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— Claro. Vai ficar no Yokohama Arms?

— Nada disso... não quero saber da cidade dos bêbados — respondeu Cornishman, desdenhoso. — Vou voltar com classe e você vai manter tudo em segredo, mnguém deve saber do nosso negócio... não quero nenhum filho da puta me atacando pelas costas para me roubar.

Ele começou a se retirar.

— Espere um pouco! Para onde vai? Como posso entrar em contato com você?

— Voltarei para pegar o que é meu, companheiro. — O garimpeiro tornou a mostrar as gengivas, em seu sorriso insidioso. — Meus samurais e meu palanquim estão esperando lá fora, junto ao portão norte. Vim para cá sozinho, na maior discrição. Mas na próxima vez que voltar, será como um cavalheiro, e não quero mais saber da porra da cidade dos bêbados. Não terá mais nenhum contato comigo, acertará tudo com esse sujeito do papel. Sou agora um mercador respeitável, caso tenha esquecido. Não deixe de mandar o mercúrio na barcaça.

Ele saiu. Por um longo tempo, Jamie ficou olhando para as paredes, analisando a conversa. Um suprimento confíável de carvão seria maravilhoso, mas acabaria quando a esquadra bombardeasse Iedo. E por que o mercúrio? Será que o patife acertou na sorte grande? E quem é o verdadeiro chefe? Por falar nisso, quem é o meu chefe?

A chuva tamborilava na janela. Ele se levantou, correu os olhos pela baía, numa avaliação crítica. O mar exibia um cinza mais sujo do que antes, as nuvens estavam mais baixas. Não restava a menor dúvida de que a tempestade seria ruim para o cúter, mas não para um navio. Ah, lá está ele!

O cúter da companhia se encontrava a cerca de duzentos metros do cais, avançando contra as ondas, alguma água passando por cima das amuradas, mas não muito, os borrifos levantados pela proa substanciais, a bandeira da Struan a meio mastro... como estivera a bandeira por cima do prédio desde a morte do tai-pan. Ele deixara o binóculo no peitoril da janela. Pegou-o, focalizou o cúter, avistou Hoag e Pallidar na cabine, o caixão coberto por uma bandeira, preso a um dos bancos, como ordenara. Experimentou uma pontada de angústia ao ver o leão e o dragão entrelaçados em torno do caixão de Malcolm... uma cena que nunca imaginara que contemplaria. E depois se lembrou de que não era o caixão de seu amigo, mas sim de algum nativo desconhecido ou, pelo menos, era o que esperava.

— Vargas!

— Pois não, senhor?

— Leve esta correspondência, copie e lacre... despacharei o resto esta tarde.

— O capitão Biddy não estava no clube, senhor, mas era esperado. Deixei um recado.

— Obrigado.

Sem pressa, Jamie pôs o casaco e o chapéu e saiu para a rua, inclinando-se inclinando-se contra o tangido pela chuva. Era praticamente a única pessoa na High Street. Não avistou Cornishman na área do portão norte. Uns poucos guardas samurais se agrupavam ao abrigo do prédio da alfândega. Alguns mercadores seguiam apressados para o clube e um almoço tardio. Uns poucos acenaram. Um deles parou, urinou na sarjeta. Ao sul, a cidade dos bêbados parecia ainda mais miserável sob o céu nublado. Este não é um lugar para uma mulher, pensou ele.

— Ei, Jamie! — gritou Hoag, do cúter.

— Olá, doutor, olá, Settry.

Eles subiram para as tábuas alcatroadas, as estacas cravadas no leito do mar rangendo ao impacto das ondas. Um olhar para Hoag foi o suficiente para saber que a troca fora consumada, por mais que o atarracado médico simulasse indiferença. Portanto, estamos agora comprometidos. Pallidar teve um acesso de tosse.

— Settry, é melhor você dar um jeito nisso, antes que se transforme em coisa pior.

— Já tentei. Esse suposto médico me deu uma poção que deve me matar. — Pallidar teve outro acesso de tosse. — Doutor, se eu piorar, você vai se danar.

Hoag soltou uma risada.

— Uma dose dupla de grogue quente hoje, e amanhã você estará tão bom quanto a chuva. Tudo bem por aqui, Jamie?

— Tudo.

— Estou lhe entregando a responsabilidade sobre o caixão, Jamie — disse Pallidar. — Vai seguir logo para bordo do Cloud?

— Dentro de meia hora. Angelique queria... se despedir. O reverendo Tweet acrescentará algumas palavras.

— Quer dizer que ela não vai mesmo viajar no clíper?

— Não sei, Settry, não com certeza. Pela última informação, ela partiria no navio de correspondência, mas sabe como são as mulheres.

— Não a culpo. Voltar para aquele clíper também me deixaria arrepiado. — Pallidar assoou o nariz, aconchegou-se ainda mais no sobretudo. — Se quiser, posso pedir a Sir William para enviar o caixão pelo navio de correspondência, e assim chegariam juntos.

— Não! — exclamou Hoag, com veemência demais, na opinião de Jamie, mas logo recuperou o controle. — Não, meu caro Settry, eu não recomendaria isso, por razões médicas. É melhor manter os arranjos atuais, o caixão no Prancing Cloud. Angelique está bem agora, mas um choque súbito poderia empurrá-la de volta a um pesadelo. É melhor ela seguir no navio de correspondência e o caixão no clíper.

— Como quiser. Jamie, vou recomendar a William para fecharmos Kanagawa imediatamente. Foi por isso que voltei.

— Mas por quê?

Pallidar falou sobre as patrulhas e os numerosos samurais ao redor.

— Não há motivo para preocupação. Podemos liquidar todos eles. Se permitissem que o cúter me levasse de volta, pouparia um bom tempo.

— Por que não vai também na ida até o Prancing Cloud? Depois, o cúter levaria direto. Vai passar a noite em Kanagawa?

— Não. Já vi o suficiente e quero apenas buscar meus homens — informou Pallidar, para alívio dos dois. — Os escriturários e demais guardas podem sair de fános próximos dias. Até mais tarde.

Ele se afastou, tossindo. Mal deixara a distância de ouvir quando Hoag anunciou:

— Tudo transcorreu sem problemas, Jamie.

— Não agora, pelo amor de Deus!

Apesar do frio e umidade, Jamie suava bastante. Seguiu na frente pela High Street, parou ao abrigo de um bangalô, a salvo de outros ouvidos.

— O que aconteceu?

— Saiu tudo perfeito. Esta manhã, assim que o cúter chegou, nós fomos para o necrotério e...

— Nós quem?

— Settry, o sargento Towery, o contramestre, e dois tripulantes. Estendemos e prendemos a bandeira no caixão e eles o levaram para o cúter. O outro nos espera esta noite ou mais tarde... supostamente à espera para a cremação. — Hoag olhou para o mar, contra a chuva. — Não há a menor possibilidade esta noite, não é mesmo?

— Não. Mas acho que a tempestade já terá passado pela manhã.

— Ainda bem. — Hoag esfregou as mãos, contra o frio. — Tudo correu como um sonho. Só houve um problema, o nativo era pequeno, pele e ossos, por isso enchi o caixão de terra, para compensar a diferença no peso.