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— Não é lá onde queremos ir? — Sor Hyle chamou de trás deles, apontando para o septo. — Parece que estamos indo para qualquer lugar, menos para lá.

— Fé, — urgiu Septão Meribald. — Acredite, persista, siga, e iremos encontrar a paz que procuramos.

As poças tremeluziram ao redor deles, em meia centena de tons. A lama era de um marrom muito escuro que parecia quase negro, porém também havia faixas de areia dourada, rochas elevadas cinza e vermelhas, e emaranhados de algas pretas e verdes. Storks espreitou em torno das piscinas e deixou suas pegadas por todo lado, e os caranguejos correram pelas águas rasas. O ar cheirava a salmoura e podridão, e o chão sugou seus pés e os deixava continuar com relutância, emitindo um suspiro barulhento. Septão Meribald virou, girou e virou mais uma vez. Suas pegadas se encheram de água assim que ele continuou. Quando o chão começou a parecer mais firme e começou a se elevar sob os pés, eles haviam andado pelo menos dois quilômetros e meio.

Três homens esperavam por eles quando subiram as pedras quebradas que cercavam a costa da ilha. Eles estavam vestidos com as túnicas marrons 554

e pardas dos irmãos, com largas mangas em formato de sino e capuzes pontudos. Os dois também tinham peças de lã enroladas na metade de baixo de seus rostos, então tudo o que podia ser visto eram seus olhos. O terceiro irmão foi o único a falar.

— Septão Meribald, — ele chamou. — Já tem quase um ano. Seja bem-vindo. Seus acompanhantes também.

O cachorro abanou o seu rabo, e Meribald tirou a lama dos seus sapatos.

— Poderíamos solicitar a sua hospitalidade por uma noite?

— Sim, claro. Teremos cozido de peixe esta noite. Vocês vão precisar da balsa pela manhã?

— Se não for pedir muito. — Meribald virou-se para seus amigos viajantes. — Irmão Narbert é um procurador da ordem, então é permitido a ele falar por um dia a cada sete. Irmão, esse bom camarada me ajudou em meu caminho. Sor Hyle Hunt é um cavaleiro da Campina. O rapaz é Podrick Payne, vindo de Westerland. E esta é a Senhora Brienne, conhecida como Donzela de Tarth.

Irmão Narbert aproximou-se um pouco.

— Uma mulher.

— Sim, irmão. — Brienne soltou seu cabelo e o balançou. — Vocês não tem mulheres aqui?

— Não no momento, — disse Narbert. — As mulheres que nos visitam vem a nós doentes ou feridas, ou grávidas. Os sete abençoaram nosso Irmão Mais Velho com mãos que curam. Ele recuperou a saúde de muitos homens que mesmo os meistres não conseguiram curar, e de muitas mulheres também.

— Eu não estou doente, machucada ou grávida.

— Senhora Brienne é uma donzela guerreira, — confidenciou Septão Meribald, — Caçando o Cão de Caça.

— É mesmo? — Narbert parecia surpreso. — Com que finalidade?

Brienne tocou o cabo da Cumpridora de Promessas.

— Ele, — ela disse.

O procurador a estudou.

— Você é... forte para uma mulher, é verdade, mas... mas talvez eu devesse levar você até Irmão Mais Velho. Ele deve ter visto você atravessando a lama. Venha.

Narbert os guiou por um caminho de pedras entre um bosque de macieiras para um estábulo camuflado com um telhado de sapê pontiagudo.

— Vocês devem deixar seus animais aqui. Irmão Gillam vai cuidar para que sejam alimentados e recebam água.

O estábulo tinha mais do que três quartos vazios. De um lado havia meia dúzia de mulas, sendo cuidadas por um pequeno irmão de pernas tortas que Brienne pensou ser Gillam. Abaixo, na outra extremidade, bem longe dos outros animais, um grande garanhão tropeou ao som de suas vozes e deu um coice na porta de sua cocheira.

Sor Hyle olhou admirado para o grande cavalo enquanto ele segurava suas rédeas para o Irmão Gillam.

— Uma bonita fera.

Irmão Narbert disse suspirando.

— Os Sete nos enviam bênçãos, os Sete nos enviam provações. Ele deve ser bonito, mas Driftwood certamente foi parido no inferno. Quando nós o buscamos para aproveitá-lo em um arado, ele deu um coice no Irmão Rawney e quebrou sua tíbia em dois lugares. Nós tínhamos esperança que a castração iria melhorar o temperamento doentio da fera, mas... Irmão Gillam, pode mostrar a eles?

Irmão Gillam baixou o seu capuz. Sob este ele tinha um punhado de cabelo loiro, o couro cabeludo tonsurado e uma bandagem marcada de sangue onde ele deveria ter uma orelha.

Podrick disse assustado.

— O cavalo mordeu e arrancou sua orelha?

Gillam afirmou com um aceno, e cobriu novamente a sua cabeça.

— Desculpe-me,irmão, — disse Sor Hyle, — mas eu poderia arrancar a outra orelha, se você se aproximasse de mim com um par de tesouras.

A brincadeira não agradou ao Irmão Narbert.

— Você é um cavaleiro, Sor. Driftwood é uma besta de carga. O Pai deu cavalos aos homens para que estes os ajudassem em seus trabalhos. —Ele virou-se. — Se me acompanham. O Irmão Mais Velho sem dúvida os estará esperando.

A encosta era mais íngreme do que parecia entre as piscinas d’água.

Para tornar mais fácil, os irmãos construíram um lance de degraus que vagava para frente e para trás por toda a costa e entre os edifícios. Depois de um longo dia numa sela Brienne estava feliz por uma chance de estender suas pernas.

Eles passaram por uma dúzia de irmãos da ordem em sua subida; homens encapuzados em túnicas marrons e pardas que os olhavam curiosamente enquanto eles passavam; mas não disseram uma palavra de saudação. Um deles estava conduzindo um par de vacas leiteiras em direção a um celeiro baixo com telhado de grama; outro trabalhava batendo a manteiga. Nas encostas mais altas eles viram três garotos conduzindo ovelhas, e mais acima eles passaram por um cemitério onde um irmão, maior que Brienne, estava esforçando-se para cavar uma sepultura. Pela maneira com que ele se movia, era claro que ele era manco. Quando ele arremessou uma pá do solo pedregoso sobre um ombro, acidentalmente borrifou lama sobre seus pés.

— Preste mais atenção aí, — ralhou Irmão Narbert. — Septão Meribald poderia ter sido atingido por um bocado de sujeira. — O coveiro abaixou a cabeça. Quando o cachorro foi cheirá-lo ele derrubou sua pá e arranhou sua orelha.

— Um novato, — explicou Narbert.

— Para quem é a cova? — perguntou Sor Hyle, já que recomeçaram sua subida pelos degraus de madeira.

— Irmão Clement, que o Pai o julgue justamente.

— Ele era velho? — perguntou Podrick Payne.

— Se você considerar alguém de oitenta e quatro anos velho, sim, mas não foram os anos que o mataram. Ele morreu por causa dos ferimentos que ele obteve nas Salinas. Ele havia levado um pouco do nosso hidromel para o mercado lá, no dia que os fora-da-lei desceram à cidade.

— O Cão de Caça? — disse Brienne.

— Outro, tão bruto quanto. Ele cortou fora a língua do pobre Clement, pois ele não falava. Como ele havia feito voto de silêncio, o corsário disse que ele não precisava mais dela. O Irmão Mais Velho sabe mais. Ele guarda o pior das notícias de fora para si mesmo, para não perturbar a tranquilidade do septo. Muitos dos nossos irmãos vieram para cá para fugir dos horrores do mundo, não para conviver com eles. Irmão Clement não foi o único ferido entre nós. Algumas feridas não aparecem. — Irmão Narbert gesticulou para a direita. — Aqui fica nosso caramanchão de verão. As uvas são pequenas e azedas, mas fazem um vinho agradável. Nós também fermentamos nossa própria cerveja, e o nosso hidromel e nossa sidra são muito conhecidos.