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Arianne demorou vários dias para escrever sua carta secreta. Dê ao homem que lhe entregar isso uma centena de veados de prata, começou ela.

Isso devia garantir que a mensagem fosse entregue. Escreveu onde ela estava, e pediu por socorro . Aquele que me livrar desta cela não será esquecido quando eu me casar. Isso deve trazer os heróis correndo. A menos que o Príncipe Doran a tenha deserdado, ela continuava a ser a herdeira legítima de Lançasolar; o homem que se casasse com ela governaria Dorne ao seu lado, um dia. Arianne só podia rezar para que seu salvador se provasse mais jovem do que os anciãos que seu pai lhe oferecera ao longo dos anos. Quero um consorte com dentes, ela lhe disse quando recusou o último.

Ela não ousou pedir pergaminho por medo de despertar as suspeitas de seus captores, então escreveu a carta na parte inferior de uma página rasgada de A Estrela de Sete Pontas, e apertou-a na mão de Cedra no dia de seu banho seguinte.

— Há um lugar ao lado do Portão Triplo, onde as caravanas se abastecem antes de atravessar a areia profunda, — Arianne disse para ela. — Encontre algum viajante indo para Passo do Príncipe, e prometa-lhe uma centena de veados de prata se ele colocar isso na mão de Lorde Fowler.

— Eu irei. — Cedra escondeu a mensagem em seu corpete. — Eu vou encontrar alguém antes do pôr do sol, princesa.

— Bom, — disse ela. — Diga-me como foi no dia seguinte.

A menina não retornou na manhã seguinte, no entanto. Nem no dia que se seguiu. Quando chegou a hora de Arianne se banhar, foram Morra e Mellei que encheram banheira, e ficaram lavando suas costas e escovando seu cabelo.

— Cedra está doente? — A princesa perguntou, mas elas não responderam. Ela foi capturada, era tudo o que ela podia pensar . O que mais poderia ser? Naquela noite, ela quase não dormiu, com medo do que poderia vir a seguir.

Quando Timoth trouxe seu café da manhã no dia seguinte, Arianne pediu para ver Ricasso, em vez de seu pai. Claramente ela não podia obrigar o Príncipe Doran a recebê-la, mas certamente um mero senescal não iria ignorar uma intimação da legítima herdeira de Lançassolar.

Ele, no entanto, ignorou.

— Você deu meu recado a Ricasso? — ela exigiu saber na próxima vez em que viu Timoth. — Disse a ele que eu tinha necessidade de vê-lo? — Quando o homem se recusou a responder, Arianne jogou uma garrafa de vinho tinto sobre sua cabeça. O homem retirou-se gotejando, o rosto como uma máscara de dignidade ferida. Meu pai quer me deixar aqui para apodrecer, a princesa concluiu. Ou então ele está fazendo planos para me casar com algum velho nojento e pretende me manter trancada até o casamento.

Arianne Martell tinha crescido esperando que um dia se casasse com algum grande lorde da escolha de seu pai. Era para isso que serviam as princesas, ela tinha sido ensinada... embora, reconhecidamente, seu tio Oberyn tinha tomado uma visão diferente dessas questões.

— Se você quer se casar, case, — contava a Víbora Vermelha a suas filhas. — Se não, obtenha o seu prazer onde o encontrar. Há muito pouco neste mundo. Escolha bem, no entanto. Se você se selar com um tolo ou um bruto, não olhe para mim para livrá-lo dele. Eu dei-lhe as ferramentas para fazer isso por si mesma.

A liberdade que o príncipe Oberyn permitia as filhas bastardas nunca tinha sido compartilhada pela herdeira legítima do Príncipe Doran. Arianne devia se casar; ela tinha aceitado isso. Drey a queria, ela sabia, assim como seu irmão Deziel, o Cavaleiro dos Limoeiros. Daemon Sand tinha ido tão longe a ponto de pedir a mão dela. Daemon era bastardo, no entanto, e o Príncipe Doran não desejava que ela se casasse com um dornês.

Arianne tinha aceitado isso também. Há um ano, o irmão do Rei Robert veio para visita-la, e ela fez o seu melhor para seduzi-lo, mas ela era um pouco mais que uma garotinha, e Lorde Renly parecia mais confuso do que inflamado por sua insinuação. Mais tarde, quando Hoster Tully pediu-lhe para ir a Correrrio e conhecer seu herdeiro, ela acendeu velas para a Donzela em agradecimento, mas o Príncipe Doran recusou o convite. A princesa poderia até ter considerado Willas Tyrell, com a perna aleijada e tudo, mas seu pai recusou-se a mandá-la para Jardim de Cima para encontrá-lo. Ela tentou ir, apesar disso, com a ajuda de Tyene... Mas o príncipe Oberyn os pegou em Vaith e os trouxe de volta. Nesse mesmo ano, o Príncipe Doran tentou desposa-la a Ben Beesbury, um fidalgote menor que um dia teve oitenta anos, tão cego quanto desdentado.

Beesbury morreu alguns anos mais tarde. Isso lhe deu algum conforto em sua situação atual, ela não poderia ser forçada a se casar com ele se estava morto. E o Senhor da Travessia tinha casado de novo, então ela estava segura quanto a ele também. Elden Estermont ainda está vivo e solteiro, no entanto. Lorde Rosby e Lorde Grandison também. Grandison era chamado de Barbacinzenta, mas quando ela o conhecera, viu que sua barba já estava branca como a neve. Na festa de boas-vindas, ele tinha ido dormir entre o prato de peixe e o de carne. Drey achou aquilo muito apropriado, já que seu brasão apresentava um leão adormecido. Garin desafiou-a a ver se podia dar um nó na barba sem acordá-lo, mas Arianne se absteve.

Grandison parecia um companheiro agradável, menos queixoso do que Estermont e mais robusto do que Rosby. Ela nunca se casaria com ele, no entanto. Nem mesmo se Hotah estivesse atrás de mim com seu machado.

Ninguém veio casar com ela no dia seguinte, nem no dia seguinte.

Nem Cedra retornou. Arianne tentou ganhar Morra e Mellei da mesma maneira, mas não conseguiu. Se ela tivesse sido capaz de tentar com qualquer uma delas sozinha poderia ter alguma esperança, mas juntas as irmãs eram como uma parede. Nessa altura, a princesa já teria preferido o toque do ferro quente, ou uma noite de tortura. A solidão estava levando-a a loucura. Eu mereço um machado de carrasco pelo que fiz, mas nem isso ele vai me dar. Ele prefere me prender e esquecer que já vivi. Perguntou-se se Meistre Caleotte estava desenhando uma proclamação para nomear seu irmão Quentyn, herdeiro Dorne.

Dias vieram e se foram, um após o outro, tantos que Arianne perdeu a conta de há quanto tempo havia estado presa. Ela se viu passar mais e mais tempo na cama, até chegar ao ponto em que não mais se levantava dela, exceto para usar a privada. As refeições que os servos traziam esfriavam, intocadas. Arianne dormiu e acordou e dormiu de novo, e ainda se sentia muito cansada para se levantar. Ela rezava para a Mãe por misericórdia e ao Guerreiro por coragem, então dormia um pouco mais. Novas refeições substituíam as antigas, mas ela não as comia também. Uma vez, quando se sentiu especialmente forte, carregou toda a comida para a janela e atirou-a para o quintal, para que não a tentassem. O esforço a esgotou, então depois ela se arrastou de volta para a cama e dormiu durante meio dia.

Então chegou um dia em que uma mão rude a acordou, sacudindo-a pelo ombro.

— Pequena princesa, — disse uma voz que conhecia desde a infância. — Levante-se e vista-se. O príncipe mandou chama-la. — Areo Hotah estava sobre ela, seu velho amigo e protetor. Ele estava falando com ela. Arianne sorriu sonolenta. Foi bom ver seu o rosto, com sua cicatriz costurada, e ouvir sua voz, rouca e profunda com um espesso sotaque de Norvos.

— O que você fez com Cedra?

— O príncipe mandou-a para os Jardins da Água, — disse Hotah. — Ele vai lhe dizer. Primeiro você deve se lavar, e comer.