— Todos os castelos — disse a irmã do capitão — O único que eu conheço é Forte Pardo pelo porto. Eu fiz outro em minha cabeça, de como um castelo deveria parecer. Eu nunca vi um dragão também, nem um grifo, nem um unicórnio.
Ela tinha um jeito alegre, mas quando Brienne lhe mostrou seu escudo, seu rosto ficou escuro.
— Minha velha mãe costumava dizer que os morcegos gigantes voam para fora de Harrenhal nas noites sem lua, para transportar crianças más a Danelle, a Louca, para seus cozidos. Às vezes, eu os ouvia riscando as janelas. — ela tocou os dentes com a língua pensativa — O que vai em seu lugar?
O brasão dos Tarth era um esquartejado de rosas com azul, e davam a luz um sol amarelo e a uma lua crescente. Mas, enquanto os homens acreditassem que ela era uma assassina, Brienne não se atreveria a carregá-lo.
— Sua porta me lembrou de um velho escudo que eu uma vez vi no arsenal do meu pai. — ela descreveu os brasões da melhor maneira que pode se lembrar. A mulher assentiu com a cabeça.
— Eu posso pintá-lo de imediato, mas a tinta terá que secar. Pegue um quarto na Sete Espadas, se lhe agradar. Vou lhe trazer o escudo pela manhã.
Brienne não tinha intenções de passar a noite em Valdocaso, mas talvez fosse o melhor. Ela não sabia se o senhor do castelo estava na residência, ou se ele consentiria em vê-la. Ela agradeceu a pintora e atravessou a calçada para a estalagem. Acima de sua porta, sete espadas de madeira balançavam sob um pico de ferro. A cal que a cobria estava rachada e descascada, mas Brienne sabia o seu significado. Elas ficaram para os sete filhos de Darklyn, que havia usado os mantos brancos da Guarda Real.
Nenhuma outra casa em todo o reino poderia reivindicar tanto assim. Eles foram a glória de suas casas. E agora eles são um sinal acima de uma estalagem. Ela entrou para dentro da sala e pediu ao estalajadeiro por um quarto e um banho.
Ele a colocou no segundo andar, e uma mulher com uma marca de nascença no rosto da cor de fígado lhe trouxe uma banheira de madeira, e então a água, balde por balde.
— Por acaso algum Darklyn permanece em Valdocaso? — Brienne perguntou enquanto entrava na banheira.
— Bem, há Darkes, e há eu mesma. Meu marido diz que eu era uma Darke antes de casar. — ela riu. — Não é possível jogar uma pedra em Valdocaso sem acertar alguns Darke, Darkwood ou Dargood, mas os nobres Darklyns se foram. Lorde Denys foi o último deles, o tolo e doce jovem.
Sabia que os Darklyn foram reis em Valdocaso antes dos ândalos chegarem?
Você nunca saberia ao olhar para mim, mas eu tenho sangue real em mim.
Você pode ver? ‘Vossa Graça, outro copo de cerveja’, eu deveria fazê-los dizer, ‘Vosa Graça, o penico precisa ser esvaziado, e busque alguns peixes frescos, Vossa Graça sangrenta, o fogo está se acabando’ — Ela riu novamente e esvaziou as ultimas gotas do balde. — Bem, aqui está, a água está quente o suficiente para você?
— Vai servir. — a água estava morna.
— Eu traria mais, mas acabou. E uma garota do seu tamanho, você própria enche uma banheira.
Apenas uma banheira pequena e apertada como esta. Em Harrenhal as banheiras eram enormes e feitas de pedras. A casa de banho era espessa com todo o vapor subindo da água, e Jaime tinha vindo caminhando através dessa névoa nu como no dia de seu nome, parecendo meio homem e meio deus. Ele entrou na banheira comigo, ela se lembrou, corando. Ela agarrou um pedaço duro de sabão detergente e esfregou por baixo de seus braços, tentando chamar a face de Renly novamente.
Quando a água ficou fria, Brienne estava tão limpa quanto gostava de estar. Ela vestiu as mesmas roupas que havia tirado e cingiu-as com um cinturão apertado ao redor dos quadris, mas sua cota e elmo ela deixou para trás, de modo a não parecer muito ameaçadora em Forte Pardo. Era bom esticar as pernas. Os guardas nos portões do castelo usavam gibões de couro com um emblema que mostrava martelos de batalhas cruzados em cima de uma cruz branca.
— Eu gostaria de falar com seu senhor — Brienne disse a eles.
Um deles riu.
— Melhor gritar alto então.
— Lord Rykker cavalgou para Lagoa da Donzela com Randyll Tarly – o outro disse – Ele deixou Sor Leek Rufus como castelão, para cuidar da Senhora Rykker e os jovens. — Foi para Leek que eles a escoltaram. Sor Rufus era um curto e robusto com uma barba grisalha, cuja perna esquerda terminara em um toco.
— Você vai me perdoar se eu não me levantar — ele disse. Brienne ofereceu-lhe sua carta, mas ele não sabia ler, então ele mandou-a para o Meistre, um homem careca com o couro cabeludo sardento e um duro bigode vermelho.
Quando ele ouviu o nome Hollard, o meistre franziu a testa com irritação.
— Quantas vezes devo cantar esta canção? — seu rosto devia tê-la feito se distanciar — Vocês acham que foram os primeiros a virem procurar depois de Dontos? Vocês estão mais para o vigésimo primeiro. Os Mantos Dourados estiveram aqui durante alguns dias depois do assassinato do rei, por ordem do Lorde Tywin. E o que vocês tem feito, orado?
Brienne lhe mostrou a carta, com o selo Tommen e a assinatura infantil. O meistre fez hmmmmmmm, cortou a cera, e finalmente devolveu-lhe a carta.
— Parece estar em ordem. — Ele subiu em seu banquinho e fez um gesto à Brienne para outro. — Eu nunca conheci Sor Dontos. Ele era um menino quando deixou Valdocaso. Os Hollard foram uma casa nobre uma vez, é verdade. Você conhece seus estandartes? Buréis vermelhos e rosas, com três coroas douradas sobre um chefe azul. Os Darklyn eram reis insignificantes durante a Idade dos Heróis, e três tomaram esposas Hollard.
Mais tarde seu pequeno reino foi engolido por reinos maiores, mesmo assim os Darklyn endureceram e suportaram, e os Hollard os serviram... Sim, mesmo em lutas. Você sabia disso?
— Um pouco — seu próprio meistre costumava dizer que era o desafio de Valdocaso que havia deixado o rei Aerys louco.
— Em Valdocaso eles amam Lorde Denys ainda, apesar da desgraça que ele trouxe. É a Senhora Serala que eles culpam, sua esposa Myrish. A Serpente de Renda, como ela é chamada. Se Lorde Darklyn tivesse ao menos desposado uma Stauton ou uma Stokeworth... Bem, você sabe como pequenos povos continuariam. A Serpente de Renda encheu o ouvido de seu marido com veneno Myrish, eles dizem, até que Lorde Denys levantou-se contra seu rei e o levou cativo. Durante a tomada, seu mestre de armas Sor Symon Hollard retirou Sor Gwayne Gaunt da Guarda Real. Por meio ano, Aerys foi mantido dentro destes muros, enquanto a Mão do Rei permaneceu fora de Valdocaso com um poderoso exército. Lorde Tywin tinha força suficiente para invadir a cidade a qualquer momento que desejasse, mas Lorde Denys mandou dizer a ele que ao primeiro sinal de agressão ele mataria o rei.
Brienne se lembrava do que vinha a seguir.
— O Rei foi resgatado — ela disse — Barristan, o Ousado, o trouxe para fora.
— Ele trouxe — o meistre disse — E uma vez que Lorde Denys perdeu seu refém, ele abriu os seus portões e terminou com seu maior desafio para não deixar que Lord Tywin tomasse a cidade. Ele dobrou o joelho e implorou misericórdia, mas o rei não era uma mente de perdão.
Lorde Denys perdeu sua cabeça, assim como seus irmãos, irmãs, tios, primos, todos os nobres Darklyn. A Serpente de Renda foi queimada viva, pobre mulher, acho que sua língua foi arrancada primeiro, junto com as suas partes femininas, com as quais se dizia que ela havia escravizado o seu senhor. Metade de Valdocaso ainda dirá a você que Aerys foi muito gentil com ela.
— E os Hollard?
— Desonrados e destruídos — disse o meistre. — Eu estava forjando meus grilhões na Cidadela quando aconteceu, mas eu li os contos de seus julgamentos e punições. Sor Jon Hollard, o Camareiro, havia se casado com a irmã de Lorde Denys e morreu com sua esposa, assim como seu filho pequeno, que era meio Darklyn. Robin Hollard foi um escudeiro, e quando o rei foi capturado ele dançou em volta dele e puxou sua barba. Ele morreu em cima de uma prateleira. Sor Symon Hollard foi morto por Sor Barristan durante a fuga do rei. As terras Hollard foram tomadas, seus castelos demolidos e suas aldeias queimadas. Assim como os Darklyn, a casa Hollard foi extinta.