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— Muitos e muitos mais — Sor Loras admitiu.

— Esses devem ser mais do que suficientes para carregar uma tropa através de um pequeno trecho de água, eu acho.

— E quando os dracares dos homens de ferro descerem sobre a nossa miserável frota assim que estivermos fazendo o caminho através deste ‘pequeno trecho de água’, o que sua graça espera que façamos?

Se afoguem, pensou Cersei.

— Jardim de Cima tem ouro. Você tem minha permissão para contratar mercenários do outro lado do mar estreito.

— Piratas de Myr e Lys, você quer dizer? — Loras disse com desprezo. — A escória das Cidades Livres?

Ele é tão insolente como a irmã.

— É triste dizer, mas todos nós devemos lidar com a escória de tempos em tempos — ela disse com uma doçura venenosa. — Talvez tenha uma ideia melhor?

— Somente a Árvore tem galés suficiente para retomar a boca do Vago dos homens de ferro e protegerem meus irmãos durante a travessia. Eu lhe imploro Vossa Graça, envie uma mensagem a Pedra do Dragão e ordene que Lorde Redwyne levante suas velas imediatamente.

Pelo menos tem o bom senso de implorar. Paxter Redwyne tinha duzentos barcos de guerra, e cinco vezes mais naus mercantes, cocas de vinho, galés comerciais e baleeiros. Redwyne estava acampado junto às muralhas de Pedra do Dragão e a maioria de sua frota estava empenhada em transportar os homens através de Baia da Água Negra para o ataque àquela fortaleza insular. O restante patrulhava a Baia dos Naufrágios ao sul, onde só sua presença impedia que Pedra do Dragão fosse reabastecida pelo mar.

Aurane Water irritou-se com a sugestão de Sor Loras.

— Se Lord Redwyne conduzir seus barcos para longe, como vamos abastecer nossos homens em Pedra do Dragão? Sem as galés da Árvore, como vamos manter o cerco a Ponta Tempestade?

— O cerco pode ser retomado mais tarde, depois...

Cersei o interrompeu.

— Ponta Tempestade é cem vezes mais valioso do que os Escudos, e Pedra do Dragão... enquanto Pedra do Dragão permanecer nas mãos de Stannis Baratheon, é uma faca na garganta de meu filho. Libertaremos Lord Redwyne e sua frota quando o castelo cair. — A rainha pôs-se de pé. — Essa audiência está terminada. Grande Meistre Pycelle, uma palavra.

O velho sobressaltou-se, como se a voz dela houvesse o acordado de algum sonho de juventude, mas antes que pudesse responder, Loras Tyrell avançou a passos largos tão rapidamente que a rainha recuou com receio, alarmada. Estava prestes a gritar para Sor Osmund defendê-la quando o Cavaleiro das Flores caiu sobre um joelho.

— Vossa Graça, deixe-me tomar Pedra do Dragão.

A mão de sua irmã foi parar na boca.

— Loras, não.

Sor Loras ignorou sua súplica.

— Levará meio ano ou mais para levar Pedra do Dragão à submissão pela fome, como Lorde Paxter quer fazer. Dê-me o comando, Vossa Graça.

O castelo será seu em uma quinzena, nem que tenha que derrubá-lo com as minhas próprias mãos.

Ninguém tinha dado a Cersei um presente tão adorável desde que Sansa Stark correu a ela para revelar os planos de Lorde Eddard. Estava satisfeita de ver como Margaery tinha ficado pálida.

— Sua coragem me tira o fôlego, Sor Loras — disse Cersei. — Lorde Waters, algum de nossos novos dromondes está preparado para ser lançado ao mar?

Doce Cersei está, Vossa Graça. Um barco rápido, e tão forte como a rainha da qual obteve o nome.

— Esplêndido. Vamos deixar Doce Cersei levar nosso Cavaleiro das Flores para Pedra do Dragão imediatamente. Sor Loras, o comando é seu.

Jura-me que não retornará enquanto Pedra do Dragão não for de Tommen.

— Eu juro, Vossa Graça. — Ele levantou.

Cersei o beijou em ambas as bochechas. Beijou também sua irmã, e sussurrou:

— Você tem um irmão galante. — Ou Margaery não teve a elegância de responder, ou o medo tinha roubado suas palavras.

A alvorada estava a várias horas de distância quando Cersei se esgueirou pela porta do rei atrás do Trono de Ferro. Sor Osmund foi a sua frente com o archote e Qyburn caminhava ao seu lado, caminhando em pequenos passinhos. Pycelle tinha que se esforçar para acompanhar.

— Se vossa graça me permite — ele ofegou — jovens são muito ousados, e pensam somente na glória da batalha, nunca em seus perigos. Sor Loras... o plano dele é repleto de perigos. Para invadir as muitas muralhas de Pedra do Dragão…

— ...tem que ser muito corajoso.

— ...corajoso, sim, mas...

— Não tenho dúvidas que o nosso Cavaleiro das Flores será o primeiro homem a ganhar as ameias.

E talvez o primeiro a cair. O bastardo bexiguento que Stannis tinha deixado para manter seu castelo não era nenhum campeão de torneio imaturo, mas sim um assassino experiente. Se os deuses fossem bons, dariam a Sor Loras o fim glorioso que ele parecia querer. Assumindo que o garoto não se afogaria no caminho. Tinha havido outra tempestade na noite passada, uma das violentas. A chuva havia caído em lençóis negros por horas. E isso não seria triste? A rainha pensou. Afogamento é comum. Sor Loras anseia por glória assim como homens de verdade anseiam por mulheres, o mínimo que os deuses podiam fazer é conceder a ele uma morte digna de canção.

Não importava o que acontecesse ao garoto em Pedra do Dragão e, de qualquer maneira, a rainha sairia vencedora. Se Loras tomasse o castelo, Stannis sofreria um golpe doloroso, e a frota Redwyne estaria livre para navegar ao encontro dos homens de ferro. Se falhasse, ela asseguraria de que levasse a parte da culpa do leão. Nada mancha mais o herói do que o fracasso. E se ele tiver que voltar para casa em seu escudo, coberto de sangue e glória, Sor Osney estará lá para consolar o sofrimento de sua irmã.

O riso não podia ser contido por muito mais tempo. Ele explodiu dos lábios de Cersei, e ecoou pelo corredor.

— Vossa Graça? — pestanejou Grande Meistre Pycelle, com sua flácida boca aberta. — Porque... porque está rindo?

— Porque, — ela tinha de dizer — caso contrário poderia chorar.

Meu coração está repleto de amor pelo nosso Sor Loras e pelo seu valor.

Ela deixou o Grande Meistre na escada em espiral. Aquele já viveu mais do que qualquer utilidade que um dia pode ter tido, decidiu a rainha.

Tudo que Pycelle estava fazendo era praguejá-la com advertências e objeções. Até mesmo tinha contestado o acordo que tinha feito com o Alto Septão, olhando-a de boca aberta e com um olhar estúpido quando o ordenou que preparasse os documentos necessários e balbuciando acerca de história velha e morta até que Cersei o interrompera.

— Os tempos do Rei Maegor terminaram, e os seus decretos também — disse com firmeza. — Estes são os tempos do Rei Tommem, e meus. — Teria feito melhor se tivesse o deixado nas celas negras.

— Caso Sor Loras caia, Vossa Graça irá precisar encontrar alguém merecedor para a Guarda Real. — disse Lorde Qyburn quando atravessavam o fosso coberto de espigões que cingia a Fortaleza de Maegor.

— Alguém esplêndido — concordou. — Alguém tão jovem, rápido e forte que Tommen esqueça tudo sobre Sor Loras. Um pouco de cavalheirismo não lhe faria mal, mas sua cabeça não deve estar cheia de ideias tolas. Você conhece tal homem?.

— Quem me dera! — disse Qyburn. — Tenho outro tipo de herói em mente. O que lhe falta de cavalheirismo ele lhe dará dez vezes em devoção. Protegerá seu filho, matará seus inimigos, e guardará seus segredos, e nenhum homem vivo será capaz de resistir a ele.

— Isso é o que você diz. Palavras são vento. Na hora certa, você poderá apresentar este santo e veremos se ele é tudo isso que você prometeu.