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Arya mordeu o lábio.

— Eu serei como ela?

— Não — ela disse. — Não, a menos que você deseje. São os venenos que fizeram ela do jeito que você a vê.

Venenos. Ela entendia então. Toda noite depois da oração à órfã esvaziava um frasco de pedra dentro das águas da piscina negra.

A órfã e o homem bondoso não eram os únicos servos do Deus de Muitas Faces. De tempo em tempo, outros visitavam a casa do Branco e Preto. O sujeito gordo tinha vorazes olhos negros, um nariz adunco, e uma boca cheia de dentes amarelos. O rosto severo nunca sorria, seus olhos eram pálidos e seus lábios nunca sorriam. O homem charmoso tinha a barba diferente em cada vez que ela o via, e um nariz diferente, mas ele nunca era nada menos que gracioso. Estes três vinham frequentemente, mas ainda tinham outros: O vesgo, o fidalgo, e o homem esfomeado. Uma vez o homem gordo e o vesgo vieram juntos. Umma enviou Arya para servi-los.

— Quando você não está servindo, você deve ficar imóvel como se tivesse sido esculpida em pedra — o Homem Bondoso lhe disse. — Você pode fazer isso?

— Sim! — Antes que você possa aprender a se mover você deve aprender a ficar parada, Syrio Forel tinha dito a ela muito tempo atrás em Porto Real, e ela aprendeu. Ela tinha servido como copeira de Roose Bolton em Harrenhal, e ele a esfolaria se ela derramasse o seu vinho.

— Bom — o homem Bondoso disse. — Seria melhor se você fosse cega e surda também. Você talvez escute coisas, mas você deve deixá-las passar de um ouvido para o outro. Não as ouça.

Arya ouviu muito e mais naquela noite, mas quase tudo foi na língua dos homens de Bravos, e ela dificilmente entendia uma palavra em dez.

Parada como uma pedra, ela disse a si mesmo. A parte mais difícil era ela lutando para não bocejar. Antes de a noite acabar, seus pensamentos estavam vagando. Permanecendo de pé lá com a bandeja em suas mãos, ela sonhou 391

que era um lobo, correndo livre em uma floresta a meia noite com uma grande alcateia uivando em seus calcanhares.

— Os outros homens são todos sacerdotes? — Ela perguntou ao homem bondoso na manha seguinte. — Aquelas são seus verdadeiros rostos?

— O que você acha criança?

Ela achava que não.

— Jaqen H’ghar é um sacerdote também? Você sabe se Jaqen vai voltar para Bravos?

— Quem? — Ele disse todo inocente.

— Jaqen H’ghar. Ele me deu a moeda de ferro.

— Não conheço ninguém com este nome, criança.

— Eu o perguntei como ele muda sua face, e ele disse que não é mais difícil do que pegar um novo nome, se você sabe o jeito.

— Ele disse?

— Você vai me mostrar como mudar meu rosto?

— Se você deseja — ele pegou o queixo dela com a mão e virou sua cabeça — estufe suas bochechas e estique sua língua.

Arya estufou sua bochecha e colocou sua língua pra fora.

— Ai está. Seu rosto esta mudado.

— Não foi isso que eu quis dizer. Jaqen usava magia.

— Toda feitiçaria tem custo, criança. Anos de oração, sacrifício e estudo são requeridos para ter um glamour apropriado.

— Anos? — Ela disse, desanimada.

— Se isso fosse fácil, todos os homens fariam. Você deve caminhar antes de correr. Porque usar um feitiço, onde truques de atores vão servir?

— Eu não sei nenhum truque de ator também.

— Então pratique fazer expressões. Debaixo de sua pele estão músculos. Aprenda a usá-los. É o seu rosto. Suas bochechas, seus lábios, suas orelhas. Sorrisos e carrancas não devem vir a você como rajadas repentinas. Um sorriso deve ser seu servo, e vir apenas quando você o chamar. Aprenda a controlar o seu rosto.

— Mostre-me como.

— Estufe suas bochechas — ela estufou — levante suas sobrancelhas. Não, mais alto. — Ela fez isso também — Bom. Veja quanto tempo você consegue segurar assim. Não será muito. Tente novamente amanha. Você encontrara um espelho de Myr nos cofres. Treine diante dele uma hora todos os dias. Olhos, bochechas, orelhas, lábios, narinas, aprenda a controlar todos eles. — Ele pegou o queixo dela. — Quem é você?

— Ninguém.

— Mentira. Uma triste pequena mentira, criança.

Ela encontrou o espelho de Myr no dia seguinte. E toda manhã e toda noite ela sentava diante dele com uma vela em cada lado, fazendo expressões. Controle seu rosto, ela disse a si mesmo, e assim você pode mentir.

Logo depois o homem bondoso a mandou ir ajudar os outros acólitos a ir preparar os cadáveres. O trabalho não estava nem perto de ser tão duro como lavar os degraus de Weese. Às vezes se o cadáver era grande ou gordo, ela lutava com o peso, mas a maioria dos mortos eram velhos com ossos secos e pele enrugada. Arya os observava enquanto os lavava, se perguntando o que os trouxe para a piscina negra. Ela se lembrou do conto que ela tinha ouvido da Velha Ama, sobre como às vezes durante um longo inverno, homens que viveram além de seus anos anunciavam que iam caçar .

E suas filhas choravam e seus filhos viravam seus rostos para o fogo, ela podia ouvir a Velha Ama dizendo, mas ninguém podia para-los, ou perguntar o que eles pretendiam caçar, com a neve tão profunda e o vendo cortante. Ela se perguntou o que o velho homem de Bravos disse a seus filhos e suas filhas, antes deles virem para a casa do Branco e Preto.

A lua foi e voltou, e Arya nunca a viu. Ela serviu, lavou os mortos, fez expressões em frente os espelhos, aprendeu a língua de Bravos, e tentava se lembrar de que ela era ninguém.

Um dia o homem bondoso foi até a ela.

— Seu sotaque é terrível. — Ele disse. — Mas você tem palavras suficiente para fazer seus desejos entendidos. É tempo de você nos deixar por um tempo. O único jeito de você ser mestre em nossa língua é se você a falar todos os dias do amanhecer ao entardecer. Você deve ir.

— Quando? — Ela perguntou a ele. — Pra onde?

— Agora — ele respondeu. — Por trás desses muros você encontrará uma centena de ilhas de Bravos no mar. A você foi ensinado palavras como mexilhões, berbigões, e ameijoas, certo?

— Sim. — Ela os repetiu, em seu melhor bravosiano.

Seu melhor bravosiano o fez rir.

— Isso vai servir. Ao longo do cais abaixo da cidade Afogada você vai encontrar um peixeiro chamado Brusco. Um homem bom com um problema nas costas. Ele precisa de uma garota para empurrar seu carrinho de mão e vender seus berbigões, mexilhões e ameijoas, para os marinheiros no navio. Você deve ser essa garota. Você entendeu?

— Sim.

— E quando Brusco perguntar, quem é você?

— Ninguém.

— Não, isto não vai servir do lado de fora desta Casa.

Ela hesitou.

— Eu poderia ser Salty, das Salinas.

— Salty é conhecida para Ternesio, Terys e os homens do Filha do Titã. Você esta marcada pelo jeito que você fala então você deve ser alguma garota de Westeros... Mas uma garota diferente, eu acho.

Ela mordeu seu lábio.

— Eu poderia ser Cat?

— Cat — ele considerou. — Sim. Bravos está cheio de gatos. Um a mais não será notado. Você é Cat, uma órfã de...

— Porto Real. — Ela tinha visitado Porto Branco com seu pai duas vezes, mas ela conhecia Porto Real melhor.

— Exatamente. Seu pai era remador em uma galera. Quando sua mãe morreu, ele levou você para o mar com ele. Então ele morreu também, e o seu capitão não tinha uso para você, então ele colocou você para fora do navio em Bravos. E qual é o nome do navio?