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Vai ser queimado de qualquer forma, Sam pensou tristemente, mas sou eu quem vai queimar ele. Os Targaryens sempre deram seus mortos para as chamas. Quhuro Mo não permitiria uma pira funerária a bordo do Vento Canela, então o cadaver de Aemon foi colocado dentro de um barril de rum para ficar conservado até que chegassem a Vilavelha.

— Na noite antes de morrer ele perguntou se poderia segurar o bebê,

— Goiva continuou. — Eu estava com medo de deixar, mas ele nunca tinha segurado antes. Ele o sacudiu e cantarolou para ele, e o menino de Dalla esticou a mão e tocou o seu rosto. A forma que ele puxou seu lábio. Eu pensei que ele poderia machucar Aemon, mas isso só fez o velhor rir. — Ela acariciou a mão de Sam. — Nós poderíamos dar-lhe o nome de Meistre, se você quiser. Quando ele tiver idade suficiente, não agora.

— Meistre não é um nome, você pode chama-lo de Aemon.

Goiva pensou por um momento.

— Dalla o pariu durante a batalha, com as espadas cantando ao seu redor. O seu nome deveria ser Aemon Battleborn. Ou Aemon Steelsong.

Meu pai gostaria destes nomes, pensou Sam. É um nome de guerreiro. O menino era filho de Mance Rayder e neto de Craster, afinal. Em suas veias não corriam o sangue de Sam, o Covarde.

— Sim, chame-o assim, — disse Sam.

— Quando ele fizer dois anos ela prometeu. Não antes.

— Onde está o menino? — Sam perguntou. Entre tanto rum e tristeza, levou muito tempo para perceber que ela não estava com o ele.

— Está com Kojja. Pedi que ela cuidasse dele por um tempo.

— Ah...

Kojja Mo era filha do capitão, mais alta do que Sam e esbelta como uma lança, com uma pele negra e lisa como jato polido. Ela era a capitã dos arqueiros vermelhos do navio também, e utilizava um arco de dupla curvatura que podia atirar flechas a trezentos e sessenta metros. Quando foram atacados pelos piratas nos Degraus, as flechas de Kojja mataram uma dúzia deles, enquanto as de Sam caíram na água. A única coisa que Kojja Mo gostava mais do que o seu arco era ficar com o bebê de Dala, fazendo-o pular sobre seus joelhos e cantarolando para ele na língua de verão. O príncipe selvagem se tornou o queridinho de todas as mulheres na tripulação, e Goiva parecia confiar nelas como nunca havia confiado em qualquer homem.

— Que legal da parte de Kojja, — disse Sam.

— Eu estava com medo dela no início, — disse Goiva. — Ela é tão negra, e seus dentes são tão grandes e brancos, eu tinha medo que ela fosse um animal ou um monstro, mas ela não é. Ela é boa. Eu gosto dela.

— Eu sei. — Na maior parte de sua vida, o único homem que Goiva tinha conhecido fora o aterrorizante Craster. Todo o resto de seu mundo era constituído por mulheres. Homens a assutam, Sam percebeu, mas as mulheres não. Ele entendia isso. Quando voltou para Monte Chifre ele também tinha preferido à companhia das meninas.

Suas irmãs tinham sido gentis com ele, e apesar das outras meninas, às vezes, zombarem dele, as palavras cruéis eram mais fáceis de perdoar do que os golpes e bofetadas que ele levava dos outros meninos no castelo.

Mesmo agora, no Vento Canela, Sam sentia-se mais confortável com Kojja Mo do que com o pai dela, apesar de que poderia ser, porque ela falava o Idioma Comum e ele não.

— Eu também gosto de você, Sam. E também gosto dessa bebida.

Tem sabor de fogo.

Sim, pensou Sam. É uma bebida feita para dragões. Seus copos estavam vazios, por isso ele foi até o barriu e os encheu novamente. O sol estava baixo no oeste, e sua luz avermelhada fazia a face de Goiva parecer corada. Eles beberam a saúde de Kojja Mo, ao menino de Dalla, ao bebê de Goiva que havia ficado para trás, na muralha. Depois, se sentiram obrigados a beber dois copos a Aemon, da Casa Targaryen.

— Que o Pai julgue-o com justiça, — Disse Sam, fungando.

O sol estava quase desaparecendo com o passar do tempo, o mesmo que o tempo havia feito com Meistre Aemon. Apenas uma linha avermelhada muito fina brilhava no horizonte ocidental, como uma fita no céu. Goiva disse que a bebida estava fazendo o barco dar voltas, assim Sam a auxiliou a descer as escadas para os aposentos das mulheres na proa do navio.

Havia apenas uma lanterna pendurada na cabine, e ele conseguiu bater sua cabeça nela ao adentrar o aposento.

— Ai! — Ele disse.

E Goiva disse.

— Você se machucou? Deixe-me ver. — Ela se inclinou... E beijou sua boca. Sam devolveu o beijo. Eu fiz o juramento, ele pensou, mas as mãos dela já estavam desamarrando os cordões de sua calça. Ele interrompeu o beijo apenas tempo suficiente para dizer:

— Nós não podemos.

Mas Goiva disse:

— Nós podemos! — E cobriu a boca dele com a sua própria boca.

O Vento Canela estava girando em torno deles, e ele provava o rum na boca de Goiva, e logo viu seus seios nus, e os tocou. Pronunciei o juramento, pensou outra vez, mas os seus lábios encontraram o caminho até um dos mamilos dela. Eram rosados e duros, e, quando ele chupou, sua boca se encheu de leite, misturando-se com o sabor do rum, e ele descobriu que nunca tinha provado nada tão belo, tão doce, tão bom. Se eu fizer isso eu não sou melhor do que Dareon, Sam pensou, mas tudo era tão bom que ele não podia parar. E de repente seu pau estava para fora, projetado por cima de suas calças, como um mastro rosado de gordura. Ele tinha um aspecto tão tolo que ele poderia ter rido, mas Goiva o segurou, subiu suas saias em torno das coxas, e abaixou-se sobre ele com um gemido. Isto era ainda melhor que os mamilos. Ela é tão molhada, ele pensou ofegante. Eu nunca soube que era tão molhado embaixo das pernas de uma mulher.

— Eu sou sua mulher agora, — ela sussurrou, deslizando sobre ele, para cima e para baixo. E gemendo.

Sam pensou: Não, não, você não pode s er, eu disse as palavras, eu fiz o juramento. Mas a única palavra que ele disse foi:

— Sim.

Depois ela dormiu com os braços em torno dele, com o rosto em seu peito. Sam precisava dormir bem, mas ele estava bêbado de rum e do leite materno de Goiva. Ele sabia que deveria se arrastar de volta para sua rede na cabine dos homens, mas se sentia tão bem enrolado contra ela que de alguma forma não conseguia se mover.

Outros entraram, um homem e uma mulher, e ele ouviu os dois se beijando, rindo e se acasalando. Nas Ilhas do Verão, é assim que eles choram. Eles respondem a morte com a vida. Sam tinha lido isso em algum lugar, há muito tempo. Ele se perguntou se Goiva sabia disto, se Kojja Mo havia lhe contado.

Ele respirou o perfume dos cabelos dela e olhou para a lanterna que acompanhava o balanço do navio. Nem mesmo a Velha poderia me tirar dessa em segurança, pensou Sam. A melhor coisa que eu poderia fazer era escapar saltando para o mar. Se eu morresse afogado, ninguém precisaria ficar sabendo que eu me envergonhei. Que quebrei meu uramento, e Goiva poderia encontrar um homem melhor, um que não fosse um grande gordo covarde.

Ele acordou na manhã seguinte em sua própria rede na cabine dos homens, com os berros de Xhondo sobre o vento.

— O vento esta aumentando, — gritava Xhondo. — Acorde e trabalhe Sam, o Negro. O vento está aumentando.

O que faltava no vocabulário do homem, ele completava com a altura de seus berros. Sam se levantou da rede com um supetão, e se arrependeu. Sentia como se sua cabeça fosse se partir ao meio. Uma das bolhas de sua mão se rasgara durante a noite, e ele se sentiu prestes a vomitar.