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— Homens experientes, comprovadamente leais — ele os havia chamado. Cersei os chamou de velhos e ficou ao lado de Lorde Waters.

— A única coisa que provaram é que sabem nadar — disse. — Nenhuma mãe deve durar mais que seus filhos e nenhum capitão deve durar mais que seu navio. — Pycelle recebeu a repreensão com alguma má vontade.

Ele parecia menos colérico hoje, e até exibia um tipo de sorriso tremulo.

— Vossa Graça, boas noticias — anunciou. — Wyman Manderly cumpriu suas ordens e decapitou o cavaleiro das cebolas de Lorde Stannis.

— Podemos ter certeza disso?

— A cabeça e as mãos do homem foram espetadas em cima das muralhas de Porto Branco. Lorde Wyman declarou isso e os Frey confirmam. Eles viram a cabeça lá, com uma cebola na boca. E uma das mãos tinha seus dedos encurtados.

— Muito bem — disse Cersei. — Mande um pássaro para Manderly e lhe informe que seu filho vai ser devolvido imediatamente, agora que provou sua lealdade.

Porto Branco logo retornaria para a paz do rei, e Roose Bolton e seu filho bastardo estavam se aproximando de Fosso Cailin pelo sul e norte.

Uma vez que o Fosso fosse deles, eles deveriam juntar forças e tirar os homens de ferro da Praça de Torrhen e de Bosque Profundo também. Assim deveriam ganhar a lealdade dos homens que restavam sob o estandarte de Ned Stark quando chegasse à hora de marchar contra Stannis.

Para o sul, entretanto, Mace Tyrell tinha levantado acampamento fora de Ponta Tempestade e tinha duas catapultas arremessando pedras contra as paredes maciças do castelo, até agora sem grandes efeitos. Lorde Tyrell, o guerreiro, a rainha meditou. Seu selo deveria ser um homem gordo sentando sua bunda.

Naquela tarde, o sisudo enviado bravosiano apareceu para sua audiência. Cersei havia o colocado para fora durante duas semanas e teria prazer em colocá-lo mais um ano, mas Lorde Gyles alegou que não poderia mais lidar com o homem... e a rainha começava a pensar se Lorde Gyles conseguia fazer algo além de tossir.

Noho Dimittis, o bravosiano intitulou-se. Um nome irritante, para um homem irritante. Sua voz era irritante também. Cersei se mexeu em seu assento quando ele entrou, imaginando quanto tempo teria que aguentar sua prepotência. Atrás dela agigantava-se o Trono de Ferro, suas farpas e laminas jogando sombras sobre o chão. Apenas o rei ou sua Mão podiam sentar-se nele. Cersei sentava em seu trono, em um assento dourado com almofadas vermelhas empilhadas. Quando o bravosiano parou para respirar ela viu sua chance.

— Isto é um assunto mais apropriado para nosso Lorde Tesoureiro.

Esta resposta não agradou ao nobre Noho, ao que pareceu.

— Eu falei com Lorde Gyles seis vezes. Ele tosse em mim e conta desculpas, Vossa Graça, mas o ouro não parece estar vindo.

— Fale com ele uma sétima vez — Cersei sugeriu agradavelmente.

O numero sete é sagrado para nossos deuses.

— Parece-me que fazer gracejos agrade Vossa Graça.

— Quando eu faço um gracejo eu sorrio. Está vendo-me sorrir? Está ouvindo gargalhadas? Eu lhe garanto, quando eu faço um gracejo, os homens riem.

— O rei Robert...

— Está morto — ela disse bruscamente. O Banco de Ferro terá seu ouro quando a rebelião for controlada.

Ele teve a insolência de interrompê-la.

— Vossa Graça...

— Esta audiência está terminada. — Cersei havia sofrido o bastante por um dia. — Sor Meryn, leve o nobre Noho Dimittis até porta. Sor Osmund, você deve me escoltar de volta aos meus aposentos. — Seus convidados logo chegariam e ela teria que tomar um banho e se trocar. O

jantar prometia ser tão tedioso como a audiência. Era um trabalho duro governar um reino, ainda mais sete reinos.

Sor Osmund Kettleblack ficou ao lado dela nas escadas, alto e magro em suas vestes brancas da Guarda Real. Quando Cersei teve certeza de que estavam sozinhos, ela passou um braço ao redor do dele.

— Como seu irmão menor esta se saindo, diga?

Sor Osmund pareceu desconfortável.

— Ah... bem o suficiente, apenas...

— Apenas? — A rainha deixou um traço de raiva subir sua voz. — Eu tenho que confessar, estou ficando sem paciência com o caro Osney. É

passado o tempo em que quebrou aquele pequeno potro. Eu o nomeei escudeiro jurado de Tommen então ele pode passar quase todos os dias na companhia de Margaery. Ele já deveria ter arrancado a rosa agora. A pequena rainha é cega aos seus encantos?

— O charme dele está bem. Ele é um Ketteblack, não? Desculpe-me.

— Sor Osmond correu seus dedos pelo cabelo oleoso. — É o dela que é o problema.

— E porque isso? — A rainha começava a levantar duvidas sobre Sor Osney. Talvez outro homem fosse mais ao agrado de Margaery. Aurane Waters, com seu cabelo prateado, ou um sujeito maior, como Sor Tallad.

A moça prefere a outro? O rosto do seu irmão a desagrada?

— Ela gosta do rosto dele. Ela tocou suas cicatrizes dois dias atrás, ele me disse. Que mulher lhe fez isso? Ela perguntou. Ele nunca lhe disse que havia sido uma mulher, mas ela sabia. Talvez alguém tenha lhe contado.

Ela está sempre o tocando quando eles conversam, ele diz. Endireitando o fecho de sua capa, passando seu cabelo para trás, coisas assim. Uma vez, no arco e flecha ela lhe pediu para mostrar como segurar um arco, então ele pôs um braço ao redor dela. Osney conta a ela gracejos picantes e ela ri e replica com alguns ainda mais picantes. Não, ela o quer, isto é certo, mas....

— Mas? — Cersei perguntou.

— Mas eles jamais estão sozinhos. O rei está com eles a maior parte do tempo, e quando não está, há outra pessoa. Duas das damas dela dormem com ela, uma em cada noite. Duas outras trazem seu desjejum e a ajudam a se vestir. Ela reza com sua septã, lê com sua prima Elinor, canta com sua prima Alla e costura com sua prima Megga. Quando não esta caçando com Janna Fossoway e Merry Crane esta brincando de venha-para-meu-castelo com aquela garotinha de Bulwer. Ela nunca vai montar, mas ela tem em seu rabo, quatro ou cinco companheiras e ao menos doze guardas. E há sempre homens ao redor dela, mesmo na Arcada das Donzelas.

— Homens. — Aquilo era algo. Havia uma possibilidade. — Que homens são estes, ora me diga?

Sor Osmond encolheu os ombros.

— Cantores. Ela tem uma queda por cantores, malabaristas e coisas assim. Cavaleiros vêm para ficar ao redor de suas primas. Sor Tallad é o pior, segundo Osney. Aquele grande idiota não parece saber se é Elinor ou Alla que ele quer, mas ele a quer terrivelmente. Os gêmeos Redwyne aparecem também. Sloober traz-lhes flores e frutas e Horror toma o alaúde.

Pelo que Osney diz, poder-se-ia fazer um som mais doce ao estrangular um gato. O homem da ilha do verão está sempre aos seus pés também.

— Jalabhar Xho? — Cersei deu um muxoxo irônico. — Implorando a ela por ouro e espadas para reconquistar sua terra natal, me parece mais. —Sob suas joias e penas, Xho não era nada mais que um mendigo bem nascido. Robert poderia ter dado um fim nas importunações dele com um firme não, mas a ideia de reconquistar as Ilhas do Verão tinha apelo o bastante com seu rústico marido bêbado. Sem duvida ele sonhava com as prostitutas de pele escura, cobertas com mantos de penas, com mamilos negros como carvão. Então ao invés de não, Robert sempre dizia a ele, no próximo ano, embora de algum modo o próximo ano nunca chegou.

— Eu não poderia dizer se ele está implorando, Vossa Graça — Sor Osmond respondeu. — Osney diz que ele esta as ensinando a língua do Verão. Não Osney, a rai... A égua e suas primas.