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Silencio seguiu seu discurso. Edmure sentado em sua banheira. Pia agarrando as roupas contra seus seios. O cantor reforçou uma corda em sua harpa. Pequeno Lew escavava um naco de pão para fazer uma trincheira, fingindo que não tinha ouvido. Com uma catapulta, Jaime pensou. Se sua tia estivesse estado lá, ela ainda diria que Tyrion era filho de Tywin?

Edmure Tully finalmente encontrou sua voz.

— Eu poderia sair dessa banheira e matá-lo onde você está, Regicida.

— Você poderia tentar.

Jaime esperou. Quando Edmure não fez movimento para se erguer, ele disse

— Eu deixarei você para aproveitar sua comida. Cantor, cante para nosso convidado enquanto ele come. Você conhece a musica, eu acredito.

— Aquela sobre a chuva? Sim, meu senhor, eu a conheço.

Edmure parecia ver o homem pela primeira vez.

— Não. Ele não! Tire ele de perto de mim.

— Por quê? É só uma canção, — disse Jaime. Ele não pode ter uma voz tão ruim.

CERSEI

O Grande Meistre Pycelle já era velho quando Cersei o conhecera, mas parecia ter envelhecido mais cem anos nas três últimas noites.

 Precisou de uma eternidade para dobrar o joelho enferrujado à sua frente, e depois de o fazer não conseguiu voltar a erguer-se até Sor Osmund o agarrar e o pôr em pé.

Cersei estudou-o com desagrado.

— Lorde Qyburn informa-me de que Lorde Gyles tossiu pela última vez.

— Sim, Vossa Graça. Fiz o melhor que pude para aliviar o seu falecimento.

— Fez? — A rainha virou-se para a Senhora Merryweather. — Eu disse que queria Rosby vivo, não disse?

— Disse, Vossa Graça.

— Sor Osmund, o que recorda da conversa?

— Ordenou ao Grande Meistre Pycelle que salvasse o homem, Vossa Graça. Todos ouvimos.

A boca de Pycelle abriu-se e fechou-se.

— Vossa Graça tem de saber que eu fiz tudo o que podia ser feito pelo pobre homem.

— Tal como fez com Joffrey? E o seu pai, o meu querido marido?

Robert era tão forte como qualquer homem nos Sete Reinos, e no entanto o perdeu para um javali. Oh, e não nos esqueçamos de Jon Arryn. Sem dúvida que teria matado também Ned Stark, se eu tivesse deixado que ficasse com ele mais tempo. Diga-me, meistre, foi na Cidadela que aprendeu a apertar as mãos e arranjar desculpas?

A voz dela fez o velho se encolher.

— Ninguém poderia ter feito mais, Vossa Graça. Eu... eu sempre prestei um serviço leal.

— Quando aconselhou o Rei Aerys a abrir os portões à aproximação da hoste do meu pai, era essa a sua ideia de serviço leal?

— Isso... eu avaliei mal o. . .

— Foi esse um bom conselho?

— Vossa Graça tem certamente de saber...

— O que eu sei é que quando o meu filho foi envenenado se mostrou ser menos útil do que o Rapaz Lua. O que eu sei é que a coroa tem uma necessidade desesperada de ouro, e o nosso mestre da moeda está morto.

O velho idiota agarrou-se àquilo.

— Eu. . . eu esboçarei uma lista de homens capazes de ocupar o lugar do Lorde Gyles no conselho.

— Uma lista. — Cersei sentiu-se divertida com o atrevimento. — Posso bem imaginar o tipo de lista que me arranjaria. Grisalhos, tolos gananciosos e Garth, o Grosso. — Os lábios se apertaram. – Tem andado muito em companhia da Senhora Margaery nos últimos tempos.

- Sim. Sim, eu... a Rainha Margaery tem estado muito perturbada por causa de Sor Loras. Eu forneço a Sua Graça preparados para dormir e...

outros tipos de poções.

— Sem dúvida. Diga-me, foi a nossa pequena rainha quem ordenou que matasse o Lorde Gyles?

— M-matar? — Os olhos do Grande Meistre Pycelle ficaram do tamanho de ovos cozidos. — Vossa Graça não pode acreditar. . . foi a sua tosse, por todos os deuses, eu. . . Sua Graça não faria. . . ela não tinha má vontade contra o Lorde Gyles, porque haveria a Rainha Margaery de o querer. . .

— . . . morto? Ora, para plantar outra rosa no conselho de Joffrey.

É cego, ou foi comprado? Rosby estava no seu caminho, de modo que o pôs na cova. Com a vossa conivência.

— Vossa Graça, juro, o Lorde Gyles pereceu devido à tosse. — Tinha a boca a tremer. — A minha lealdade sempre esteve com a coroa, com o reino. . . c-com a Casa Lannister.

Por essa ordem? O medo de Pycelle era palpável. Está suficientemente maduro. É altura de espremer o fruto e provar o seu sumo.

— Se é tão leal como diz, porque estaria mentindo? Não se incomode em negá-lo. Começou a dançar em volta da Donzela Margaery antes de Sor Loras partir para Pedra do Dragão, portanto poupe-me a mais fábulas sobre só desejar consolar a nossa nora na sua dor. O que te leva tão frequentemente à Arcada das Donzelas? Não é, certamente, a desenxabida conversa de Margaery. Andai a cortejar aquela sua septã de cara bexiguenta?

Fazendo festinhas na pequena Senhora Bulwer? É um espião, informando-a sobre mim para lhe alimentar as maquinações?

— Eu. . . eu obedeço. Um meistre jura servir.

— Um grande meistre jura servir o reino.

— Vossa Graça, ela... ela é a rainha...

Eu é que sou a rainha.

— Quis dizer. . . ela é a esposa do rei, e. . .

— Eu sei quem ela é. O que quero saber é por que motivo tem necessidade de você. A minha nora está enferma?

— Enferma? — O velho puxou a coisa a que chamava barba, aquela sementeira remendada de pêlos finos e brancos que brotava das barbelas soltas e rosadas que tinha sob o queixo. — N-não está enferma, Vossa Graça, não propriamente. Os meus votos proíbem-me de divulgar. . .

— Os seus votos serão pequeno conforto nas celas negras —avisou-o a rainha. — Ou eu ouço a verdade, ou passará a usar grilhetas.

Pycelle ruiu sobre os joelhos.

— Suplico... eu fui um homem do senhor seu pai, e para você um amigo no problema de Lorde Arryn. Não poderia sobreviver às masmorras, de novo não...

— Porque é que Margaery manda te chamar?

— Ela deseja... ela... ela...

Diga!

O velho encolheu-se de medo.

— Chá da lua — sussurrou. — Chá da lua, para...

— Eu sei para que é usado o chá da lua. — Aí está. — Muito bem.

Endireite esses joelhos vergados e tente se lembrar de como se é um homem.

Pycelle lutou por erguer-se, mas levou tanto tempo que teve de dizer a Osmund Kettleblack para lhe dar outro puxão. — E quanto à Lorde Gyles, não há dúvida de que o Pai no Céu o julgará com justiça. Não deixou filhos?

— Não há filhos da sua semente, mas há um protegido. . .

—... que não é do seu sangue. — Cersei ignorou aquele aborrecimento com um golpe de mão. —Gyles conhecia a nossa terrível necessidade de ouro. Sem dúvida que te falou do desejo que tinha de deixar todas as suas terras e fortuna a Tommen. — O ouro de Rosby ajudaria a refrescar os seus cofres, e as terras e castelo de Rosby podiam ser outorgados a um dos seus como recompensa por serviços leais. Lorde Waters, talvez.

Aurane tinha andado a sugerir a necessidade que sentia de uma propriedade; a sua senhoria não passava de uma honraria vazia sem propriedades. Cersei sabia que o homem tinha os olhos postos em Pedra do Dragão, mas aí estava a mirar alto demais. Rosby seria mais adequado ao seu nascimento e estatuto.

— O Lorde Gyles adorava Vossa Graça de todo o coração — estava dizendo Pycelle — mas... o seu protegido...

—... irá sem dúvida compreender, depois de te ouvir falar do desejo expresso por Lorde Gyles ao morrer. Vá, e trate do assunto.

— Se aprouver a Vossa Graça. — O Grande Meistre Pycelle quase tropeçou na própria veste com a pressa de sair.

A Senhora Merryweather fechou a porta nas costas dele.