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— Irão cantar sobre ele, eu juro isso. — Os olhos de Lorde Qyburn enrugavam-se com a diversão. — Posso perguntar sobre a armadura?

— Eu estou cuidando de seu pedido. O armeiro pensa que sou louca.

Ele me garante que nenhum homem é forte o suficiente para mover-se e lutar com tamanho peso de aço. — Cersei deu ao meistre sem corrente um olhar de advertência. — Faça-me de tola, e irá morrer gritando. Acredito que esteja ciente disso?

— Sempre, Vossa Graça.

— Bom. Não diga mais nada sobre isso.

— A rainha é sábia. Estas paredes têm ouvidos.

— Pois elas têm. — À noite, Cersei às vezes ouvia sons suaves, até mesmo em seus próprios aposentos. Ratos nas paredes, ela se dizia, nada mais que isso.

Uma vela estava queimando ao lado de sua cama, mas a lareira apagou-se e não havia mais nenhuma luz. O quarto estava frio também.

Cersei despiu-se e caiu debaixo dos cobertores, deixando seu vestido amontoado no chão. Do outro lado da cama, Taena se moveu.

— Vossa Graça — murmurou baixinho. — Que horas são?

— A hora da coruja — a rainha respondeu.

Embora muitas vezes Cersei dormisse sozinha, nunca tinha gostado.

Suas mais antigas memórias eram de compartilhar a cama com Jaime, quando eram tão jovens que ninguém os conseguia distinguir. Mais tarde, depois de terem sido separados, teve uma série de companheiras de cama, a maioria garotas de mesma idade que ela, filhas de cavaleiros e vassalos de seu pai. Nenhuma tinha lhe agradado e poucas duraram muito.

Serpentezinhas, todas elas. Insípidas, criaturas chorosas, sempre contando histórias e tentando intrometer-se entre mim e Jaime. Ainda assim, houve profundas noites nas entranhas do Rochedo, em que aceitou de bom grado o calor delas ao seu lado. Uma cama vazia é uma cama fria.

Ainda mais ali. Aquele quarto lhe dava calafrios, e seu miserável real marido havia morrido sob aquela copa. Robert Baratheon, o Primeiro de Seu Nome, que nunca haja um segundo. Um burro, bêbado bruto. Que chore no inferno. Taena aquecia a cama como Robert jamais o fez, e nunca tentou forçá-la a abrir as pernas. Nos últimos tempos, compartilhava a cama da rainha mais frequentemente do que com Lorde Merryweather. Orton parecia não se importar... Ou se ele se importava, sabia que não o devia dizer.

— Fiquei preocupado quando acordei e vi que tinha ido embora — murmurou a Senhora Merryweather, sentando-se e encostando-se nos travesseiros, com as colchas envolvendo sua cintura. — Alguma coisa errada?

— Não — disse Cersei — tudo está bem. De manhã Sor Loras irá navegar a Pedra do Dragão, para conquistar o castelo, liberar a frota Redwyne, e provar sua virilidade para todos nós.

Disse à mulher Myrish tudo o que tinha ocorrido sob a oscilante sombra do Trono de Ferro.

— Sem seu valente irmão, nossa pequena rainha está quase nua. Ela tem seus guardas, com certeza, mas eu tenho visto o seu capitão por aí, no castelo. Um homem loquaz com um esquilo em sua armadura. Os esquilos fogem dos leões. Ele não tem o que é preciso para desafiar o Trono de Ferro.

— Margaery tem outras espadas — advertiu a Senhora Merryweather. — Ela tem feito muitos amigos na corte, e ela e suas jovens primas tem admiradores.

— Alguns pretendentes não me preocupam — disse Cersei — Já o exército em Ponta Tempestade...

— O que está pretendendo fazer, Vossa Graça?

— Porque está perguntando? — A pergunta era um pouco afiada demais para o gosto de Cersei. — Eu espero que não esteja pensando em compartilhar meus pensamentos com a nossa pequena pobre rainha?

— Nunca. Eu não sou a tal Senelle.

Cersei não queria pensar em Senelle. Ela pagou a minha bondade com traição. Sansa Stark tinha feito o mesmo. E o mesmo tinham feito Melara Hetherspoon e a gorda Jeyne Farman quando as três eram crianças.

Nunca teria entrado naquela tenda se não fosse por elas. Nunca teria permitido que Maggy, a Rã, saboreasse os meus amanhãs numa gota de sangue.

— Ficaria muito triste se um dia traísse minha confiança, Taena.

Não teria escolha a não ser entregar você a Lorde Qyburn, mas sei como eu choraria.

— Nunca daria motivos para você chorar, Vossa Graça. Se eu der, me diga, e eu própria me entregarei a Qyburn. Só quero estar perto de você.

Para servir você, de qualquer jeito que você necessitar.

— E por este serviço, que recompensa você espera?

— Nada. Agrada-me lhe agradar. — Taena rolou para o lado dela, sua pela morena brilhando a luz das velas. Seus seios eram maiores do que os da rainha e terminava com enormes mamilos, negros como carvão. Ela é mais jovem que eu. Seus seios não começaram a ceder. Cersei se perguntou como seria a sensação de beijar outra mulher. Não levemente na bochecha, como era comum na cortesia das senhoras de alto nascimento, mas sim em cheio nos lábios. Os lábios da Taena eram muito cheios. Ela se perguntou como seria a sensação de mamar naqueles seios, colocar a mulher Myrish de costas e empurrar as pernas dela e usá-la como um homem poderia usá-la, como Robert a usou quando a bebida estava nele, e ela era incapaz de fazê-lo parar com sua mão ou boca.

Aquelas tinham sido as piores noites, encontrando-se impotente debaixo dele e ele a tendo a seu prazer, fedendo a vinho e grunhindo como um javali. Normalmente ele saia e ia dormir assim que acabava, e estava roncando antes que sua semente pudesse secar nas coxas de Cersei. Ela sempre ficava ferida depois, em carne viva entre as pernas, com seus seios doloridos pelo maltrato que eles sofreram. A única vez que a deixara molhada foi na noite de núpcias.

Robert fora bastante bonito quando se casaram. Alto, forte e poderoso, mas seu cabelo era preto e pesado, espesso no peito e grosso em torno de seu sexo. O homem errado tinha voltado do Tridente, a rainha pensava às vezes enquanto ele estava lutando com ela. Nos primeiros anos, quando montava nela mais vezes, fechava os olhos e fingia que era Rhaegar.

Não conseguia fingir que era Jaime; Era tão diferente, tão estranho. Até mesmo o cheiro dele estava errado.

Para Robert, nunca aquelas noites aconteceram. Ao chegar a manhã nada recordava, ou ao menos era isso que queria que ela acreditasse. Uma vez, durante o primeiro ano do casamento, Cersei manifestou seu descontentamento no dia seguinte.

— Você me machucou — reclamou. Ele teve a decência de parecer envergonhado.

— Não fui eu, minha senhora — disse em um aborrecido tom sombrio, como uma criança que foi pega tentando roubar bolos de maçã da cozinha. — Foi o vinho, eu bebo muito vinho. — Para arrastar abaixo sua confissão, ele pegou seu chifre de cerveja. Quando o levou para a boca, ela atirou-lhe seu próprio chifre no rosto dele, com tanta força que lascou um dente. Anos mais tarde em um banquete o escutou contando a uma criada como quebrou o dente em um corpo a corpo. Bem, nosso casamento foi uma briga, ela refletiu, então ele não mentiu.

Mas todo o resto tinha sido só mentiras. Ele se lembrava do que lhe fazia a noite, estava certa disso. Podia ver em seus olhos. Só fingia esquecer; isso era mais fácil do que enfrentar sua vergonha. No fundo, Robert Baratheon era um covarde. Com o tempo os assaltos se tornaram menos frequentes. Durante o primeiro ano, ele a tomava pelo menos uma vez por quinzena, no final não era mais do que uma vez por ano. Nunca parou completamente, no entanto. Cedo ou tarde sempre havia uma noite em que bebia demais e queria reivindicar os seus direitos. O que o envergonhava a luz do dia o dava prazer na escuridão.

— Minha rainha? — disse Taena Merryweather. — Está com um olhar estranho em seus olhos. Está indisposta?