—Vossa Graça está lutando sua própria guerra, Principe Jalabhar.
Ele não tem homens de sobra para sua guerra agora. No ano que vem, talvez.
— Isso era o que Robert sempre dizia a ele. Ano seguinte ela lhe diria nunca, mas não hoje. Pedra do Dragão era dela.
Lorde Hallyne da Guilda dos Alquimistas apresentou-se, para pedir que seus piromaníacos fossem autorizados a eclodir qualquer ovo de dragão que pudesse se transformar em Pedra do Dragão, agora que a ilha estava a salvo de volta nas mãos do rei.
— Se esses ovos permancerem, Stannis poderia vendê-los para pagar por sua rebelião, — a rainha disse a ele. Ela se absteve de dizer que o plano era louco. Desde que o último dragão Targaryen tinha morrido, todas estas tentativas terminaram em morte, desgraça ou desastre.
Um grupo de comerciantes apareceu diante dela para implorer que o trono intercedesse por eles junto ao Banco de Ferro de Bravos. Os Bravosianos estavam exigindo reembolso das suas dividas pendentes ao que parecia, e recusavam todos os novos empréstimos. Precisamos de nosso próprio banco, Cersei decidiu, o Banco de ouro de Lannisporto.
Talvez quando o trono de Tommen fosse seguro, ela poderia fazer isso acontecer. Por agora, tudo o que podia fazer era dizer aos comerciantes para pagar aos Bravosianos o que lhes era devido.
A delegação da Fé era chefiada por seu velho amigo Septão Raynard. Seis dos Filhos do Guerreiro acompanhavam-o por toda a cidade; juntos eles eram sete, um número sagrado e propício. O novo Alto Septão — ou Alto Pardal, como o Menino da Lua o tinha apelidado— fez tudo pelo sete. Os cavaleiros usava cinto para espadas listrados nas sete cores da Fé. Cristais adornavam as baias de suas espadas longas e as cristas de seus grandes elmos.
Eles carregavam escudos no format de pipas, um estilo não comum desde a Conquista, exibindo um dispositivo que não era visto nos Sete Reinos pos séculos: uma espada arco-íris brilhando em cima de um campo de escuridão. Perto de uma centena de cavaleiros já haviam saído para lhe prometer suas vidas e espadas para os Filhos do Guerreiro, Qyburn alegou, e muitos mais a cada dia. Bêbados dos deuses, a maioria deles.
Quem teria pensando o que reino tinha tantos deles?
A maioria tinha sido cavaleiros domésticos e cavaleiros de fortalezas, mas um punhado era de nascimento elevado; filhos mais novos, lordes mesquinhos, velhos querendo expiar os pecados da idade. E então havia Lancel. Ela tinha pensando que Qyburn deveria estar blefando quando ele disse a ela que seu primo idiota havia abandonado o castelo, as terras e a mulher e perambulou de volta a cidade para participar da nobre e pulsante Ordem dos Filhos dos Guerreiros, mas lá estava ele com os outros tolos piedosos.
Cersei não gostava de todos. Nem estava satisfeita com a truculência infinita e ingratidão do Alto Pardal.
— Onde está o Alto Septão? — Ela exigiu de Raynard. — Foi ele que eu convoquei.
Septão Raynard assumiu um tom pesaroso.
Sua Alta Santidade me enviou em seu lugar, e mandou que eu diga a Vossa Graça que os Sete enviaram a ele uma dura batalha.
— Como? Pregando a castidade ao longo da Rua da Seda? Será que ele pensa que orando por prostitutas vai transformá-las de volta em virgens?
— Nossos corpos foram moldados por nossos Pai e Mãe, assim poderíamos ser tanto do sexo masculino quanto feminino e gerar filhos legítimos, — Raynard respondeu. — É de base e pecaminoso para as mulheres vender suas partes sagradas por moedas.
O sentimento piedoso teria sido mais convincente se a rainha não soubesse que o Septão Raynard tinha amigos especiais em cada bordel da Rua da Seda. Sem dúvida, ele havia decidido que ecoar os pios do Alto Pardal era preferível que esfregar pisos.
— Não cabe a mim pregar. — Ela disse a ele. — Os guardas dos bordéis tem reclamado, e com razão.
— Se são os pecadores que falam, porque os justos deveriam ouvir?
— Esses pecadores alimentam os cofres reais, — a rainha disse sem rodeios, — e seus centavos ajudam a pagar o salário da minha guarda real e construir navios para defender nossas costas. Existe um comércio a ser considerado também. Se Porto Real não tivesse bordéis, os navios iriam para Valdocaso ou Vila Gaivota. Sua Alta Santidade prometeu-me paz nas minhas ruas. Prostituir ajuda a manter a paz.
Homens comuns quando privados de prostitutas estão aptos a voltar-se para o estupro. Doravante, Sua Alta Santidade faz suas preces no Septo, o lugar ao qual ele pertence.
A rainha esperava ouvir notícias de Lorde Gyles, mas ao invés disso o Grande Meistre Pycelle apareceu, sua face cinza e apática, para dizer que Rosby estava fraco demais para deixar sua cama.
— Triste dizer, eu temo que Lorde Gyles deve se juntar aos seus antepassados nobres em breve. Que o Pai possa julgá-lo com justiça.
Se Rosby morrre, Mace Tyrell e a pequena rainha vão tentar forçar Garth, o Bruto a mim novamente.
— Lorde Gyles tem tosse há anos, e ele não morreu por isto, — reclamou. — Ele tossiu durante a metade do reinado de Robert e todo o reinado de Joffrey. Se ele está morrendo agora, só pode ser porque alguém o quer morto.
Grande Meistre Pycelle piscou em descrença.
— Vossa Graça? Quem iria querer Lorde Gyles morto?
— Seu herdeiro, talvez. — Ou a pequena rainha. — Alguma mulher que ele tenha desprezado. — Margaery e Mace e a Rainha de Espinhos, porque não? Gyles estava em seu caminho. — Um velho inimigo. Um novo. Você.
O velho empalideceu.
— Vossa Graça. Eu… tenho purgado este Lorde, sangrado ele, o tratado com cataplasmas e infusões... as nevoas dão a ele algum alívio e doces sonhos ajudam com a violência de sua tosse, mas ele está trazendo pedaços de seu pulmão agora, eu temo.
— Seja como for, você vai retornar para Lorde Gyles e informá-lo que ele não tem a minha licença para morrer.
— Se Vossa Graça permitir, dê-me licença. — Pycelle curvou-se rigidamente.
Havia mais, e mais, e mais, cada um dos peticionários mais chato que o último. E naquela noite, quando o último deles tinha finalmente voltado e ela estava comendo uma ceia simples, com seu filho, ela lhe disse:
— Tommen, quando você diz suas preces antes de dormir, diga a Mãe e ao Pai que você lhes é grato por ainda ser uma criança. Ser rei é trabalho duro. Eu prometo a você, você não vai gostar. Eles bicam você como em um assassinato de corvos. Cada um quer um pedaço da sua carne.
— Sim, Mãe, — disse Tommen, em um tom triste. A pequena rainha lhe contara sobre Sor Loras, ela compreendeu. Sor Osmund disse que o menino tinha chorado. Ele é jovem. Até chegar a idade na qual Joff moreu, ele não se lembrará da aparência de Loras. — Eu não me importaria com as bicadas, porém, — seu filho chegou a dizer. — Eu deveria ir ao tribunal com vocês todos os dias, para ouvir. Margaery disse.
— É coisa demais, — Cersei completou. — Por um momento eu ficaria feliz que ela tivesse sua língua arrancada.
— Não diga isso, — gritou Tommen de repente, seu rosto redondo ficando um pouco vermelho. — Você deixará a língua dela em paz. Não vai tocá-la. Eu sou o Rei, não você.
Ela olhou para ele, incredula.
— O que você disse?
— Eu sou o Rei. Eu que direi quem terá a língua arrancada, não você. Eu não vou deixar você machucar Margaery. Eu não vou. Eu a proíbo.
Cersei tomou-o pela orelha e arrastou-o gritando para a porta, onde encontrou Sor Boros Blounte em guarda permanente.
— Sor Boros, Vossa Graça esqueceu de si mesmo. Gentileza escoltá-lo até seu quarto e traga Pate. Desta vez eu quero que Tommen chicoteie o garoto. Ele deve continuar até que o garoto esteja sangrando nas duas bochechas. Se Vossa Graça se recursar, ou diga uma palavra de protesto, chame Qyburn e diga-lha para remover a língua de Pate, assim Vossa Graça poderá aprender qual é o custo da insolência.