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— Não gosto de aveia. — Ele a olhou com os olhos de Mindinho. — Prefiro desjejuar com um beijo.

Uma boa filha jamais negaria um beijo a seu pai, assim que Alayne se adiantou e lhe deu um beijo rápido na bochecha, e retrocedeu igualmente rápida.

— Que... obediente. — Mindinho sorriu com a boca, não com os olhos. — Enfim, há outras instruções que terá de dar aos serviçais. Diga aos cozinheiros que façam uma infusão de vinho tinto com mel e passas. Nossos hóspedes estão realizando uma longa subida, terão frio e estarão com sede.

Quando chegarem, terá que sair para recebê-los e oferecer-lhes as boas-vindas. Vinho, queijo e pão. Que queijos ainda nos restam?

— O branco forte e o azul que cheira mal.

— O branco. E será melhor que troque de roupa.

Alayne olhou seu vestido, azul-escuro e vermelho, as cores de Correrrio.

— É muito...?

— É muito Tully. Os Senhores Rebeldes não gostarão de ver a minha filha bastarda se pavoneando com a roupa de minha esposa falecida.

Escolha outra roupa. Tenho de lhe lembrar que não deve escolher azul-celeste ou creme?

— Não — o azul-celeste e o creme eram as cores da casa Arryn. — O senhor disse que são oito pessoas? Yohn Bronze é um deles?

— É o único que importa.

— Yohn Bronze me conhece — lhe recordou. — Foi nosso convidado em Winterfell quando seu filho foi para o norte vestir o negro. —

Tinha uma vaga recordação de haver se enamorado loucamente de Sor Waymar, mas aquilo fazia muito tempo, toda uma vida, havia ocorrido quando ainda era uma garotinha estúpida. — E não foi a única vez. Lord Royce viu... Viu Sansa Stark outra vez em Porto Real, durante o torneio da Mão.

Petyr pôs um dedo por baixo da barbicha.

— Com certeza Royce viu este rosto tão bonito, mas para ele foi apenas um em um milhão. Quando alguém participa de um torneio, tem coisas mais importantes com que se preocupar do que uma garotinha na multidão. E em Winterfell, Sansa era uma garotinha de cabelo castanho-avermelhado. Minha filha é uma donzela alta e formosa, com o cabelo escuro. Os homens veem o que esperam ver, Alayne. — A beijou no nariz.

— Diga a Maddy que acenda a lareira nos meus aposentos. Receberei ali os Senhores Rebeldes.

— Não na Sala Alta?

— Não. Não queiram os deuses que me vejam perto do trono dos Arryn; poderiam crer que penso em me sentar lá. Umas nádegas de tão baixa estirpe como as minhas não poderiam aspirar a almofadas tão fofas.

— Nos seus aposentos. — Teria que se haver detido, mas as palavras lhe escaparam sem que pudesse se conter. — Se você entregar Robert a eles...

— E o Vale?

— Já têm o Vale.

— Boa parte, sim, é verdade. Mas não todo. Vila Gaivota têm apreço por mim, e também conto com a lealdade e a amizade de alguns senhores.

Grafton, Lynderly, Lyonel Corbray... Não são rivais para os Senhores Rebeldes, claro. Além disso, aonde queria que fôssemos, Alayne? À minha impressionante fortaleza nos Dedos?

Já havia pensado nisso.

— Joffrey outorgou a você Harrenhal. Ali você é o senhor em pleno direito.

— Só tenho o título. Precisava de um assentamento importante para me casar com Lysa, e os Lannister não estavam dispostos a me conceder Rochedo Casterly.

— Sim, mas o castelo é seu.

— Que castelo. Salões cavernosos, torres em ruínas, fantasmas e correntes de ar. Esquentá-lo é difícil; defendê-lo, impossível... E também está em questão o assunto da maldição.

— As maldições só existem nas canções e nos contos.

Aquilo lhe fez achar graça.

— Quem compôs a canção sobre a morte de Gregor Clegane pela ferida de uma lança envenenada? Ou do mercenário que o precedeu, aquele que Sor Gregor foi despedaçando articulação por articulação? Esse recebeu o castelo de Sor Amory Lorch, que o recebeu de Lorde Tywin. O primeiro foi morto por um urso, e o segundo pelo seu filho anão. Antes deles, a Senhora Whent também morreu. Lothston, Strong, Harroway, Strong outra vez...

Harrenhal tem decepado todas as mãos que tem lhe tocado.

— Então lhe entregue a Lorde Frey.

Petyr começou a rir.

— Não seria má ideia, ou melhor ainda, à nossa querida Cersei. Se bem que não deveria falar mal dela; enviou-me uns tapetes esplêndidos. Que amável da sua parte, não é verdade?

Ficou tensa somente por ouvir o nome da rainha.

— Não é amável. Me dá medo. Se chegar a descobrir onde eu estou...

— Me veria obrigado a tirá-la do jogo antes do previsto. Isso, se ela não sair antes por sua própria culpa. — Petyr lhe dedicou um sorriso zombeteiro. — No jogo dos tronos, até as peças mais humildes podem ter vontade própria. Às vezes se negam a executar os movimentos que se havia planejado para elas. Recorda bem, Alayne: é uma lição que Cersei Lannister não aprendeu ainda. Bom, não tem obrigações pendentes?

Tinha. Primeiro se encarregou de que preparassem o vinho, escolheu um bom pedaço de queijo e ordenou na cozinha que fabricassem pães para vinte pessoas, no caso de os Senhores Rebeldes chegarem com mais homens que o previsto.

Quando tiverem provado nosso pão e nosso sal, serão nossos hóspedes, e não poderão nos fazer mal. Os Frey haviam transgredido todas as leis da hospitalidade quando assassinaram a sua mãe o seu irmão nas Gêmeas, mas não podia acreditar que um senhor tão nobre como Yohn Royce se rebaixasse a fazer algo semelhante.

A seguir se encarregou de preparar o ambiente. O chão estava coberto com um tapete de Myr, assim não havia necessidade em se apressar.

Alayne orientou dois criados a montarem a mesa com os cavaletes e a levarem ali oito das pesadas cadeiras de carvalho e couro. Se fosse um banquete, haveria situado uma na cabeceira da mesa e outra no extremo contrário, e outras três de cada lado, mas era uma reunião, de modo que ordenou que pusessem seis cadeiras em um lado da mesa e dois no outro. Os Senhores Rebeldes já haviam chegado à Neve. Em cima de mulas, a subida demorava quase um dia inteiro. A pé, a maioria demorava várias jornadas.

Provavelmente, os senhores permaneceriam conversando até bem tarde da noite. Logo, iriam necessitar de velas novas. Quando Maddy acendeu o fogo, a enviou para buscar velas de cera aromatizada que Lorde Waxley havia presenteado a Senhora Lysa quando aspirava obter sua mão.

Então voltou às cozinhas para se assegurar de que estivessem preparando o vinho e o pão. Tudo estava andando bem, e teria tempo de sobra para se banhar, lavar o cabelo e trocar de roupa.

Sentiu-se tentada por um vestido de seda violeta e por outro de veludo azul-escuro com bordados de prata que ressaltaria a cor dos seus olhos, mas logo se recordou de que Alayne era bastarda e não devia se vestir de maneira mais ostentosa do que correspondia sua condição. Optou por uma túnica de lã cor marrom-escuro, de corte simples, com bordados de folhas e rendas de fios de ouro no busto, nas mangas e nas bainhas. Era modesto e pudico, e um pouco mais luxuoso que a vestimenta de uma criada. Petyr lhe havia dado também todas as joias da Senhora Lysa, assim experimentou vários colares, mas todos lhe pareceram aparatosos. Por fim, decidiu por uma simples fita de veludo dourado. Quando Gretchel lhe mostrou o espelho prateado de Lysa, lhe pareceu que a cor combinava maravilhosamente com o cabelo escuro de Alayne.

Lord Royce não me reconhecerá, pensou. Até eu custo a me reconhecer.

Alayne Stone se sentia quase tão ousada quanto Petyr Baelish.

Esboçou o seu melhor sorriso e desceu para receber os convidados.

O Ninho da Águia era o único castelo dos Sete Reinos que tinha a entrada principal por debaixo do nível das masmorras. Os acentuados degraus de pedra ascendiam pela ladeira e passavam junto aos castelos de Pedra e Neve, mas terminavam no Céu. Os últimos cento e oitenta metros eram de subida vertical, logo os visitantes tinham que descer das mulas e tomar uma decisão: subir na cesta de madeira oscilante que era utilizada para levar suprimentos ao castelo, ou escalar uma pequena parede, apoiando-se em buracos na rocha.