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— E tinha toda razão, esse encontro pode ser muito importante... Nakama ou Hiraga, qualquer que seja o seu nome, não é. Phillip, isso já entrou na sua cabeça?

— Já, sim, senhor. Desculpe.

Babcott inclinara-se, baixara a voz:

— Talvez seja uma boa idéia não entregar Nakama até voltarmos... para qualquer emergência.

Sir William fitara-o nos olhos, tal possibilidade projetando a consulta médica para um novo nível.

— Está querendo dizer que eles podem tentar retê-lo? Como um refém? Aos dois?

Babcott dera de ombros.

— Nakama é importante para ele e não há mal nenhum em ser precavido, não é?

Sir William franzira o rosto.

— Espero que voltem amanhã.

Ele ficara observando-os até que todos sumissem de vista e, depois, voltara à sala de audiência. No mesmo instante, o almirante explodira:

— Nunca ouvi tanta conversa fiada em toda a minha vida! Construir uma marinha para eles? Perdeu completamente o juízo?

— Não cabe a nós decidir sobre isso, meu caro almirante — dissera Sir William, sem perder a calma. — É uma atribuição do Parlamento.

— Ou, mais provável, do imperador Napoleão — dissera Seratard, incisivo.

— Duvido muito, meu caro senhor. — O almirante tinha o rosto e o pescoço roxos. — Os assuntos navais estrangeiros são da competência da marinha real; qualquer interferência francesa em áreas de influência britânica será tratada com o rigor necessário.

— É isso mesmo — dissera Sir William, alteando a voz para se sobrepor ao dois, pois o rosto de Seratard também ficara roxo e ele fazia menção de responder com veemência. — De qualquer forma, seria uma decisão política. De Londres e Paris.

— A política que se dane! — exclamara o almirante, as bochechas tremendo de raiva. — Uma dúzia de nossos melhores navios de guerra nas mãos desses selvagens, quando vemos o que eles são capazes de fazer com duas espadas? Eu me oponho totalmente!

— E eu também — declarara Sir William, a voz ainda calma —, e é o que vou recomendar.

— Como?

— Concordo com a sua posição. Uma decisão desse porte cabe ao almirantado ajudado pelo Ministério do Exterior. O mesmo em Paris. Não há nada que possamos fazer, além de relatar tudo a nossos superiores. Você deve também agir assim. Graças a Deus, as autoridades japonesas finalmente aprovaram nosso direito de tomar a iniciativa de agir contra partes culpadas. Não concorda, almirante?

— Se está falando sobre sua proposta e desavisada expedição punitiva, aqui, ali, em qualquer lugar, ainda não foi aprovada pelo almirantado, portanto não conta com a minha aprovação. E sugiro que voltemos para a Pearl, antes que a chuva comece...

Sir William suspirou, olhou por uma das vigias da sala dos oficiais. A chuva parara por um momento, o mar ainda tinha cor de chumbo, mas seu espírito se tornara animado. Tinha o dinheiro da indenização, não havia necessidade agora de arrasar Iedo e através desse Yoshi ajudaremos a modernizar o Japão, refletiu ele. Arrumaremos um lugar feliz para o Japão na família de nações, tão feliz para eles quanto para nós. E é melhor que sejamos nós a fazer isso, incutindo as virtudes britânicas, do que os franceses, implantando as francesas, embora seus vinhos e atitudes em relação à comida e fornicação sejam muito superiores aos nossos.

Mas é isso mesmo. Exceto na fornicação, os japoneses serão beneficiados. Nisso, a atitude deles é sem dúvida superior. Uma pena que não possamos importá-la para a nossa sociedade, mas a rainha nunca admitiria. Uma coisa lamentável, mas é a vida. Teremos de nos contentar por abençoarmos a nossa sorte de viver aqui... depois que os civilizarmos.

— Henri, vamos respirar um pouco de ar fresco.

Ele sentiu-se contente ao voltar ao convés. O vento estava impregnado de maresia, forte e firme, a fragata sob vela agora, numa velocidade admirável. Marlowe se encontrava na ponte de comando... os oficiais e marujos nas proximidades contrafeitos pela presença do almirante, sentado lá em cima, com uma cara azeda, encolhido em seu capote.

— Pelo amor de Deus Marlowe, leve-a para mais perto do vento!

— Pois não, senhor.

Sir William não era um especialista, mas a ordem parecia pedante e desnecesária. Mas que desgraçado! Ainda assim, não posso culpá-lo por querer a confiracão das ordens, pois é seu pescoço que está em jogo, se alguma coisa sair errada.

Quando a fragata assumiu um novo curso, ele apertou as mãos na amurada. Amava o mar, se integrar nele, ainda mais no convés de um navio de guerra britânico, orgulhoso dos navios do império dominarem os mares, tanto quanto quaisquer navios podiam reinar sobre as ondas. Ketterer está certo ao não querer criar outra marinha, pensou Sir William, não com estes homens... afinal, as marinhas francesa, americana e prussiana já constituem problemas suficientes.

Ele olhou para a popa.

Ali, além do horizonte, ficava Iedo. Iedo e Yoshi prenunciavam problemas, por qualquer ângulo que se olhasse, qualquer que fosse o futuro róseo que ele prometia. À frente, ficava Iocoama. Mais problemas ali, mas não importa, porque esta noite Angelique será minha companheira ao jantar... fiquei contente por ela não ter partido, mas ainda não entendi o motivo. Isso não deixa o jogo ainda mais nas mãos de Tess Struan?

É estranho pensar em Angelique sem Malcolm Struan. Lamentável que ele tivesse tanto azar, mas agora ele se foi, e nós continuamos vivos. Joss. Quem será o tai-pan agora? O jovem Duncan tem apenas dez anos, o último dos meninos Struans. Terrível para Tess, mais tragédia para suportar. Não ficaria surpreso se isso a liquidasse. Sempre a admirei por sua coragem, carregando a carga de Culum e dos Brocks, para não falar de Dirk Struan.

Bom, fiz o melhor que podia por Tess, e também por Malcolm... vivo e morto. E por Angelique. Quando ela for embora, deixará um vazio aqui que não será preenchido com facilidade. Espero que ela recupere a juventude que perdeu, o que é outra tristeza, mas tem toda uma vida pela frente... se estiver ou não esperando uma criança de Malcolm. As apostas ainda são meio a meio.

Ordens na ponte de comando atraíram sua atenção por um momento, mas não era nada urgente, apenas acrescentar mais velas. O vento zumbia. A fragata aumentou a velocidade. Faltava uma hora para chegarem ao ancoradouro. E duas horas para o pôr-do-sol. Tempo suficiente para deter Nakama antes do jantar.

O pôr-do-sol foi apenas uma redução da claridade, o sol morrendo por trás de uma camada de nuvens, lamentando a perda do dia. Hiraga disse ao grupo de pescadores:

— Aquele barco servirá... sem os equipamentos de pesca, mas os remos e a vela estão incluídos.

Ele estava na praia perto da cidade dos bêbados e pagara ao dono o que fora pedido, sem regatear, ainda relutando em perder a honra por negociar, embora já soubesse agora — o que lhe fora incutido por Mukfey — que era enganado, o homem cobrara demais e riria dele, junto com seus companheiros, assim que se afastassem. Sabia também que era o culpado por isso, já que se vestia como um gai-jin, sem as suas espadas.