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Margaery sorriu a Sor Loras; um sorriso doce e fraternal, cheio de carinho.

—Vossa Graça é gentil por temer por mim, mas o meu irmão me mantém bem protegida.

Vá caçar, dissera Cersei a Robert meia centena de vezes. O meu irmão me mantém bem protegida. Recordou o que Taena lhe dissera horas antes e uma gargalhada saltou-lhe dos lábios.

— Vossa Graça tem um riso tão lindo. — A Senhora Margaery deitou-lhe um sorriso zombeteiro. — Podemos saber qual é a piada?

— Saberá — disse a rainha. — Garanto a você que saberá.

O PIRATA

Os tambores marcavam um ritmo de batalha enquanto o Vitória de Ferro se precipitava em frente, rompendo com o esporão as agitadas  águas verdes.

O navio menor, à sua frente, estava virando de bordo, chicoteando o mar com os remos. Rosas agitavam-se nos seus estandartes; à proa e à popa com uma rosa branca num escudete vermelho, no topo do mastro uma dourada num campo tão verde como relva. O Vitória de Ferro varreu-lhe o flanco com tanta força que metade do destacamento de abordagem perdeu o equilíbrio. Remos partiram-se e se fizeram em lascas, doce música para os ouvidos do capitão.

Saltou sobre o talabardão, caindo convés abaixo, com o manto dourado ondeando atrás de si. As rosas brancas recuaram como os homens faziam sempre que viam Victarion Greyjoy armado e couraçado, de rosto escondido atrás do elmo em forma de lula gigante. Seguravam espadas, lanças e machados, mas nove em dez não trazia armadura, e o décimo tinha apenas um saião de escamas cosidas umas às outras. Estes não são homens de ferro, pensou Victarion. Ainda têm medo de se afogar.

— Apanhem-no! — Gritou um homem. — Ele está sozinho!

VENHAM! — Rugiu em resposta. — Venham me matar, se conseguirem!

Os guerreiros das rosas convergiram de todos os lados, com aço cinzento nas mãos e terror por trás dos olhos. O seu medo estava tão maduro que Victarion conseguia saboreá-lo. Golpeou à esquerda e à direita, decepando o braço do primeiro homem pelo cotovelo, abrindo uma grande fenda no ombro do segundo. O terceiro enterrou o machado no escudo de pinheiro de Victarion. Empurrou-o contra a cara do idiota, derrubou-o, e o matou quando tentou voltar a pôr-se de pé. Enquanto lutava por libertar o machado das costelas do morto, uma lança picou-o entre as omoplatas. Foi como se alguém lhe tivesse dado uma palmada nas costas. Victarion rodopiou e atirou o machado contra a cabeça do lanceiro, sentindo o impacto no braço quando o aço cortou com estrondo elmo, cabelo e crânio.

O homem cambaleou durante meio segundo, até o capitão de ferro libertar o aço e empurrar o cadáver que partiu cambaleando pelo convés afora, sem força nos membros, parecendo mais bêbado do que morto. Por essa altura, os seus nascidos no ferro tinham-no seguido até o convés do dracar quebrado. Ouviu o Wulfe-Uma-Orelha soltar um uivo quando se lançou ao trabalho, vislumbrou Ragnor Pyke com a sua cota de malha enferrujada, viu Nute, o Barbeiro, fazendo um machado de arremesso rodopiar pelo ar e ir atingir um homem no peito. Victarion matou outro homem, e depois mais um. Teria matado um terceiro, mas Ragnor abateu-o primeiro.

— Bom golpe — berrou-lhe Victarion.

Quando se virou em busca da próxima vítima do seu machado, viu o outro capitão do outro lado do convés. Tinha o sobretudo branco manchado de sangue e tripas, mas Victarion conseguia distinguir o brasão que trazia ao peito, a rosa branca dentro do seu escudete vermelho. O homem ostentava o mesmo símbolo no escudo, num campo branco com uma bordadura ameiada de vermelho.

Você! — Gritou o capitão de ferro através da carnificina. — Você, o da rosa! Seria você o senhor de Escudosul?

O outro ergueu a viseira para mostrar um rosto sem barba.

— O seu filho e herdeiro, Sor Talbert Serry. E quem é você, lula?

— A sua morte! — Victarion investiu contra ele.

Serry saltou para defrontá-lo. A sua espada era de bom aço forjado em um castelo, e o jovem cavaleiro a fazia cantar. O seu primeiro golpe foi baixo, e Victarion afastou-o com o machado. O segundo atingiu o capitão de ferro no elmo antes de ter tempo de erguer o escudo. Victarion respondeu com um golpe lateral com o machado. O escudo de Serry interpôs-se.

Voaram lascas de madeira, e a rosa branca fendeu-se de cima a baixo com um belo e penetrante crac. A espada do jovem cavaleiro bateu-lhe na coxa, uma, duas, três vezes, gritando contra o aço. Este rapaz é rápido, compreendeu o capitão de ferro. Atingiu a cara de Serry com o escudo, e o fez cambalear para trás, de encontro ao talabardão. Victarion ergueu o machado e pôs todo o seu peso no golpe, para rasgar o rapaz do pescoço às virilhas, mas Serry rodopiou para longe. A cabeça do machado esmagou-se contra a amurada, fazendo voar lascas, e ficou presa quando tentou libertá-la.

O convés moveu-se sob os seus pés e o homem de ferro caiu sobre um joelho.

Sor Talbert jogou fora o escudo quebrado e lançou um corte vertical com a espada. O escudo de Victarion tinha feito metade da rotação quando ele tropeçara. Apanhou a lâmina de Serry com um punho de ferro. Aço articulado foi esmagado, e uma punhalada de dor o fez soltar um grunhido, mas Victarion agüentou.

— Eu também sou rápido, rapaz — disse enquanto arrancava a espada das mãos do cavaleiro e a atirava ao mar.

Os olhos de Sor Talbert esbugalharam-se.

— A minha espada…

Victarion atingiu o rapaz na garganta com um punho ensanguentado.

— Vai buscá-la — disse, forçando-o a cair de costas, por cima da amurada para dentro da água manchada de sangue. Com aquilo conseguiu uma pausa para soltar o machado. As rosas brancas estavam recaindo perante a maré de ferro. Alguns tentavam fugir para dentro do navio, enquanto outros gritavam por trégua. Victarion sentia sangue quente escorrendo pelos seus dedos, por baixo da cota de malha, do couro e do aço articulado, mas isso não era nada. Do outro lado do mastro, um espesso nó de inimigos continuava lutando, resistindo, ombro a ombro, num anel.

Aqueles pelo menos são homens. Preferem morrer a se render.

Victarion iria conceder a alguns esse desejo. Bateu no escudo com o machado e abateu sobre eles.

O Deus Afogado não esculpira Victarion Greyjoy para lutar com palavras em assembleias de homens livres, nem para combater contra inimigos furtivos e dissimulados em países intermináveis. Era para aquilo que foi posto na terra; para avançar vestido de aço com um machado manchado de sangue na mão, oferecendo a morte a cada golpe.

Atacaram-no pela frente e pelas costas, mas, pelo dano que lhe causaram as espadas bem podiam ter sido chibatas de salgueiro. Não havia lâmina capaz de atravessar o aço pesado de Victarion Greyjoy, e ele não dava aos inimigos tempo suficiente para encontrarem os pontos fracos nas juntas, onde apenas cota de malha e couro o protegiam. Quer três homens o assaltassem, ou quatro, ou cinco; não fazia diferença. Matava-os um de cada vez, confiando no aço para protegê-lo dos outros. Quando um inimigo caía, virava a sua fúria para o seguinte. O último homem que enfrentou devia ter sido um ferreiro; os ombros pareciam os de um touro, e um deles era muito mais musculoso do que o outro. A sua armadura era uma brigantina tachonada e um boné de couro fervido. O único golpe que deu completou a destruição do escudo de Victarion, mas a estocada que este atirou em resposta lhe abriu a cabeça em duas.