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— Eu gostaria que eles se apressassem — murmurou Angelique, o nervosismo começando a abalar sua determinação. — O que os está retardando?

— Não teremos de ir muito longe, assim não deverá haver problemas — comentou Skye, inquieto.

O cúter balançava gentilmente. Os homens usavam cartola, suéter e sobrecasaca, Angelique o seu traje de montaria verde-escuro e botas, o mais apropriado para uma viagem de barco.

Por cima da cabine ficava a pequena e envidraçada casa do leme. O contramestre apoiava-se no peitoril de uma das janelas abertas, fumando um cachimbo, um homem com bastante experiência no mar para não fazer perguntas. Jamie McFay limitara-se a lhe dizer:

— Quero o cúter no cais bem cedo, com uma carga completa de carvão, apenas você e um foguista de confiança.

Era o suficiente para ele. O resto saberia em breve, por que pessoas sensatas queriam sair ao mar num dia como aquele, quando os marujos sensatos preferiam ficar em terra.

— Lá está ele! — gritou Skye, soltando uma imprecação, sem perceber que o fazia.

Jamie estava sozinho, aproximava-se apressado pela High Street. Os transeuntes o cumprimentavam, franziam o rosto, seguiam adiante. Ele entrou no cúter. Fechou a porta da cabine.

— Tweet mudou de idéia — anunciou ele, o peito arfando.

— Mas que desgraçado! Ele não havia concordado?

Skye estava revoltado. Junto com Jamie, haviam concluído que a melhor história a contar era a de que um pescador cristão morrera em Kanagawa, depois de pedir para ser sepultado no mar, numa cerimônia que ele oficiaria. O resto poderia ser revelado mais tarde. E haveria uma contribuição por seus transtornos.

— Ele disse que não com este tempo — explicou Jamie, ofegante da pressa e frustração. — Tentei por todos os meios convencê-lo, mas ele se manteve intransigente: “O sujeito está morto, amanhã ou depois não será problema para ele, faz um tempo horrível, provavelmente não conseguiríamos voltar antes do escurecer... e eu tinha esquecido o jantar de Lunkchurch. Amanhã, depois do serviço, ou ainda melhor, na segunda-feira.” Que desgraçado!

Jamie respirou fundo outra vez.

— E nós já tínhamos combinado tudo! Angelique sentiu uma vertigem de desapontamento.

— Padre Leo! Vou pedir a ele. Tenho certeza que me atenderá.

— Não há tempo, Angelique, não agora. Além do mais, Malcolm não era católico, não seria apropriado.

— Maldito Tweet! — disse Hoag, furioso. — Teremos de adiar. O mar está perigoso, talvez seja melhor assim. Não podemos tentar amanhã?

Todos olharam para Angelique. Jamie disse:

— Tweet não é confiável, pode querer adiar até segunda-feira... e de qualquer maneira há o problema do navio de correspondência, que não esperará além de meio-dia.

Ele pedira ao comandante para protelar a partida, mas o navio já tinha algum atraso, e Biddy dissera que era o máximo que podia fazer.

— Temos de embarcar, não pode haver a menor dúvida quanto a isso — declarou Hoag. — Angelique deve comparecer ao funeral em Hong Kong.

— Eu me oponho — interveio Heavenly. — Mas se ela for, irei também.

— Padre Leo — insistiu Angelique. — Falarei com ele.

— Não seria conveniente — protestou Jamie. — Há uma outra solução, Angelique. Um sepultamento no mar não exige um capelão. Um capitão de navio pode celebrar o serviço, assim como Marlowe oficiou seu casa...

Ela recuperou a esperança.

— Pediremos a John! Depressa, vamos...

— Não será possível. Já verifiquei. Ele está na nave capitânia, reunido com Ketterer. Angelique, sou o capitão desta embarcação, tenho uma carta de navegador, embora antiga, e já testemunhei inúmeros sepultamentos no mar para saber o que fazer. Nunca fiz isso antes, mas não importa. Temos testemunhas. Se você quiser, posso oficiar... seria legal.

Ele viu a confusão de Angelique e olhou para Skye.

— Heavenly, não é legal? Pelo amor de Deus, é ou não é?

— Seria legal.

O nervosismo de Skye aumentou, quando uma onda, maior do que as outras, bateu no lado da embarcação. Hoag também estava assustado. Jamie tornou a respirar fundo.

— Angelique, toda essa idéia do sepultamento é bizarra, para dizer o mínimo e um pouco mais não fará mal nenhum a Malcolm. Trouxe uma Bíblia e o exemplar dos regulamentos navais. Tive de ir buscá-los, foi por isso que me atrasei. O que diz?

Em resposta, ela abraçou-o, as lágrimas escorrendo pelas faces.

— Vamos começar. Por favor, Jamie, depressa.

Jamie McFay apertou-a, achando muito agradável a proximidade. Skye indagou:

— E o contramestre e o foguista?

Jamie respondeu rispidamente:

— Já disse que cuidarei deles!

Ele desvencilhou-se, com toda gentileza, abriu a porta da cabine e gritou:

— Contramestre, vamos zarpar! Siga para Kanagawa!

— Pois não, senhor.

Contente por uma decisão ter sido tomada, o contramestre levou a embarcação para o mar, seguindo para o norte, a caminho da praia no outro lado. As ondas balançavam o cúter, desviavam-no do curso, mas não muito, o vento ainda dentro dos limites razoáveis, o céu prometendo não se tornar pior do que antes. Cantarolar uma canção do mar fê-lo se sentir melhor. Jamie logo foi ao seu encontro.

— Siga para o cais da legação. Vamos trazer um caixão para bordo... — Ele viu o contramestre morder com força o cachimbo. — Um caixão. Depois, sairemos pelo mar por uma légua, até águas profundas, e o sepultaremos. Teremos uma cerimônia, e você vai participar, junto com seu foguista. Alguma pergunta?

— Eu, senhor? Nenhuma.

Jamie acenou com a cabeça, tenso, e tornou a descer. Os outros não disseram nada, observando a linha da costa, com Kanagawa bem na frente.

Na casa do leme, o contramestre pegou o tubo de comunicação de metal, ao lado do timão, e berrou para o foguista lá embaixo, na casa de máquinas:

— Toda força à frente, Percy!

O barracão ficava no lugar que Hoag indicara, a fácil alcance do cais. O caixão fora deixado num banco de madeira. Skye, Hoag, o contramestre e o foguista levantaram-no com facilidade, cada um pegando num canto. Depois que eles saíram, Jamie fechou a porta e seguiu-os. Achara que era melhor para Angelique permanecer na cabine. Uns poucos pescadores e aldeões passaram por eles, fizeram reverências e se afastaram apressados, não querendo qualquer proximidade com os gai-jin. Foi mais difícil manobrar o caixão para bordo. O convés subindo e descendo, escorregadio da água do mar, era perigoso.

— Esperem um pouco — balbuciou o foguista. — Deixem-me embarcar primeiro.