— E mesmo assim foi a sua primeira escolha para ser o Conselheiro do Rei. O que isso te parece, Cersei?
— Eu disse ao senhor, eu estava doente de sofrimento, eu não pensei.
— Não mesmo, Sor Kevan concordou. — O que é o motivo pelo qual você deve retornar à Rochedo Casterly e deixar o rei com aqueles que pensam.
— O rei é meu filho! — Cersei levantou-se.
— Sim, — seu tio disse, — e pelo o que eu vi de Joffrey, você é tão inapropriada como mãe quanto como governante.
Ela jogou o conteúdo de sua taça de vinho cheia no rosto dele.
Sor Kevan levantou-se com uma dignidade ponderosa.
— Vossa Graça. — O vinho escorria pelo seu rosto e pingava pela sua barba bem cortada. — Com a sua licença, poderia me retirar?”
— Com que direito o Senhor acha que pode me colocar condições?
Você não é mais que um dos cavaleiros de meu pai.
— Eu não tenho terras, é verdade. Mas eu tenho renda certa, e baús de moedas bem guardados. Meu próprio pai não se esqueceu de nenhum dos filhos quando morreu, e Tywin sabia como recompensar bom serviço. Eu mantenho duzentos cavaleiros e posso dobrar esse número caso seja necessário. Há também cavaleiros livres que seguirão a minha bandeira, e eu tenho ouro para contratar mercenários. Você seria esperta em não me negligenciar, Vossa Graça… e ainda mais esperta de não fazer-me seu inimigo.
— O senhor está me ameaçando?
— Eu a estou aconselhando. Se você não vai ceder a regência para mim, nomeie-me seu castelão em Rochedo Casterly e faça ou Mathis Rowan ou Randyll Tarly a Mão do Rei.
Homens da bandeira de Tyrell, os dois. A sugestão a deixou sem palavras. Ele foi comprado? Ela imaginou. Ele teria recebido ouro para trair a casa Lannister?
— Mathis Rowan é sensível, prudente, bem aceito, — o seu tio continuou, absorto. — Randyll Tarly é o mais fino soldado do reino. Uma Mão fraca para tempos de paz, mas com a morte de Tywin não há homem melhor para terminar essa guerra. Lorde Tyrell não poderá ofender-se se você escolher um de seus próprios homens como Mão. Tanto Tarly quanto Rowan são homens hábeis... e leais. Nomeie qualquer um, e você faz dele seu aliado. Você se fortalece e enfraquece Jardim de Cima, e ainda Mace provavelmente vai agradecê-la por isso. — Ele deu de ombros. — Esse é o meu conselho, pegue-o ou não. Você fazer do Menino Lua a Mão não me importaria. Meu irmão está morto, mulher. Eu vou levá-lo para casa.
Traidor, ela pensou. Vira-casaca. Ela imaginou o quanto Mace Tyrell teria dado a ele.
— O senhor vai abandonar o seu rei quando ele mais precisa do senhor, — ela disse a ele. — O senhor está abandonando Tommen.
— Tommen tem a sua mãe. — Os olhos verdes de Sor Kevan encontraram aos dela, sem piscar. Uma última gota de vinho tremeu vermelha e molhada abaixo de seu queixo e finalmente caiu. — Sim, — ele adicionou suavemente, depois de uma pausa, — e a seu pai também, eu acho.
JAIME
Sor Jaime Lannister, todo em branco, ficou ao lado do caixão de seu pai. Cinco dedos enrolados sobre o cabo de uma larga espada de ouro.
Ao anoitecer, o interior do Grande Septo de Baelor ficou escuro e assustador. A última luz do dia se inclinou baixo através das altas janelas, lavando as semelhanças dos Sete em uma penumbra vermelha. Em torno de seus altares, velas perfumadas piscavam enquanto sombras profundas reuniam-se no transeptos e rastejava silenciosamente pelo piso de mármore.
Os ecos de qualquer som morreram ao longo enquanto as pranteadoras estavam de partida.
Balon Swann e Loras Tyrel permaneceram quando o resto tinha ido.
— Ninguém pode fazer uma vigília durante sete dias e sete noites — Sir Balon disse. — Quando você dormiu pela ultima vez, meu senhor?
— Quando o senhor meu pai estava vivo — Jaime disse.
— Permita-me ficar esta noite em seu lugar — Sor Loras se ofereceu.
— Ele não era seu pai — você não matou ele. Eu matei. Tyrion talvez tenha lançado o dardo que o matou, mas eu soltei Tyrion. — Me deixe.
— Como meu senhor ordena — disse Swann. Sor Loras parecia que iria argumentar mais, mas Sor Balon tomou seu braço e puxou-o para fora.
Jaime ouviu os ecos de seus passos desaparecerem. E então, ele estava sozinho com seu pai, entre as velas, cristais e o cheiro adocicado da morte.
Suas costas doíam com o peso da armadura, e suas pernas estavam quase dormentes. Ele mudou um pouco sua postura e apertou ainda mais os dedos ao redor da espada de ouro. Ele não podia empunhar uma espada, mas ele podia segurar uma. A mão que lhe faltava estava latejando. Isso era quase engraçado. Ele sentia mais a mão que tinha perdido do que o resto do seu corpo.
Minha mão esta com fome de espada. Eu preciso matar alguém.
Varys, para começar, mas primeiro ele precisava encontrar a rocha que ele estava escondendo debaixo.
— Eu mandei o eunuco levá-lo para o navio, não para seu quarto — disse o cadáver — o sangue está tanto em suas mãos quanto... nas de Tyrion.
O sangue está na suas mãos tanto quanto nas minhas, ele quis dizer, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. O que quer que Varys fez, eu o fiz fazer. Ele tinha esperado na câmara do eunuco aquela noite, quando finalmente tinha decidido não deixar o seu irmão mais novo morrer.
Enquanto esperava, ele afiou sua adaga com uma mão, tendo um conforto esquisito no raspe-raspe do metal com pedra. Ao som de passos, ele ficou ao lado da porta. Varys entrou em uma lavagem de pó e lavanda. Jaime saiu atrás dele, chutou-o na parte de trás do joelho e ajoelhou-se em seu peito, e empurrou a faca para cima no queixo mole e branco, forçando a cabeça a ficar erguida.
— Porque Lorde Varys — ele disse pensativamente — imaginei que o encontraria aqui.
— Sor Jaime? — Varys ofegou — O senhor me assustou.
— Eu pretendia — quando ele torceu o punhal um fio de sangue escorreu na lamina. — Eu estava pensando que você talvez pudesse me ajudar a arrancar meu irmão para fora de sua cela antes que Sor Ilyn arranque sua cabeça fora. É uma cabeça feia, eu garanto, mas ele só tem aquela.
— Sim... bem... se você... remover a lamina... sim, delicadamente, como agradar meu senhor, gentilmente... oh, eu fui cortado! — o eunuco tocou o pescoço e ficou boquiaberto com o sangue em seus dedos. — Eu sempre abomino a visão do meu próprio sangue.
— Você terá mais a abominar brevemente, a não ser que me ajude.
Varys esforçou para sentar-se.
— O seu irmão... se o Duende desaparecer inexplicavelmente de sua cela, p-p-perguntas serão feitas. Eu t-t-temo por minha vida.
— Sua vida é minha. Eu não me importo que segredos você saiba.
Se Tyrion morrer, você não viverá mais do que ele, eu prometo.
— Ah — o eunuco sugou o sangue em seus dedos — Você pede uma coisa terrível. Para soltar o Duende que matou nosso rei encantador. Ou será que você acredita que ele é inocente?
— Inocente ou culpado — Jaime tinha dito, como o tolo que era. —
Um Lannister sempre paga suas dívidas. — As palavras tinham vindo tão fáceis.
Ele não tinha dormido desde então. Ele podia ver seu irmão agora, a forma que seu irmão sorriu por baixo de seu nariz, como a luz das tochas lambia seu rosto.
— Seu pobre cego tolo aleijado estúpido — ele rosnou, numa voz grossa com malícia. — Cersei é uma puta mentirosa. Ela tem fodido Lancel e Osmund Kettleblack e provavelmente o Menino Lua pelo que sei. E eu sou o monstro que todos dizem que sou. Sim, eu matei seu filho malvado.