível agora, Sir Morgan — dissera Norbert em Xangai, ao tomar conhecimento do plano —, não precisa de tempo extra. Posso fazer minha parte em Iocoama antes do Natal.

— Sei que pode e o fará. Mas papai e eu gostamos de ser mais seguros do que seguros; o tempo extra manterá nossos pescoços longe do laço e nossos rabos fora da prisão.

Norbert reprimiu um tremor ao pensamento de ser apanhado. Não haveria o laço do carrasco, mas a prisão por fraude era mais do que provável e a cadeia dos devedores uma certeza. Sir Morgan é mesmo um patife astuto, é típico dele me dizer uma coisa e outra a Gornt. Ele me salvou de um risco, o de matar Struan. Portanto, será a Inglaterra para mim, com cinco mil por ano, mas perco o melhor, um solar, ficar rico. Melhor seguro do que arrependido depois.

Ele suspirou. Aguardava ansioso a oportunidade de meter uma bala em Malcolm e colher o creme. As palavras do velho Brock estavam gravadas em sua memória: