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— A Coroa o nomeou Senhor de Harrenhal — lembrou Lord Hunter, o Jovem. — Qualquer um se conformaria com isso.

— Faz falta um senhor na terra dos rios — interviu o ancião Horton Redfort. — Correrrio resiste ao cerco, Bracken e Blackwood estão em guerra, os bandidos estão acampados nas margens do Tridente, roubando e matando à vontade. Por todas as partes há cadáveres sem enterrar.

— Tal como você o descreve, parece ser um lugar muito atrativo, Lord Redfort — respondeu Petyr. — Mas acontece que eu tenho obrigações importantes aqui. Também há que pensar em Lorde Robert. Quer que eu arraste um menino doente ao centro de semelhante carnificina?

— Sua senhoria ficará no Vale — declarou Yohn Royce. — Vou levá-lo à Pedra das Runas, onde crescerá para se converter em um cavaleiro do qual Jon Arryn se sentiria muito orgulhoso.

— Por que para a Pedra das Runas? — Ponderou Petyr. — Porque não a Carvalho de Ferro, ou a Redfort? Porque não a Arco Longo?

— Qualquer um desses lugares seria adequado — declarou Lord Belmore. — E sua senhoria os visitará por turnos quando chegue o momento.

— De verdade? — O tom de Petyr deixava transparecer suas dúvidas.

A Senhora Waynwood suspirou.

— Se você tem a intenção de que nos desentendemos entre nós, poupe-se deste esforço, Lorde Petyr. Falamos com uma só voz. Pedra das Runas parece muito bom para todos nós. Lorde Yohn criou três filhos, não há homem mais capacitado para educar o jovem senhor. O meistre Helliweg é muito mais antigo e tem mais experiência que o seu Meistre Colemon, poderá tratar melhor as doenças de Lorde Robert. Em Pedra das Runas, Sam Stone, o Forte, lhe ensinará as artes da guerra. Não há melhor mestre de armas. Septão Lucos o instruirá nos assuntos do espírito. Além disso, em Pedra das Runas estará com outros meninos da sua idade, uma companhia muito mais adequada do que as das velhas e dos mercenários que o rodeiam agora.

Petyr Baelish acariciou a sua barba.

— Estou de acordo: sua senhoria necessita de companhia. Mas não se pode dizer que Alayne seja uma velha. Lord Robert gosta muito da minha filha, como ele mesmo os poderá dizer. Além disso, por coincidência pedi a Lord Grafton e a Lord Linderly que nos enviem um filho cada um para servir como pupilos. Os dois têm meninos da idade de Robert.

Lyn Corbray começou a rir.

— Dois cachorrinhos de dois cães de colo.

— Também seria conveniente a Robert ter por perto um garoto maior. Um escudeiro jovem e promissor, por exemplo. Alguém a quem possa admirar e a com quem possa treinar combate. — Petyr se voltou para a Senhora Waynwood. — Em Carvalho de Ferro tem um garoto assim, minha senhora. Aceitaria me enviar Harrold Hardyng?

Anya Waynwood parecia se divertir.

— Jamais havia conhecido um ladrão tão ousado como você, Lorde Petyr.

— Não quero roubar o garoto — disse Petyr. — Mas Lorde Robert e ele deveriam se tornar amigos.

Yohn Bronze tomou a dianteira da situação.

— Me parece apropriado que Lorde Robert inicie uma amizade com o jovem Harry, e assim será... Em Pedra das Runas, sob a minha tutela, quando for meu pupilo e escudeiro.

— Nos entregue o garoto e poderá partir para Harrenhal, seu legítimo lugar, sem que ninguém o faça mal — disse Lord Belmore.

Petyr lhe dirigiu um olhar carregado de deboche.

— Me está dando a entender que, do contrário, poderia me acontecer algo, meu senhor? Não consigo pensar por que. Minha finada esposa pensava que este era o meu legítimo lugar.

— Lord Baelish — interviu a Senhora Waynwood. — Lysa Tully era a viúva de Jon Arryn e a mãe de seu filho, e governava como regente.

Mas... sejamos francos, você não é um Arryn, e Lorde Robert não é do seu sangue. Com que direito você se atreve a nos governar?

— Creio recordar que Lysa me nomeou Lord Protetor.

— Lysa Tully nunca foi parte do Vale verdadeiramente — replicou Lorde Hunter, o Jovem. — Não tinha o direito de dispor de nós.

— E Lorde Robert? — Perguntou Petyr. — Sua senhoria insinua que a Senhora Lysa não tinha o direito de dispor de seu próprio filho?

— Eu abrigava a esperança de me casar com a Senhora Lysa —

disse Nestor Royce, que havia guardado silencio até então. — Assim como o pai de Lorde Hunter e o filho da Senhora Anya. Corbray não saiu do seu lado durante meio ano. Se houvesse escolhido qualquer um de nós, ninguém disputaria o direito de ser Lorde Protetor. Mas escolheu o Lorde Mindinho, e lhe confiou o seu filho.

— Também é filho de Jon Arryn, primo — replicou Yohn Bronze mirando o Guardião com cenho franzido. — Seu lugar é no Vale.

Petyr fez uma cara de assombro.

— O Ninho da Águia faz parte do Vale tanto como Pedra das Runas.

Ou alguém o moveu sem que eu soubesse?

— Faça quantas piadas quiser, Mindinho — falou Lord Belmore. — O menino virá conosco.

— Lamento decepcioná-los, Lorde Belmore, mas meu enteado ficará comigo. Como bem sabem vocês todos, não é um menino robusto. A viagem se tornaria muito cansativa. Como seu padrasto e Lorde Protetor, não posso permitir isso.

Symond Templeton limpou a garganta.

— Cada um de nós tem mais de mil homens ao pé desta montanha, Mindinho.

— É um lugar muito bonito.

— Se for necessário, podemos convocar mais.

— Está me ameaçando com uma guerra, sor? — Petyr não parecia assustado em absoluto.

— Nós vamos levar Lord Robert — replicou Yohn Bronze.

Durante um momento, pareceu que haviam chegado a um beco sem saída, até que Lyn Corbray se afastou da lareira.

— Já estou farto. Se continuarem a escutar o Mindinho, ele vai convencê-los a baixar os calções. Só há uma maneira de resolver isso, e é com aço. — Desembainhou a espada larga.

Petyr estendeu as mãos.

— Vou desarmado, sor.

— Isso tem remédio. — A luz da vela ondulava ao longo do aço acinzentado da espada de Corbray, era tão escura que Sansa se recordou de Gelo, a espada de seu pai. — O Devora-maçãs está armado. Que dê a ele a espada, ou saque esse punhal.

Viu como Lothor Brune punha a mão na espada, mas antes que ele a desembainhasse, Yohn Bronze se levantou, irado.

— Guarda esse aço, sor! Quem é você? Um Corbray ou um Frey?

Estamos aqui como convidados.

— Isso é improcedente — disse a Senhora Waynwood franzindo o cenho.

— Embainhe esse aço, Corbray — mandou Lord Hunter, o Jovem.

— Está nos envergonhando a todos.

— Venha, Lyn — repreendeu Redfort em tom mais suave. — Isto não serve de nada. Meta a Dama Desesperada na cama.

— Minha senhora tem sede — insistiu Sor Lyn. — Sempre que sai para dançar toma um copo de vinho, bem vermelho.

Yohn Bronze se interpôs no caminho de Corbray.

— Pois desta vez ela continuará com sede.

— Senhores Rebeldes — bufou Lyn Corbray. — Teríamos que chamá-los de as Sete Velhas.

Voltou a embainhar a espada escura, empurrou Brune para o lado e saiu do aposento. Alayne ouviu como se distanciavam os sons dos seus passos.

Anya Waynwood e Horton Redfort trocaram um olhar. Hunter bebeu o copo de vinho e o estendeu para o enchessem novamente.

— Terá que nos perdoar esta ridícula exibição, Lorde Baelish — disse Sor Symond.

— Verdade? — A voz de Mindinho havia tornado-se gélida. — Foram vocês quem o trouxeram, meus senhores.

— Não era nossa intenção... — começou Yohn Bronze.

— Foram vocês quem o trouxeram. Eu tenho todo o direito de chamar os meus guardas e manda-los deter todos.

Hunter se pôs em pé tão bruscamente que quase bateu na garrafa que Alayne tinha nas mãos.

— Nos prometeu salvo-conduto!

— Sim. Então dê graças aos deuses por eu ter mais honra que outros.