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— Por quê?

— Estou deduzindo, pelas informações que Tyrer obteve de seu samurai domado Nakama... Henri, o japonês de Tyrer é espantosamente bom para o pouco tempo em que ele se encontra aqui. Tyrer possui uma aptidão extraordinária, e por isso devemos observá-lo com atenção, reforçar os laços de amizade. Tyrer descobriu que não há nenhum amor perdido entre esse Anjo e Toranaga Yoshi, que é um aristocrata como você, enquanto Anjo é mais um plebeu.

Divertira-o ver Seratard estufar com a lisonja... e não era mais aristocrata do que ele.

— Secretamente, encorajamos os britânicos a esmagar Anjo, enquanto nos distanciamos no último momento do conflito real, e ao mesmo tempo cultivamos Yoshi, como uma política nacional urgente e sigilosa. Vamos convertê-lo em aliado, devemos fazer isso, e depois, por seu intermédio, jogaremos os britânicos de volta ao esgoto, e controlaremos a presença estrangeira aqui.

— Como faríamos isso, André? Como podemos cultivá-lo?

— Deixe tudo comigo. — Ele apostava de novo que, através de Raiko, fornecendo a ela informações importantes, assim como dinheiro, poderia fazer os contatos certos para se aproximar de Yoshi. — Ele será nossa chave para abrir o Japão. Teremos de investir algum dinheiro, não muito. Mas no bolso certo...

Ele fizera uma pausa, soltara uma risadinha.

— Garanto o sucesso. Ele será nosso cavaleiro da reluzente armadura. Vamos ajudá-lo a se tornar Sir Galahad para arruinar os planos do rei Arthur de Wee Willie.

Por que não, ele disse a si mesmo, mais uma vez, parado ali, com Tyrer, outra peça essencial no tabuleiro de xadrez do domínio francês na Ásia. Phillip vai...

Por Deus! Ele quase explodiu quando a idéia incrível aflorou em sua mente: Se Struan morrer no duelo, e Angelique se tornar uma carta livre, ela poderia vir a ser uma Guinevere para esse japonês Yoshi? Por que não? Talvez ele apreciasse uma iguaria diferente. Através de Raiko, quem sabe se Angelique... pois ela ficaria perigosamente sem recursos e com isso seria vulnerável.

André riu, pôs a idéia de lado, como inebriante demais para considerar naquela noite.

— Phillip — disse ele, querendo que o inglês o considerasse seu melhor amigo —, se pudermos ajudar nossos superiores a chegar a uma solução definitiva e a pusermos em prática... o que acha disso?

— Seria maravilhoso, André!

— Um dia você será o embaixador aqui.

Tyrer riu.

— Não diga bobagem.

— Falo sério. — Apesar do fato de que sempre estariam em lados opostos e de sua necessidade de influenciá-lo, ele gostava sinceramente de Tyrer. — Dentro de um ano, você estará falando e escrevendo um japonês fluente, terá a confiança de Wee Willie, e contará com seu trunfo, Nakama, para ajudá-lo. Por que não?

— Por que não? — repetiu André, sorrindo. — É uma idéia agradável para encerrar uma noite. Bons sonhos, André.

Quase ninguém na colônia dormia tão contente quanto Angelique — a bomba lançada por Struan naquela noite, somada à ansiedade pela guerra iminente, no Japão e na Europa, manteve a maioria acordada.

— Como se não fosse suficiente ter de me preocupar com a nossa própria guerra civil — murmurou Dmitri para seu travesseiro, na profunda escuridão de seu quarto, no prédio da Cooper-Tillman.

As notícias que chegavam dos Estados Unidos eram cada vez piores, qualquer que fosse o lado que se apoiasse, e ele tinha parentes tanto no Sul quanto no Norte.

As baixas eram terríveis nos dois lados, havia pilhagens e incêndios, atrocidades, brutalidades, corrupções, tragédias monstruosas. Um tio escrevera de Maryland para informar que cidades inteiras eram incendiadas e saqueadas pelos guerrilheiros de Quantrill, do Sul, e pelos Jayhawkers, do Norte, e que os homens mais importantes do Norte haviam comprado para si mesmos e para seus filhos, legalmente, a isenção do serviço militar: A guerra está sendo travada pelos pobres, os desnutridos, os mal equipados. É o fim de nosso país, Dmitri...

Seu pai escrevera de Richmond, dizendo a mesma coisa: Não restará mais nada se a guerra se prolongar por outro ano. Absolutamente nada. É terrível ter de lhe contar, meu filho querido, mas seu irmão Janny foi morto na segunda batalha de Buli Run, pobre rapaz, nossa cavalaria foi dizimada, houve uma carnificina...

Dmitri revirava-se na cama, tentando pôr de lado o sofrimento de sua nação, mas não conseguia.

No clube, ainda havia discussões ruidosas e embriagadas entre os poucos mercadores que ainda se encontravam no bar. Uns poucos oficiais do exército e da marinha, Tweet e outros sentavam-se às mesas espalhadas pela sala, tomando o último drinque da noite.

Perto da janela, o conde Zergeyev e o recém-chegado ministro suíço, Fritz Erlicher, sentavam-se a uma mesa. O russo escondia seu divertimento e inclinou-se por cima dos copos de porto.

— São todos tolos, Herr Erlicher — disse ele, acima do burburinho.

— Acha que o jovem Struan pretende mesmo fazer o que disse?

— Ele falou sério, mas resta saber se essa política será ou não implementada. — Falavam em francês e Zergeyev explicou o conflito entre mãe e filho na Struan. — É esse o rumor atual, ela controla tudo, embora ele tenha o título legalmente.

— Se for implementada, seria bom para nós.

— Ah! Tem uma proposta?

— Uma idéia, conde Zergeyev.

Erlicher desfez o nó da gravata, passou a respirar com mais facilidade. O ar no clube era enfumaçado e abafado, o cheiro de cerveja e urina intenso, e a serragem no chão precisava ser trocada.

— Somos uma nação pequena e independente, com poucos recursos, mas com muita coragem e habilidade. Os britânicos, por quem vocês não sentem o menor amor, monopolizam a maior parte da fabricação de armamentos e a venda por toda a Europa... embora a fábrica de Krupp pareça promissora. — O homem barbudo e corpulento sorriu. — Soubemos que a Mãe Rússia possui substancial interesse nessa fábrica.

— Você me espanta.

Erlicher riu.

— Espanto a mim mesmo às vezes, Herr conde. Mas eu queria mencionar que dominamos os fundamentos da fundição de canhões e outras armas. Em particular, posso informá-lo que estamos negociando com a Gatling para fabricar sua metralhadora, sob licença. Já temos condições de abastecê-los com quaisquer armas que possam precisar, a longo prazo.

— Obrigado, meu caro senhor, mas não precisamos disso. O czar Alexandre II é um reformador, amante da paz, no ano passado emancipou nossos escravos, e este ano iniciou a reforma do exército, marinha, burocracia, judiciário, educação, de tudo enfim.

Erlicher sorriu.

— E, enquanto isso, ele preside a maior conquista territorial da história, subjugando mais povos do que qualquer outro soberano, à exceção de Genghis Khan e suas hordas mongóis. Genghis avançou para oeste... — O sorriso se alargou. — ...enquanto as hordas do seu czar espalham-se para leste. Por todo o continente! Imagine só! Por todo o continente, até o mar, através da Sibéria, até a península de Kamchatka. E isso não é o fim, não é mesmo?