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Aquilo apanhou-o de surpresa. Brienne nunca mencionara um noivado.

— Meu pai arranjou-lhe uma união… — Três vezes — disse Connington. — Eu fui o segundo. Ideia do meu pai. Eu tinha ouvido dizer que a moça era feia, e foi o que lhe disse, mas ele respondeu que todas as mulheres eram iguais depois de se apagar a vela.

— O seu pai. — Jaime examinou o sobretudo do Ronnet, o Vermelho, onde dois grifos se defrontavam num campo de vermelho e branco. Grifos dançantes. — O… irmão do nosso falecido Mão, não era?

— Primo. Lorde Jon não tinha irmãos.

— Pois não. — Veio-lhe tudo à memória. Jon Connington fora amigo do Príncipe Rhaegar. Quando Merryweather falhara tão tristemente em conter a Rebelião de Robert e não fora possível encontrar o Príncipe Rhaegar, Aerys virara-se para a segunda melhor opção e promovera Connington ao cargo de Mão. Mas o Rei Louco andava sempre a cortar as Mãos. Cortara Lorde Jon depois da Batalha dos Sinos, despindo-o de honrarias, terras e riquezas, e expulsando-o mar fora para ir morrer no exílio, onde rapidamente bebera até à morte. Mas o primo, pai do Ronnet, juntara-se à rebelião e fora recompensado com o Poleiro do Grifo após o Tridente. Mas só recebera o castelo; Robert ficara com o ouro e outorgara a maior parte das terras dos Connington a apoiantes mais fervorosos.

Sor Ronnet era um cavaleiro com terras, nada mais. Para um homem como ele, a Donzela de Tarth teria sido realmente um belo acepipe.

— Porque foi que não se casaram? — perguntou-lhe Jaime.

— Ora, fui a Tarth e a vi. Era seis anos mais velho do que ela, mas a moça conseguia olhar-me nos olhos. Era uma porca vestida de seda, embora a maioria das porcas tenham tetas maiores. Quando tentou falar quase se engasgou com a própria língua. Dei-lhe uma rosa e disse que isso seria tudo o que teria de mim. — Connington olhou a arena de relance. — O urso era menos peludo do que essa aberração. Eu…

A mão dourada de Jaime atingiu-o na boca com tanta força que o outro cavaleiro caiu aos tropeções pelos degraus abaixo. A lanterna caiu e esmagou-se, e o azeite espalhou-se, ardendo.

— Você estava falando de uma senhora de elevado nascimento, sor.

Trate-a pelo nome. Chamava-se Brienne.

Connington afastou-se das chamas que se espalhavam, apoiado nas mãos e nos joelhos.

— Brienne. Se agradar ao senhor. — Cuspiu um escarro de sangue aos pés de Jaime. — Brienne, a Bela.

CERSEI

Foi uma lenta subida até ao topo da Colina de Visenya. Enquanto os cavalos se esforçavam a subir, a rainha encostou-se numa fofa almofada vermelha.

De fora vinha à voz de Sor Osmund Kettleblack.

— Abram alas. Desapareçam da rua. Abram alas para Vossa Graça, a rainha.

— Margaery realmente mantém uma corte animada — estava a Senhora Merryweather a dizer. — Temos malabaristas, saltimbancos, poetas, fantoches…

— Cantores? — sugeriu Cersei.

— Mais do que muitos, Vossa Graça. Hamish, o Harpista, toca para ela uma vez por quinzena, e por vezes Alaric de Eysen entretém-nos durante uma noite, mas o seu favorito é o Bardo Azul.

Cersei recordava-se de ver o bardo no casamento de Tommen.

Jovem, e bonito ao olhar. Poderá haver aí alguma coisa?

— Ouvi dizer que também há outros homens. Cavaleiros e cortesãos.

Admiradores. Diga-me a verdade, minha senhora. Acha que Margaery ainda é donzela?

— Ela diz que é, Vossa Graça.

— Realmente diz. E você, diz o quê?

Os olhos negros de Taena cintilaram de travessura.

— Quando se casou com Lorde Renly em Jardim de Cima, eu ajudei a despi-lo. Sua senhoria era um homem bem feito e robusto. Vi a prova quando o atiramos para a cama de núpcias onde a sua noiva aguardava nua como no dia do seu nome, com um lindo rubor por baixo da colcha. Sor Loras tinha-a trazido em pessoa pelos degraus acima. Margaery pode dizer que o casamento nunca foi consumado, que Lorde Renly bebera demasiado vinho no banquete de casamento, mas garanto-lhe que aquilo que tinha entre as pernas estava tudo menos cansado da última vez que o vi.

— Teria por acaso visto a cama nupcial na manhã seguinte? —perguntou Cersei. — Ela sangrou?

— Não foi exibido qualquer lençol, Vossa Graça.

É uma pena. Apesar de tudo, a ausência de um lençol ensanguentado, por si só, pouco queria dizer. Tinha-lhe constado que as camponesas comuns sangravam como porcos nas suas noites de núpcias, mas isso era menos verdadeiro em relação a donzelas de elevado nascimento como Margaery Tyrell. Dizia-se que era mais provável que a filha de um lorde entregasse a virgindade a um cavalo do que a um marido, e Margaery montava desde que tivera idade para andar.

— Consta-me que a pequena rainha tem muitos admiradores entre os nossos cavaleiros domésticos. Os gêmeos Redwyne, Sor Tallad…diga-me, quem mais?

A Senhora Merryweather encolheu os ombros.

— Sor Lambert, o tolo que esconde um olho bom atrás de um tapa olho. Bayard Norcross, Courtenay Greenhill. Os irmãos Woodwright, por vezes Portifer e muitas vezes Lucantine. Oh, e o Grande Meistre Pycelle é um visitante frequente.

— Pycelle? Realmente? — Teria aquele tremulo e velho verme abandonado leão em favor da rosa? Se assim for, irá se arrepender. — Quem mais?

— O ilhéu do Verão com o seu manto de penas. Como pude esquecer-me dele, com a sua pele negra como tinta? Outros vêm cortejar as primas. Elinor está prometida ao rapaz Ambrose, mas adora namoricar, e Megga tem um novo pretendente todas as quinzenas. Uma vez beijou um latrineiro na cozinha. Ouvi falar acerca de um casamento dela com o irmão da Senhora Bulwer, mas estou certa de que se Megga pudesse escolher, preferiria Mark Mullendore.

Cersei soltou uma gargalhada.

— O cavaleiro das borboletas que perdeu o braço na Água Negra?

De que serve metade de um homem?

— Megga acha-o querido. Pediu à Senhora Margaery para a ajudar a encontrar um macaco para ele.

— Um macaco. — A rainha não soube o que dizer a respeito daquilo. Pardais e macacos. É verdade, o reino está a enlouquecer.

— E o nosso valente Sor Loras? Com que frequência ele visita a irmã?

— Mais do que qualquer dos outros. — Quando Taena franzia as sobrancelha , aparecia uma minúscula ruga entre os seus olhos escuros.

— Visita-a todas as manhãs e todas as noites, a menos que os seus deveres interfiram. O irmão lhe é devotado, partilham tudo um com … oh…

Por um momento, a mulher de Myr pareceu quase chocada. Então um sorriso espalhou-se pelo seu rosto.

— Tive a mais perversa das ideias, Vossa Graça.

— É melhor guarda-la para você. A colina está repleta de pardais, e todos sabemos como os pardais abominam a perversidade.

— Ouvi dizer que também abominam o sabão e a água, Vossa Graça.

— Talvez demasiadas rezas roubem a um homem o sentido do cheiro. Não me esquecerei de perguntar se assim é a Sua Alta Santidade. — As cortinas oscilavam de um lado para o outro numa onda de seda carmesim.

— Orton disse-me que o Alto Septão não tem nome — disse a Senhora Taena. — Poderá ser verdade? Em Myr todos temos nomes.

— Oh, ele teve um nome um dia. Todos tiveram. — A rainha fez um gesto de indiferença com a mão. — Até septões nascidos de sangue nobre respondem apenas pelos seus nomes próprios depois de tomarem votos.

Quando um deles é elevado a Alto Septão, põe de lado também esse nome. A fé diz-lhe que ele já não tem necessidade de um nome de homem, porque se transformou na manifestação dos deuses.

— Como distinguis os Altos Septões uns dos outros?

— Com dificuldade. Tem de se dizer “o gordo”, ou “aquele que veio antes do gordo”, ou “o velho que morreu durante o sono”. É sempre possível arrancar-lhes os nomes próprios, se quiser, mas melindram-se se os usarmos.