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— Não, meu senhor.

— Uma pena. Bem, você já sentiu o gosto de sangue. Provou o que quer que tenha querido provar. É hora de você tirar a cota de malha e por roupas adequadas novamente. Há navios no porto. Um deles vai à Tarth.

Você irá com ele.

— Obrigada, meu senhor, mas não.

O rosto de Lorde Tarly dizia que não queria nada mais a não ser cortar sua cabeça e enfiá-la numa estaca acima dos portões de Lagoa da Donzela, junto a Timeon, Pyg e Shagwell.

— Você pretende continuar com essa insensatez?

— Eu pretendo encontrar a Senhora Sansa.

— Se isso agradar a meu senhor — Sor Hyle disse. — Eu a vi lutando contra os Saltimbancos. Ela é mais forte do que a maioria dos homens, e rápida.

— A espada é rápida — Tarly interrompeu. — Essa é a natureza do aço valiriano. Mais forte que a maioria dos homens? Sim. Ela é uma aberração da natureza, longe de mim negar isso.

Gente como ele nunca me amará, Brienne pensou, não importa o que eu faça.

— Meu senhor, pode ser que Sandor Clegane tenha algum conhecimento sobre a menina. Se eu pudesse encontra-lo...

— Clegane se tornou um fora da lei. Ele cavalga com Beric Dondarrion agora, ao que parece. Ou não, os contos variam. Mostre-me onde eles estão escondidos. Eu irei com prazer cortar suas barrigas ao meio, puxar suas entranhas para fora e queimá-las. Nós enforcamos dúzias de foras da lei, mas os líderes ainda se esquivam de nós. Clegane, Dondarrion, o feiticeiro vermelho, e agora esta mulher, Coração de Pedra... Como você pretende encontrá-los, quando eu mesmo não posso?

— Meu senhor, eu... — Ela não tinha uma boa resposta para ele. —Tudo que posso fazer é tentar.

— Tente, então. Você tem sua carta, não precisa de minha licença, entretanto, eu lhe darei. Se você for bem sucedida, tudo que conseguirá com sso serão feridas de tanto cavalgar. Se não, talvez Clegane deixe você viver depois que ele e seus capangas tenham acabado de te estuprar. Você pode engatinhar de volta à Tarth com algum cachorro bastardo na barriga.

Brienne ignorou aquilo.

— Se isso agradar a meu senhor, quantos homens cavalgam com o Cão?

— Seis ou sessenta ou seiscentos. Depende a quem nós perguntamos. — Randyl Tarly estava, claramente, cheio daquela conversa.

Ele começou a se virar.

— Se meu escudeiro e eu pudermos implorar por sua hospitalidade até...

— Implore o quanto quiser. Eu não irei te tolerar em minha residência.

Sor Hyle Hunt deu um passo à frente.

— Com a licença do meu senhor, eu pensei que esta ainda fosse a residência de Lorde Mooton.

Tarly deu ao cavaleiro um olhar venenoso.

— Mooton tem a coragem de uma minhoca. Você não me falará sobre Mooton. Quanto a você, minha senhora, é dito que seu pai é um bom homem. Neste caso, tenho pena dele. Alguns homens são abençoados com filhos, alguns com filhas. Nenhum homem merece ser amaldiçoado com algo como você. Viva ou morta, Senhora Brienne, não virá à Lagoa da Donzela enquanto eu ainda governar.

Palavras são como vento, Brienne falou para si mesma. Elas não podem te machucar. Deixe-as passarem por cima.

— Como desejar, meu senhor — ela tentou dizer, mas Tarly já tinha saído. Ela saiu do pátio como um sonâmbulo, sem saber onde estava indo.

Sor Hyle se pôs ao lado dela.

— Existem estalagens.

Ela balançou a cabeça. Não queria uma palavra com Hyle Hunt.

— Você se lembra do Ganso Fedorento?”

Sua capa ainda tinha o cheiro daquilo.

— Por quê?

— Encontre-me lá no dia seguinte, ao meio-dia. Meu primo Alyn foi um dos que tentaram achar o Cão. Eu falarei com ele.

Por que faria isso?

— Por que não? Se você for bem sucedida onde Alyn falhou, eu poderei escarnecer dele por muitos anos.

Ainda havia estalagens em Lagoa da Donzela, Sor Hyle estava certo.

Algumas tinham queimado durante um saque ou outro, e tiveram que ser reconstruídas, e as que permaneceram estavam cheias de soldados do exército de Lorde Tarly. Ela e Podrick visitaram todas elas naquela tarde, mas não havia camas para eles em lugar nenhum.

— Sor? Minha senhora? — Podrick disse enquanto o sol se deitava.

— Há navios. Navios têm camas. Redes. Ou beliches.

Os homens de Lorde Randyll ainda rondavam pelo estaleiro, tão numerosos como as moscas que voavam nas cabeças dos Saltimbancos Sangrentos, mas seu sargento conhecia Brienne de vista, e a deixou passar.

Os pescadores locais estavam amarrando as redes para a noite e lamentando o que tinham conseguido naquele dia, mas seu interesse estava nos navios maiores, que dobravam as águas tempestuosas do mar estreito. Meia-dúzia deles estavam no porto, menos uma galera chamada Filha do Titã, que estava puxando suas cordas para navegar na maré da noite. Ela e Podrick Payne rondaram pelos barcos que permaneceram. O capitão da Menina de Vila Gaivota achou que ela era uma prostituta e falou para eles que seu barco não era um bordel, e o arpoador do baleeiro ibenês quis comprar o menino, mas eles tinham uma fortuna melhor em outro lugar. Ela comprou para Podrick uma laranja no Caminhante dos Mares, um barco de pesca recém-chegado de Vilavelha, pelo caminho de Tyrosh, Pentos, e Valdocaso.

— Vila Gaivota é a próxima — seu capitão lhe disse, — dali para Dedos, depois para Vilirmãs e Porto Branco, se as tempestades permitirem.

É um barco limpo, o Caminhante dos Mares, não tem muitos ratos, quando muito, e nós teremos ovos frescos e manteiga recém-batido a bordo. Minha senhora está procurando por uma passagem para o norte?

— Não. — Ainda não. Ela estava tentada, mas...

Enquanto caminhavam para o próximo píer, Podrick arrastou os pés e disse:

— Sor? Minha senhora? E se minha senhora for para casa? Minha outra senhora, quero dizer. Sor. A Senhora Sansa.

— Eles queimaram sua casa.

— Mesmo assim. Os deuses dela estão lá. E os deuses não podem morrer.

Os deuses não podem morrer, mas meninas podem.

— Timeon era um homem cruel e um assassino, mas eu não acredito que ele mentiria sobre o Cão. Nós não podemos ir para o norte sem termos certeza. Haverá outros barcos.

Na ponta leste do porto, eles finalmente encontraram abrigo para a noite, em uma galera comercial quebrada pela tempestade, chamada Dama de Myr. O estado do barco não era bom. Tinha perdido seu mastro e metade da tripulação em uma tempestade, mas o senhor não tinha o dinheiro que precisava para consertá-lo, então ele estava feliz em fazer algum negócio

permitindo que Brienne e Pod compartilhassem uma cabina vazia.

Eles não tiveram uma noite revigorante. Brienne acordou três vezes.

Uma vez quando a chuva tinha começado, outra vez quando um rangido a fez pensar que Dick, o Ágil, estava rastejando para matá-la. Na segunda vez, ela acordou com a faca na mão, mas não era nada. Na escuridão da cabine apertada, levou um tempo para ela se lembrar de que Dick, o Ágil, estava morto. Quando ela voltou a dormir, sonhou com os homens que matou. Eles dançaram ao seu redor, zombando, beliscando-a, quando ela os golpeou com a espada. Ela cortou os três em fitas sangrentas, ainda assim eles se apinhavam ao seu redor... Shagwell, Timeon e Pig, sim, mas Randyll Tarly também, e Vargo Hoat, e Ronnet Connington, o Vermelho. Ronnet tinha uma rosa entre seus dedos. Quando ele a segurou em sua frente, ela cortou sua mão fora.

Ela acordou suando, e passou o resto da noite amontoada debaixo da capa, ouvindo o som da chuva no convés acima dela. Foi uma noite selvagem. De quando em quando ela ouvia o som de um trovão distante, e pensou no barco de Bravos que velejou na maré da noite.