— Como foi sua viajem?
— Desconfortável — reclamou Falyse. — Choveu na maioria dos dias. Pensamos em passar a noite em Rosby, mas o jovem protegido de Lorde Gyles recusou-nos hospitalidade — ela fungou. — Guarde minhas palavras, quando Gyles morrer aquele malnascido desgraçado vai fugir com o seu ouro. Ele pode até tentar reivindicar as terras e o senhorio, embora por direito Rosby deva vir para nós quando Gyles morrer. A senhora minha mãe era tia de segunda esposa, e prima de terceiro grau do próprio Gyles.
Seu sigilo é de uma ovelha minha senhora, ou de uma espécie de macaco? Cersei pensou
— Lorde Gyles está ameaçando morrer desde que eu o conheci, mas ele ainda está conosco, e estará por muitos anos, eu espero — ela sorriu agradavelmente. — Sem dúvidas ele vai tossir em cima de nossos túmulos.
— Provavelmente — Sor Balman concordou. O protegido de Rosby não foi o único a atormentar-nos, Vossa Graça. Encontramos rufiões na estrada também. Imundos, criaturas despenteadas com escudos de couro e seixos. Alguns tinham estrelas costuradas em suas jaquetas, as estrelas sagradas de sete pontos, mas tinham uma aparência do mal sobre todos eles.
— Eles estavam cheios de piolhos, estou certa. — Falyse acrescentou.
— Eles chamam a si mesmos pardais. — Cersei disse. — Uma praga sobre a terra. Nosso novo Alto Septão terá de lidar com eles, uma vez que for coroado. Se não, vou lidar com eles eu mesma.
— Sua alta santidade já foi escolhida? — Perguntou Falyse.
—Não — a rainha teve que confessar. — O Septão Ollidor estava a ponto de ser escolhido, até que alguns desses pardais seguiram-no até um bordel e o arrastaram nu na rua. Luceon parece à opção mais provável agora, embora os nossos amigos sobre a colina digam que ele ainda tem alguns votos aquém do número necessário.
— Que a Velha guie as deliberações com sua lâmpada de ouro da sabedoria — disse Falyse piedosamente. — Sor Baldan remexeu-se em sua cadeira. — Vossa Graça, um assunto estranho, mas para evitar mal estar entre nós, você deveria saber que nem minha boa esposa, nem sua boa mãe tiveram uma boa mão para nomear essa criança bastarda. Lollys é uma criatura simples, e seu marido é dado ao humor negro. Eu lhe disse para escolher um nome mais apropriado, porem ele riu.
A rainha tomou um gole de vinho e estudou-o. Sor Balman tinha sido bom na Justa, observou uma vez, e um dos cavaleiros mais belos nos Sete Reinos. Ele poderia ainda ostentar um bigode bonito; entretanto, ele não tinha envelhecido bem. Seu cabelo ondulado loiro tinha recuado, enquanto sua barriga avançado inexoravelmente contra o seu gibão. Como um fantoche ele deixa muito a desejar, ela refletiu. Ainda assim, ele deve servir.
— Tyrion era o nome de um rei, antes dos dragões chegarem. O anão despojou-o, mas talvez esta criança possa trazer honra de novo a este nome. Se este bastardo viver o suficiente. Eu sei que não devo culpá-los. A Senhora Tanda é a irmã que nunca tive, e você... Sua voz se quebrou.
Perdoe-me, eu vivo com medo.
Falyse abriu e fechou sua boca, o que a fez parecer algum tipo especialmente estúpido de peixe.
— Com... com medo, Vossa Graça?
— Não tenho dormido uma noite inteira desde que Joffrey morreu.
Cersei encheu o cálice com hidromel. Meus amigos... são meus amigos, espero? E do Rei Tommen?
— Aquele doce rapaz — Sor Balman declarou. — As próprias palavras da Casa Stokeworth são orgulhosas de serem leais.
— Eu gostaria que houvesse mais como você, sor. Eu digo a verdade, eu tenho grande duvidas a respeito de Sor Bronn da Água Negra.
Marido e mulher trocaram um olhar.
— O homem é insolente, Vossa Graça. — Falyse disse. — Rude e desbocado.
— Ele não é um verdadeiro cavaleiro — disse Sor Balman.
—Não — Cersei sorriu toda para ele. — E você é um homem que conhece o verdadeiro cavalheirismo, sor. Eu me lembro de assisti-lo na justa e... que torneio era onde você lutou com tanto brilhantismo, sor?
Ele sorriu modestamente.
— Aquele em Valdocaso há seis anos? Não, você não estava lá, senão você certamente teria sido coroada a rainha do amor e da beleza. Foi o torneio em Lannisporto após a Rebelião Greyjoy, não? Eu desmontei um bom número de cavaleiros naquela vez.
— Foi este. — Seu rosto ficou sombrio. — O anão desapareceu na noite que meu pai morreu, deixando dois bons carcereiros para trás em poças de sangue. Alguns afirmam que ele fugiu através do mar estreito, mas eu me pergunto. O anão é astuto. Talvez ele ainda se esconda por perto, planejando mais assassinatos. Talvez algum amigo está escondendo-o.
— Bronn? — Sor Balman acariciou seu bigode.
— Ele sempre foi uma criatura do anão. Só os Outros sabem quantos homens ele mandou para o inferno sob as ordens de Tyrion.
— Vossa Graça, eu acho que já teria notado um anão se escondendo em nossas terras — disse Sor Balman.
— Meu irmão é pequeno. Ele foi feito para esconder-se. — Cersei deixou sua mão balançar. O nome de uma criança é uma coisa pequena...
Mas insolência não punida instiga rebelião. E este homem Bronn estava encontrando mercenários para ele, Qyborn me disse.
— Ele tomou quatro cavaleiros para sua casa — disse Falyse.
Sor Balman bufou.
— Minha boa esposa os lisonjeia ao chamá-los de cavaleiros. Eles são mercenários indignos, sem um pingo de cavalheirismo, todos os quatro.
— Como eu temia. Bronn está juntando espadas para o anão. Talvez os Sete salvem o meu filhinho. O anão irá matá-lo, como matou seu irmão
— ela soluçou. — Meus amigos, eu ponho minha honra em suas mãos... mas o que é a honra de uma rainha contra os medos de uma mãe?
— Diga, Vossa Graça. — Sor Balman lhe garantiu. — Suas palavras nunca deixarão este quarto.
Cersei alcançou o outro lado da mesa e sacudiu a mão dele.
— Eu... eu dormiria mais facilmente a noite se eu fosse ouvir que Sor Bronn tivesse sofrido um acidente... enquanto caça, talvez.
Sor Balman considerou por um instante.
— Um acidente mortal?
Não, eu desejo que você quebre o dedão do pé dele. Meus inimigos estão em todos os lugares e meus amigos são idiotas.
— Eu imploro, Sor — suspirou. Não me faça dizer isso.
— Eu entendo. — Sor Balman levantou um dedo.
Um nabo teria entendido mais rápido.
— Você é um verdadeiro cavaleiro de fato, Sor. A resposta às orações de uma mãe amedrontada. — Cersei o beijou. — Faça isso rápido, se puder. Bronn tem apenas alguns homens com ele agora, mas se não agirmos, ele certamente encontrará mais. — Ela beijou Falyse. — Eu nunca esquecerei isto meus amigos. Meus amigos verdadeiros de Stokeworth.
Orgulhosos de serem leais. Eu prometo-lhes que acharemos um marido melhor para Lollys quando isso terminar. Um Kettleblack, talvez. Nós Lannister pagamos nossas dividas.
O restante foi Hidromel e beterraba com manteiga, pão quente cozido, erva-crostosas, e as costelas de javali. Cersei havia descoberto que gostava muito de javali desde a morte de Robert. Ela não se incomodava nem com a companhia, mesmo que os sorrisos de Falyse e Sor Balman estivessem sujos de sopa doce. Já havia passado da meia noite quando ela conseguiu desvencilhar-se deles. Sor Balman provou um grande frasco para sugerir ainda outro, e a rainha não achou prudente recusar. Eu poderia ter contratado um Homem Sem Rosto para matar Bronn pela metade do que gastei em hidromel, ela refletiu quando eles finalmente foram.
Naquela hora seu filho já estava adormecido, mas Cersei deu uma olhada nele antes de procurar sua própria cama. Ela ficou surpresa ao encontrar três gatinhos aninhados a ele