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— Será como ordena, — Sor Boras bufou, olhando para o rei, inquieto. — Vossa Graça, venha comigo por favor.

Quando a noite caiu sobre a Fortaleza Vermelha, Jocelyn acendeu um fogo na lareira, enquanto a criada da rainha, Dorcas, acendeu as velas da cabeceira. Cersei abriu a janela para uma lufada de ar, e encontrou as nuvens escondendo as estrelas.

— Uma noite muito escura, Vossa Graça, — murmurou Dorcas.

Sim, ela pensou, mas não tão escuro quanto na Arcada das Donzelas, ou em Pedra do Dragão onde Loras Tyrell se encontra queimado e sangrando, ou abaixo nas celas escuras do castelo. A Rainha não sabia porque lhe ocorreu. Ela tinha resolvido não dar a Falyse outro pensamento. Um combate singular. Falyse deveria ter pensado melhor antes de se casar com um tolo. A palavra de Stokewoth foi que a Senhora Tanda tinha morrido de um calafrio no peito, causado por seu quadril quebrado. Lollys Lackwit havia sido proclamada Senhora Stokeworth, com Sor Bronn seu senhor. Tanda morta e Gyles morrendo. Ainda bem que temos o Rapaz Lua, ou o tribunal seria inteiramente desprovido de tolos. A rainha sorria quando deitou a cabeça sobre o travesseiro. Quando eu beijei seu rosto, eu pude provar o sal das suas lágrimas.

Ela sonhou um sonho antigo, de três meninas em capas marrons, uma velha abraçada, e uma tenda que cheirava a morte. A tenda da velha era escura, com um teto alto fino. Ela não queria entrar, não mais do que ela queria quando tinha dez anos, mas as outras meninas estavam olhando para ela, então ela não poderia se afastar. Elas eram três no sonho, como tinham sido na vida. A gorda Jeyne Farman a abraçou por trás como sempre fazia. Era uma maravilha que ela tivesse chegado tão longe.

Melara Hetherspoom era mais velha, mais ousada e mais bonita, em um jeito difícil de dizer. Envolta em mantos de pele com seus capuzes puxados para cima, as três haviam roubado de suas camas e partido em uma cruzada para encontrar a feiticeira. Melara tinha ouvido as criadas sussurando como ela poderia amaldiçoar um homem ou fazê-lo cair no amor, convocar demônios e prever o futuro.

Na vida as garotas tinha ficado sem folego e tontas, sussurando uma para as outras como elas tinha ido, excitadas como estavam com o medo. No sonho foi diferente. No sonho, os pavilhões estavam sombreados e os cavaleiros e criados que passavam eram feitos de névoa.

As meninas vagaram por um longo tempo antes de encontrar a tenda da velha. Encontraram no momomento que todas as tochas foram colocadas para fora. Cersei observava as meninas conversando, sussurando uma para as outras. Volte, ela tentou dizer a eles. Afastem-se. Não há nada aqui para vocês. Mas ainda que ela tenha movido seus lábios, as palavras não saíam.

A filha do Lorde Twin foi a primeira a passar pelo retalho, com Melara logo atrás dela. Jeyne Farman entrou por último, e tentou se esconder atrás das outras duas, como ela sempre fazia.

O interior da tenda estava cheio de cheiros. Canela e noz-moscada. Pimenta, vermelha, branca e preta. Leite de amendoas e cebolas. Cravo e capim-limão e açafrão, e especiarias raras e estranhas. A única luz vinha de um braseiro de ferro em forma de cabeça de um basilisco, uma lua verde fraca que fez as paredes da tenda parecerem frias, mortas e podres. Teria sido assim em vida também? Cersei não conseguia se lembrar.

A feiticeira estava dormindo no sonho, assim como ela estava dormindo na vida. Deixe-a, a rainha queria gritar. Suas pequenas tolas, nunca acorde uma feiticeira de seu sonho. Sem a língua, ela só conseguia ver a menina jogando fora seu manto, chutando a cama da bruxa, e dizendo:

— Acorde, nós queremos que conte nossos futuros.

Quando Maggy, a Sapa abriu os olhos, Jeyne Farman deu um guincho assustado e fugiu da tenda, mergulhando de cabeça de volta para a noite. Pequena e estúpida Jeyne, de rosto pálido, gorda e com medo de cada sombra. Ela foi a única sábia, entretanto. Jeyne viveu em Ilha Quieta. Ela casou-se com um vassalo de seu irmão Lorde e pariu uma dúzia de filhos.

Os olhos da velha eram amarelos, e seu rosto era encrostado por algo maligno. Em Lannisporto foi dito que ela tinha sido jovem e bonita quando seu marido a trouxe de volta do oriente com uma carga de especiairas, mas a idade e o mal tinha deixado suas marcas sobre ela. Ela era pequena, curta e encurvada, e sua mandíbula tinha pelos esverdeados.

Seus dentes tinham ido embora e seus seios chegavam aos joelhos. Era possível sentir o cheiro da doença se chegasse perto demais dela, e quando ela falou, sua respiração era estranha, forte e fétida.

— Vão embora, ela disse às meninas, em um sussurro.

— Nós viemos para uma previsão, — a jovem Cersei disse a ela.

— Vão Embora, — resmungou a velha, uma segunda vez.

— Nós ouvimos que você pode prever o futuro, — disse Melara.

— Nós só queremos saber com que homens nós nos casaremos.

— Vão embora, — resmungou Maggy, uma terceira vez.

Escutando-a, a rainha teria gritado se ela tivesse voz. Vocês ainda tem tempo para fugir. Corram, suas pequenas tolas!

A menina com os cachos dourados colocou as mãos sobre seus quadris.

— Dê-nos a nossa previsão, ou contarei ao senhor meu pai e você será chicoteada por insolência.

— Por favor, — implorou Melara. — Basta dizer-nos o nosso futuro, e nós iremos embora.

— Alguns que estão aqui não tem futuro, — Maggy murmurou em sua terrível voz grave. Ela puxou o manto sobre seus ombros e acenou para as meninas chegarem mais perto. — Aproxime-se, se não querem ir embora. Tolas. Aproximem-se, sim. Eu preciso provar seu sangue.

Melara empalideceu, mas não Cersei. Uma leoa não teme um sapo, não importa quão velho e feio a velha poderia ser. Ela deveria ter ido embora, ela deveria ter escutado, ela deveria ter fugido. Em vez disso, ela tomou o punhal que Maggy ofereceu a ela, e correu a lâmina de ferro torcido através de seu polegar. Então ela fez em Melara o mesmo.

Na tenda iluminada por luz verde, o sangue parecia mais negro que vermelho. A boca desdentada de Maggy tremeu ao ver isso.

— Aqui, — ela sussurou: — dá-la aqui. — Quando Cersei estendeu a mão, ela sugou o sangue com gengivas tão suaves como as de um recém-nascido. A rainhda ainda podia se lembrar quão estranha e fria a boca da velha havia sido. — Três perguntsa você pode fazer, — disse a anciã, uma vez que ela tinha bebido. — Você não vai gostar das minhas respostas. Pergunte, ou termino com você.

Vá, sonhando, a Rainha pensou, segure sua lingua, e fuja. Mas a garota não tinha bom senso suficiente para ter medo.

— Quando eu vou casar com o Príncipe? — Ela perguntou.

— Nunca. Você vai casar com o Rei.

Sob seus cachos dourados, o rosto da menina enrugou em perplexidade. Durante anos depois, ela tomou essas palavras para significar que ela não se casaria com Rhaegar até depois que seu pai Aerys tivesse morrido.

— Eu serei a rainha, então? — perguntou a jovem Cersei.

— Sim. — A malícia brilhou nos olhos amarelos de Maggy. —Rainha você será … até que venha outra, mais jovem e mais bonita, para lançar você para baixo e tomar a todos que lhe são caros.

A raiva passou pelo rosto da criança.

— Se ela tentar, terei meu irmão para matá-la. — Mesmo assim ela não pararia, criança voluntariosa como ela era. Ela ainda tinha mais uma pergunta para ela, mais um vislumbre de sua vida por vir. — Eu e o rei teremos filhos? — Ela perguntou.