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Eu não poderia — Ele deixou de lado a caneca de madeira flutuante e ficou parado. — O sino da ceia vai soar em breve. Meus amigos, venham comigo para o Septo, para orar pelas almas do bom povo das Salinas antes de nos sentarmos para partir o pão e partilhar um pouco de carne e hidromel?

— Alegremente, — disse Meribald. O cão latiu.

O ceia no septo foi a refeição mais estranha que Brienne já havia comido, mas não de todo desagradável. A comida era simples, mas muito boa; havia pães crocantes ainda mornos do forno, potes de manteiga fresca, mel das colméias do septo e um espesso cozido de caranguejo e mexilhões, e pelo menos três tipos diferentes de peixe.

Septão Meribald e Sor Hyle beberam o hidromel feito pelos irmãos, e afirmaram estar excelente, enquanto ela e Podrick se contentaram com mais sidra doce. A refeição não foi melancólica. Meribald fez uma oração antes que a comida fosse servida, e enquanto os irmãos comiam em quatro longas mesas, um deles tocou para eles uma harpa alta, enchendo o salão com sons leves e doces. Quando o Irmão Mais Velho dispensou o músico para fazer sua refeição, Irmão Narbert e outro procurador revezaram-se lendo A estrela de sete pontas.

No momento em que a leitura estava completa, o resto da comida foi recolhido pelos noviços cuja tarefa era servir. Muitos eram rapazes na idade de Podrick, ou mais novos, mas eles eram homens feitos também, e entre eles o grande coveiro que eles encontraram na colina, que tinha o andar desajeitado e balançante de um meio-aleijado. Como o salão estava vazio, o Irmão Mais Velho pediu a Narbert para mostrar a Podrick e Sor Hyle seu catre nos claustros.

— Vocês não se importam de dividir uma cela, eu espero? Não é grande, mas vocês vão achar confortável.

— Eu quero ficar com sor, — disse Podrick. — Quero dizer, minha senhora.

— O que você e a Senhorita Brienne fazem em outro lugar é entre vocês e Os Sete, — disse Irmão Narbert, — mas na Ilha Quieta, homens e mulheres não dormem debaixo do mesmo teto a não ser que sejam casados.

— Nós temos algumas modestas cabanas separadas para as mulheres que nos visitam, sejam elas nobres senhoras ou garotas comuns da vila, — disse o Irmão Mais Velho. — Elas não são utilizadas com frequência, mas as mantemos limpas e secas. Senhora Brienne, você me autorizaria a mostrar-lhe o caminho?

— Sim, obrigada. Podrick, vá com o Sor Hyle. Aqui nós somos hóspedes dos irmãos santos. Sob o teto deles, suas regras.

As cabanas eram no lado leste da ilha, com vista para uma grande extensão de lama e as águas distantes da Baía dos Caranguejos. Era mais frio do que no lado protegido, e mais selvagem. A colina era íngreme, e o caminho serpenteava para frente e para trás entre ervas daninhas e arbustos, rochas esculpidas pelo vento, e árvores torcidas, espinhosas que se agarravam tenazmente a encosta pedregosa. O Irmão Mais Velho trouxe uma lanterna para iluminar o caminho durante a decida. Em uma curva ele parou

— Numa noite clara você poderia ver os fogos nas Salinas daqui. Do outro lado da baía, ali. — Ele apontou.

— Não tem nada lá, — Brienne disse.

— Só sobrou o castelo. Mesmo os pescadores se foram, os poucos afortunados que foram embora pelas águas quando os corsários vieram. Eles viram suas casas pegarem fogo e ouviram os gritos e choros flutuarem pelo porto, ficaram com muito medo para aportarem seus barcos. Quando afinal vieram a terra, foi para enterrarem os amigos e parentes. O que há para eles agora além de ossos e lembranças amargas? Eles se mudaram para Lagoa das Donzelas ou outras cidades. — Ele gesticulou com a lanterna, e eles reiniciaram sua decida. — Salinas nunca foi um porto importante, mas alguns barcos atracavam lá de tempos em tempos. Era o que os corsários queriam, uma galera ou um barco de pesca para carregá-los através do mar estreito. Como não havia nenhum a mão, eles descontaram sua raiva e desespero no povo da cidade. Eu me pergunto, minha donzela … o que você espera encontrar lá?

— Uma garota, — ela disse a ele. — Uma donzela nobre de treze anos, com um rosto justo e cabelos ruivos.

— Sansa Stark. — O nome foi dito suavemente. — Você acredita que esta pobre criança está com o Cão de Caça?

— Um homem de Dorne disse que ela estava a caminho de Correrrio.

Timeon. Ele é um mercenário, um da Companhia dos Bravos Companheiros, um matador e estuprador e um mentiroso, mas eu não acho que ele tenha mentido a esse respeito. Ele disse que o Cão de Caça a roubou e a levou embora.

— Eu entendo. — O caminho fez uma curva, e havia as casas à frente deles. O Irmão Mais Velho as tinha chamado de modestas. E lá estavam elas.

Elas se pareciam com colméias feitas de pedra, baixas e redondas, sem janelas. — Esta, — ele disse, indicando a cabana mais próxima, a única com fumaça saindo pela chaminé no centro do telhado. Brienne teve de curvar-se ao entrar para não bater a cabeça contra o batente. Dentro ela encontrou um chão sujo, um catre de palha, peles e cobertores para mantê-la aquecida, uma bacia de água, um frasco de sidra, um pouco de pão e queijo, um pequeno fogo, e duas cadeiras baixas. O Irmão Mais Velho sentou-se em uma delas e abaixou a lanterna. — Posso ficar mais um pouco? Eu sinto que precisamos conversar.

— Se você desejar. — Brienne soltou seu cinturão e o pendurou na segunda cadeira, então sentou-se no catre com as pernas cruzadas.

— O seu homem de Dorne não mentiu, — o Irmão Mais Velho começou, — mas eu acredito que você não o tenha entendido. Você está perseguindo o lobo errado, minha donzela. Eddard Stark teve duas filhas. Foi com a outra que Sandor Clegane fugiu, a mais nova.

— Arya Stark? — Brienne ficou boquiaberta, espantada. — Você sabia disso? A irmã da Senhora Sansa está viva?

— Então, — disse o Irmão Mais Velho. — Agora ... Eu não sei. Ela pode ter sido morta entre as crianças nas Salinas.

As palavras foram uma facada em sua barriga. Não, Brienne pensou.

Não, isso seria muito cruel.

— Pode ser que... o senhor queira dizer que não tem certeza... ?

— Estou certo de que a criança estava com Sandor Clegane na pousada ao lado da encruzilhada, aquela onde a velha Masha Heddle costumava ficar, antes dos leões a terem enforcado. Estou certo de que estavam a caminho de Salinas. Mais que isso... não. Eu não sei onde ela está, ou mesmo se ela vive. Há uma coisa que eu sei, no entanto. O homem que você busca está morto.

Ela teve outro choque.

— Como ele morreu?

— Pela espada, como ele tinha vivido.

— Você sabe disso com certeza?

— Eu mesmo o sepultei. Eu posso lhe dizer onde está seu túmulo, se você desejar. Eu o cobri com pedras para impedir os comedores de carniça de comer a sua carne, e coloquei o seu elmo em cima do monte de pedras para marcar o seu lugar de descanso final. Esse foi um erro muito grave.

Alguns outros viajantes encontraram o meu marcador e o reclamaram para si mesmos. O homem que estuprou e matou em Salinas não foi Sandor Clegane, embora ele possa ser tão perigoso quanto. As terras ribeirinhas são cheias desses carniceiros. Eu não vou chamá-los de lobos. Os lobos são mais nobres do que isso... e assim são os cães, eu acho.

— Eu sei um pouco a respeito desse homem, Sandor Clegane. Ele foi o escudeiro do Príncipe Joffrey por muitos anos, e mesmo por aqui podemos ouvir falar de suas obras, tanto boas como ruins. Se metade do que ouvimos for verdade, essa era uma alma amarga, atormentada, um pecador que zombava tanto dos deuses quanto dos homens. Ele serviu, mas não encontrou nenhum orgulho em serviço. Ele lutou, mas não tomou nenhuma alegria na vitória. Ele bebeu, para afogar a sua dor em um mar de vinho. Ele não amava, nem amava a si mesmo. Foi o ódio que o guiou. Apesar de ter cometido muitos pecados, ele nunca pediu perdão. Onde outros homens sonharam encontrar o amor, ou riqueza, ou a glória, este homem Sandor Clegane sonhou em matar seu próprio irmão, um pecado tão terrível que me faz tremer só de falar dele. Esse foi o pão a alimentá-lo, o combustível que manteve suas chamas queimando. Ignóbil como foi, a esperança de ver o sangue de seu irmão sobre sua lâmina foi tudo pelo qual viveu essa triste e colérica criatura... e mesmo isso foi tirado dele, quando o príncipe Oberyn de Dorne apunhalou Sor Gregor com uma lança envenenada.