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Arya mordeu o lábio.

— Será que funcionaria em cães?

— Em qualquer animal com sangue quente. — A órfã lhe estapeou.

Ela levantou sua mão para a bochecha, mais surpresa do que machucada.

— Porque você fez isso?

— É Arya da Casa Stark que morde o seu lábio sempre que está pensando. Você é Arya da Casa Stark?

— Eu não sou ninguém — ela estava brava. – Quem é você?

Ela não esperava que a órfã respondesse, mas ela respondeu.

— Eu nasci a única filha de uma antiga casa, meu pai era um herdeiro nobre — a órfã respondeu. — Minha mãe morreu quando eu era pequena, e eu não tenho nenhuma memória dela. Quando eu tinha seis anos meu pai casou-se de novo. Ela tratava-me gentilmente até dar a luz a sua própria filha. Então, era seu desejo que eu deveria morrer, assim seu próprio sangue herdaria a riqueza do meu pai. Ela deveria ter pedido o favor ao deus de Muitas Faces, mas ela não suportaria o sacrifício que ele pediria a ela. Ao invés disso, ela tentou me envenenar com suas próprias mãos. Ela me deixou como você me vê agora, mas eu não morri. Quando os curandeiros da Casa das Mãos Vermelhas disseram ao meu pai o que ela tinha feito, ele veio aqui e fez o sacrifício, oferecendo toda a sua riqueza e a mim. Aquele de Muitas Faces ouviu sua oração. Eu fui traga ao templo para servir, e a esposa do meu pai recebeu o presente.

Arya a considerou com cautela.

— Isso é verdade?

— Há verdade nisto.

— E mentiras também?

— Há alguma inverdade, e um exagero.

Ela tinha observado o rosto da órfã o tempo todo em que ela contara a história, mas a garota não mostrara nenhum sinal.

— O deus de Muitas Faces pegou um terço da riqueza do seu pai, mas não toda.

— Exatamente, esse foi o meu exagero.

Arya sorriu, e percebendo que estava sorrindo, se deu um beliscão na bochecha. Controle seu rosto, disse a si mesma. Meu sorriso é meu servo, ele deve vir ao meu comando.

— Que parte é a mentira?

— Nenhuma. Eu menti sobre a mentira.

— Você fez? Ou você está mentindo agora?

Mas, antes que a órfã pudesse responder, o homem bondoso entrou na sala, sorrindo.

— Você retornou para nós!

— A lua está negra.

— É verdade. Quais são as três novas coisas que você sabe que você não sabia quando nos deixou?

Eu sei de trinta coisas novas, ela quase disse.

— Três dos dedos no pequeno Narbo não irão mais se dobrar, ele pretende ser um remador.

— É bom saber disso. O que mais?

Ela fez uma retrospectiva em seus dias.

— Quence e Alaquo tiveram uma briga e deixaram o navio, mas eu acho que eles irão voltar.

— Você apenas acha ou você sabe?

— Eu apenas acho. — Ela teve que confessar, mesmo pensando que estava certa disso. Cantores tinham que comer o mesmo que os outros homens, e Quence e Alaquo não eram bons suficientes para o Lanterna Azul.

— Este é o ponto — disse o homem bondoso — e a terceira coisa?

Desta vez ela não hesitou.

— Dareon está morto. O negro cantor que estava dormindo no Porto Feliz. Ele realmente era um desertor da Patrulha da Noite. Alguém cortou sua garganta e empurrou-o em um canal, mas eles mantiveram suas botas.

— Boas botas são difíceis de encontrar.

— Exatamente. — Ela tentou manter seu rosto imóvel.

— Quem poderia ter feito uma coisa dessas, eu me pergunto.

— Arya da Casa Stark. — Ela observou seus olhos, sua boca, os músculos da sua mandíbula.

— Aquela garota? Eu pensei que ela havia deixado Bravos. Quem é você?

— Ninguém.

— Você mente. — Virou-se para a órfã. — Minha garganta está seca. Faça a gentileza de trazer-me uma taça de vinho e um leite quente para nossa amiga Arya, que voltou para nós de forma tão inesperada.

Em seu caminho através da cidade, Arya se perguntava o que o homem bondoso diria quando ela lhe contasse sobre Dareon. Talvez ele ficasse zangado com ela, ou talvez ele ficaria satisfeito que ela tivesse dado ao cantor o presente do deus de Muitas Faces. Ela havia passado esta conversa dentro de sua cabeça centenas de vezes, como um cantor em seu show. Mas ela nunca pensou em leite quente.

Quando o leite veio, Arya bebeu o todo. Cheirava um pouco queimado e tinha um sabor amargo.

— Vá para a cama agora, criança. — O homem bondoso disse — amanhã você deverá servir.

Esta noite ela sonhou que era um lobo novamente, mas foi diferente dos outros sonhos. Neste sonho, ela não tinha matilha. Ela vagava sozinha, pulando sobre os telhados e estofamentos em silencio ao lado dos bancos de um canal, perseguindo sombras através do nevoeiro.

Quando ela acordou na manhã seguinte, ela estava cega.

SAMWELL

O Vento Canela era um navio-cisne procedente da Cidade das Árvores Altas, nas Ilhas do Verão, onde os homens eram negros, as mulheres eram ousadas e até os deuses eram estranhos. Não levavam a bordo nenhum septão que pudesse fazer uma pregação fúnebre, de modo que esta tarefa foi designada à Samwell Tarly, enquanto passavam pelo litoral sul de Dorne.

Sam se vestiu de negro para dizer suas palavras, mesmo com a tarde seca e abafada, sem nenhum sopro de vento.

— Foi um bom homem — ele começou. Mas assim que disse as palavras, se deu conta de que estava errado. — Não, foi um grande homem.

Um meistre da Cidadela, com a corrente e o juramento, um irmão juramentado da Patrulha da Noite, sempre fiel. Quando nasceu, lhe deram o nome de um herói que havia morrido muito jovem, mas ele viveu muito, muito tempo, e sua vida não foi menos heróica. Não houve um homem mais sábio, mas gentil, mais bondoso. Pela muralha, uma dúzia de lordes comandantes veieram e se foram durante seus anos de serviço, e ele esteve lá para aconselhar a cada um. Também aconselhou reis. Ele mesmo poderia ter sido um rei. Porém, quando lhe ofereceram a coroa, pediu que a entregassem a seu irmão mais novo. Quantos homens fariam isso? — Sam sentiu lágrimas escorrerem pelo seu rosto, e sabia que não podia continuar por muito mais tempo. — Ele era do sangue do dragão, mas agora seu fogo se apagou. Ele era Aemon Targaryen, e agora seu tempo chegou ao fim.

— Agora seu tempo chegou ao fim, — murmurou Goiva depois dele, balançando o bebê em seus braços. Kojja Mo também repetiu na língua comum de Westeros, e depois continuou na língua de verão para Xhondo, seu pai e o resto da tripulação. Sam abaixou a cabeça e começou a chorar, com soluços tão altos e violentos que faziam todo seu corpo estremecer.

Goiva veio e o deixou ficar ao seu lado, a chorar sobre o seu ombro. Havia lágrimas em seus olhos também.

O ar estava úmido, quente, mortalmente calmo, e o Vento Canela estava à deriva em um mar azul profundo, onde a terra estava muito além da vista.

— Sam, o Negro, disse belas palavras, — disse Xhondo. — Agora nós beberemos a sua vida. — Ele gritou algo na língua de verão, e um barril de rum foi rolado pelo convés, e depois foi aberto, para que pudessem encher suas taças em memória do velho dragão cego. A tripulação havia se conhecido há pouco tempo, mas, nas Ilhas do Verão, se reverenciavam os idosos e celebravam os mortos.

Sam nunca havia bebido rum antes. O licor era estranho e inebriante, doce no início, mas com um sabor de fogo que queimou sua língua. Estava cansado, muito cansado. Todos os seus músculos doiam, e doiam também lugares onde ele nem sabia ter músculos. Seus joelhos estavam rigídos, e as mãos estavam cobertas de bolhas novas, enquanto tinha manchas de pele onde as bolhas antigas tinham estourado. No entanto, o rum e a tristeza pareciam levar suas mágoas para longe.

— Se pudéssemos ter chegado a Vilavelha, o arquimeistre poderia tê-lo salvo, — disse Goiva, uma vez que tomou o rum na proa alta do Vento Canela. — Os curandeiros da Cidadela são os melhores dos Sete Reinos, por um tempo eu pensei... Eu esperava...