Выбрать главу

Quando Meribald terminou, um silêncio profundo desceu sobre o grupo. Brienne podia ouvir o vento murmurando em uma moita de salgueiro e ao longe o débil som de uma gavia. Ela podia ouvir Cachorro arquejando suavemente enquanto trotava ao lado do septão e seu jumento, com a língua pra fora da boca. O silêncio se estendeu e se estendeu, até que finalmente ela disse.

— Quantos anos você tinha quando eles te enviaram para a guerra?

— Ora, quando era mais novo do que seu menino — Meribald replicou. — Muito novo para tal coisa, de fato, mas meus irmãos todos estavam indo, e eu não seria deixado para trás. Willam disse que eu poderia ser seu escudeiro, embora ele não fosse nenhum cavaleiro, apenas um garçom de taverna armado com uma faca de cozinha que roubou da estalagem. Ele morreu nos Degraus de Pedra, sem acertar um golpe. A febre o levou, assim como a meu irmão Robin. Owen morreu quando uma clava acertou e quebrou sua cabeça, e seu amigo Jon Pox foi enforcado por estupro.

— A Guerra dos Reis de Nove Centavos? — Perguntou Hyle Hunt.

— Assim a chamam, embora eu nunca tenha visto um rei, ou ganhado um centavo. Mas foi uma guerra. Aquilo foi uma guerra.

SAMWELL

Sam estava em pé diante da janela, balançando nervosamente, enquanto observava a última luz do sol desaparecer atrás de uma fileira de telhas pontiagudas. Ele deve ter ficado bêbado de novo, pensou melancolicamente. Ou então ele conheceu outra garota. Ele não sabia se praguejava ou chorava. Dareon era para ser seu irmão. Peça-lhe para cantar, e ninguém poderá ser melhor. Peça-lhe para fazer qualquer outra coisa...

As névoas da noite tinham começado a subir, enviando dedos cinza sobre as paredes dos edifícios que ladeavam o velho canal.

— Ele prometeu que estaria de volta — disse Sam. — Você o ouviu também.

Goiva olhou para ele com os olhos avermelhados e inchados. Os cabelos sujos e embaraçados caíam sobre seu rosto. Ela parecia um animal cauteloso olhando através de um arbusto. Haviam se passado dias desde que eles tinham acendido uma fogueira, mas a menina selvagem gostava de se aconchegar perto da lareira, como se as cinzas frias ainda tivessem um pouco de calor restante.

— Ele não gosta de ficar aqui conosco — disse ela, sussurrando para não acordar o bebê. — É triste aqui. Ele gosta de ficar onde há vinho e sorrisos.

Sim, pensou Sam, e o vinho está em toda parte menos aqui. Bravos estava cheia de estalagens, tavernas e bordéis. E se Dareon preferiu uma fogueira e uma taça de vinho quente ao invés de pão amanhecido e companhia de uma mulher chorosa, um glutão covarde e um velho doente, quem poderia culpá-lo? Eu poderia culpá-lo. Ele disse que estaria de volta antes do crepúsculo, ele disse que iria nos trazer vinho e comida.

Ele olhou pela janela mais uma vez, alimentando a esperança de ver o cantor correndo para casa. A escuridão estava caindo na cidade secreta, arrastando-se pelos becos e descendo pelos canais. O bom povo de Bravos logo estaria fechando as janelas e trancando as suas portas. A noite pertencia aos bravos e as prostitutas.

Os novos amigos de Dareon, Sam pensou amargamente. O cantor só falava deles ultimamente. Ele estava tentando escrever uma canção sobre uma prostituta, uma mulher chamada de Sombra da Lua, que o tinha ouvido cantar ao lado do Lago da Lua e o recompensou com um beijo.

— Você deveria ter pedido prata para ela — Sam disse. — É de moedas que precisamos, não de beijos. — Mas o cantor apenas sorriu. —Alguns beijos valem mais que ouro amarelo, Matador.

Aquilo o irritou também. Dareon não deveria estar compondo canções sobre prostitutas. Ele deveria estar cantando sobre a Muralha e o valor da Patrulha da Noite. Jon tinha esperança de que talvez suas canções pudessem convencer alguns jovens a vestir o negro. Em vez disso, ele cantou sobre beijos dourados, cabelos prateados e lábios vermelhos. Ninguém nunca vestiria o negro por causa de lábios vermelhos.

Às vezes, ao tocar ele acordava a criança também. Então a criança começava a chorar. Dareon gritava para ela ficar quieta, Goiva chorava, e o cantor se enfurecia, saía e não voltava por dias.

— Toda essa choradeira me faz querer dar um tapa nela — ele reclamou: — E eu mal posso dormir quando ela soluça.

Você iria chorar também se tivesse um filho e o perdesse, Sam quase disse. Ele não podia culpar Goiva por seu lamento. Em vez disso, ele culpou Jon Snow e se perguntou quando o coração de Jon tinha se transformado em pedra. Uma vez ele fez a Meistre Aemon essa mesma pergunta, quando Goiva foi para o canal buscar água para eles.

— No momento em que você o elevou como senhor comandante — respondeu o velho.

Mesmo agora, apodrecendo na sala fria sob o beiral do telhado, parte de Sam não queria acreditar que Jon tinha feito o que o Meistre Aemon pensava . Deve ser verdade, no entanto. Por que mais Goiva choraria tanto?

Tudo o que ele tinha que fazer era perguntar-lhe de quem era criança que ela estava amamentando, mas ele não teve coragem. Ele estava com medo da resposta que poderia receber. Eu ainda sou um covarde, Jon. Não importa onde ele fosse neste mundo, seus medos iriam com ele.

Um estrondo oco ecoou pelos os telhados de Bravos, como o som de um trovão distante. O Titã, soando como o cair da noite do outro lado da lagoa. O barulho foi alto o suficiente para acordar o bebê, e seu choro repentino acordou Meistre Aemon. Enquanto Goiva foi dar o peito ao menino, os olhos do velho se abriram, e ele se mexeu debilmente em sua cama estreita.

— Egg? Está escuro. Por que está tão escuro?

Porque você é cego. A sanidade de Aemon estava diminuindo mais e mais desde que chegaram a Bravos. Alguns dias ele não parecia saber onde estava. Alguns dias ele se perdia ao dizer alguma coisa e começava a divagar sobre seu pai ou seu irmão. Ele tem cento e dois anos, Sam lembrou a si mesmo, mas ele também era velho em Castelo Negro e sua sanidade nunca tinha se perdido por lá.

— Sou eu — ele tinha que dizer. — Samwell Tarly. O seu intendente.

— Sam — Meistre Aemon lambeu os lábios, e piscou. — Sim. E aqui é Bravos. Perdoe-me, Sam. A manhã chegou?

— Não. — Sam sentiu a testa do velho. Sua pele estava úmida de suor, fria e úmida ao toque, sua respiração era um chiado suave. — É noite, Meistre. Você estava dormindo.

— Por muito tempo. Está frio aqui dentro.

— Nós não temos madeira — Sam disse a ele — e o estalajadeiro não nos dará mais se não tivermos moeda. — Foi a quarta ou quinta vez que eles tiveram essa mesma conversa. Eu deveria ter usado a nossa moeda para madeira, Sam repreendia-se o tempo todo. Eu deveria ter tido o bom senso de mantê-lo aquecido.

Ao contrário, ele havia desperdiçado a última de sua prata em um curandeiro da Casa das Mãos Vermelhas, um homem alto, pálido com vestes bordadas com listras vermelhas e brancas em espiral. Tudo o que a prata comprou-lhe foi meio frasco de vinho dos sonhos.